quinta-feira, 30 de outubro de 2014

TREM-BALA VOLTA AOS PLANOS DO GOVERNO

Depois de oito anos de discussões, estudos e três tentativas frustradas de leilão, voltou aos planos do governo o polêmico projeto do trem-bala, que ligará Campinas e São Paulo ao Rio. Apesar de ter ficado adormecido durante este ano de eleições, o trem-bala continuou a ser alvo de estudos técnicos pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que está próxima de concluir seus levantamentos para apresentar editais de contratação.

Uma fonte próxima ao projeto afirmou que, já no início de 2015, será possível apresentar os editais para contratação de novos estudos técnicos envolvendo itens como demanda, custos operacionais, investimentos necessários, geologia, entre outros.
A contratação de novos estudos passou a ser uma exigência do Tribunal de Contas da União (TCU). Em agosto, o órgão de fiscalização decidiu que o estudo de viabilidade técnica e econômica usado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para licitar o projeto não tinha mais condições de apoiar a contratação porque estava desatualizado.
O trem-bala é um projeto defendido pessoalmente pela presidente Dilma Rousseff, que fez diversas tentativas de licitar o trem-bala, mas acabou recuando. A situação econômica do País esboçada para 2015 não dá sinais de comportar espaço para gastos bilionários.
Na prática, porém, são mínimas as possibilidades de licitação do empreendimento no próximo ano. É preciso contratar os estudos, dar tempo para realizá-los e só depois submeter uma proposta de leilão ao gosto do mercado - antes, porém, isso terá de passar pelo crivo do TCU. Na melhor das hipóteses, portanto, caso Dilma decida realmente levar o projeto adiante, a licitação efetiva da obra só ocorreria em meados de 2016.
O projeto fez parte das discussões internas durante a campanha eleitoral de Dilma. No mês passado, durante uma entrevista com blogueiros, Dilma deu sinais claros de que o projeto está mais do que vivo em seus planos. "Nós achamos que o Brasil precisa do trem-bala", disse. O projeto foi adiado, segundo ela, devido a questões como busca de mais concorrência e a crise do euro, entre 2011 e parte de 2013. "Resolvemos esperar momentos melhores", disse. "É certo que entre Rio e São Paulo tem demanda suficiente."
O traçado de 511 quilômetros do trem-bala prevê a ligação entre Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, com sete paradas no trajeto. Até dois anos atrás, o governo garantia que a obra ficaria pronta pelo custo de R$ 34 bilhões, mas empresas avaliavam que o empreendimento não sairia por menos de R$ 50 bilhões.
Época Negócios – 29/10/2014
Comentário do SINFERP

Para que serve, afinal, essa tal EPL, e que custa um bom dinheiro antes mesmo de fazer alguma coisa? Nova licitação para novos projetos, pois o Tribunal de Contas da União julga os existentes desatualizados? O que disso entende o Tribunal de Contas da União? O próprio governo, com seus muitos órgãos técnicos, não é capaz de rever projetos? A continuar assim, e logo mais teremos desembolsado R$ 34 bilhões apenas em projetos.

6 comentários:

Leoni disse...

É incrivel a teimosia, a insistência e insensibilidade destes governantes para com a população que depende do transporte coletivo diário, como se tudo estivesse uma maravilha!!!

O ministério público (TCU) entendeu que “O governo precisa refazer estudos se quiser o TAV” (Agosto de 2014).
Não faz sentido se preocupar com transferência de tecnologia ferroviária por uns poucos trens, temos provavelmente aqui instalada a maior quantidade de indústria automobilística multinacional do mundo, e não exigimos delas isto, a não ser que se queira criar a Ferrobrás, uma estatal com prazo curto para falir ou ser vendida em breve a preço de banana, muito diferente do acordo da EMBRAER com a SAAB da Suécia com relação aos jatos Gripen, em que se formara uma “joint venture”, esta sim tem tudo para ser uma próspera parceria.
Os trens regionais tem a função de complementar e auxiliar, principalmente pelas cidades não atendidas pelo TAV, só em São Paulo o sistema metrô ferroviário movimenta 7,2 milhões de passageiros diários.
Não devemos confundir os propostos trens regionais com *tecnologia pendular de até 230 km/h com os que existiam antigamente no Brasil e que trafegavam no máximo a 80 km/h, ou com este que esta sendo implantado atualmente pela Vale entre Vitória a Minas com 664 km com estimativa anual de 1 milhão de passageiros, e que por varias razões operacionais trafegam entre 45 e 65 km/h com tempo de viagem de ~13 horas, isto nos leva a conclusão que o “Sistema metrô ferroviário paulista movimenta 7,2 vezes mais passageiros por dia, do que este trem por ano” !!!

Já faz algum tempo que se encontra em desenvolvimento no pelo mundo para o TAV, inclusive no Brasil, (Maglev Cobra) o TAV, (acima de 250 km/h), porém todos eles utilizando “Obrigatoriamente o sistema de levitação magnética”, portanto corremos o risco de estarmos implantando com um alto custo utilizando uma tecnologia obsoleta e ultrapassada, se for mantida a proposta atual com rodeiros e trilhos em bitola (1,43 m) e largura da carruagem (~2,8 m) divergentes das existentes no Brasil para o futuro TAV.

Custo total estimado para construção do TAV Rio de Janeiro – Campinas, e para outros projetos de infraestrutura de grande vulto e despesa efetivamente realizada em infraestrutura ferroviária e aeroportuária; R$ bilhões
1ª TAV (35,0)
2ª Usina hidroelétrica de Belo Monte (19,0)
3ª Usina hidroelétrica de Santo Antônio (8,8)
4ª Usina hidroelétrica de Jirau (8,7)
5ª Ferrovia Norte-Sul (6,5)
6ª Ferrovia Transnordestina (5,4)
7ª Integração do Rio São Francisco (4,5)
8ª Invest. público e privado em ferrovias de 1999 a 2008 (16,6)
9ª Invest. público em aeroportos de 1999 a 2008 (3,1)
*Metrô de Salvador ~14 km, e *Angra III, uma das únicas obras incompletas não entregues durante o fim do regime militar (1985),em ambos denota-se a grande dificuldade administrativa para conclusão do empreendimento.

A maioria das grandes obras do PAC listadas acima, de porte menor que o TAV, e não menos importantes, principalmente as usinas hidroelétricas 2ª, 3ª e 4ª opções (Que podem causar um colapso no país) estão paralisadas ou incompletas até hoje, por que insistir nisto, se temos opções melhores, mais rápidas e econômicas conforme demonstrado, lembrando ainda os sistemas hídricos de armazenamento e abastecimento de água, que afeta inclusive as hidrovias!
Agora, do nada que nos restou após as privatizações, queremos retomar o transporte ferroviário de passageiros com um TAV que fará Europa e Japão se curvarem diante do Brasil. Nessas horas, eu lembro do velho conselho que diz que "O pior inimigo do bom é o ótimo".
Eu gostaria muito de ver uma comparação do tipo Custos x Benefícios entre o Bom e o Ótimo, e não apenas entre o Ótimo e o Nada.

Anônimo disse...

as vezes falam que temos complexo de vira-lata, ou aquele ditado que "já que vai fazer, faz do melhor".

contudo ainda acho que o trem-bala nao seria o momento para ele. deveria se investir em trens regionais tradicionais, mesmo que a viagem se torne quase o mesmo tempo da viagem de onibus. acho que o governo deveria ter a posse de volta de todas as ferrovias e aproveita-las para uso tanto de carga quanto de passageiros.

Anônimo disse...

"isto nos leva a conclusão que o “Sistema metrô ferroviário paulista movimenta 7,2 vezes mais passageiros por dia, do que este trem por ano”"

na verdade o sistema metroferroviario paulista nao transporta 7,2 milhoes de passageiros por dia, isso é um artificio usado pelo governo do estado para dar gigantismo a sua capacidade. isso é facilmente explicado pela teoria dos conjuntos, matematica basica de 1º grau. se voce pega o trem e depois faz transferencia pro metrô, voce nao se transforma em outra pessoa nem se duplica.

SINFERP disse...

Também não somos favoráveis ao TAV, e desde o início. Nasceu como projeto megalomano com finalidade política de "mostrar" nosso pioneirismo e "riqueza" na América Latina. Já custou fortuna, continua custando, e agora fala-se em voltar para a fase de projeto. Sempre defendemos trens regionais, inclusive com aproveitamento das linhas existentes, desde que retificadas. Entendemos que, dadas as nossas condições econômicas, trem disputa com veículos rodoviários, e não com aviões. Sempre defendemos a necessidade de desenvolvimento de tecnologia ferroviária nacional. Exceto a UFRJ, nenhuma outra universidade está voltada para isso. Ficamos animados quando a Embraer "sugeriu" a possibilidade de entrar no setor, mas isso não aconteceu. Não perdoamos o PSDB paulista por ter dado, doado toda a Malha Ferroviária Paulista para o setor privado, pois era evidente que tal setor ficaria com o filé, e deixaria o restante (maioria) da malha para a rapinagem de sucateiros. Não perdoamos pelo pouco que avançaram as linhas de Metrô nestes vinte anos (agora com mais quatro), e tampouco com a CPTM, que encolheu em relação ao que era quando Fepasa e Cbtu. Quanto ao governo federal, não aceitamos 12 anos (agora com mais 4) nessa lenga-lenga com que trata o transporte de pessoas sobre trilhos. Apanhamos de PT e principalmente de PSDB, mas mantemos nossas convicções, pois sobre fatos.

Leoni disse...

Prezados,

Primeiramente gostaria de informar que o Anônimo esta correto quando afirma que não são ~7,2 milhões de passageiros / dia, e sim que cada vez em que aja um transbordo, se conta como uma utilização.

Com relação a comparação aos trens da Valec são de 1,2 milhão de passageiros / ano.

Com relação a listagem das grandes obras incompletas ou paralisadas listadas do PAC, uma chama a atenção em especial, que é a unica que não foi completada desde 1985 ano em que os militares deixaram o poder, que é a de ANGRA III, que em 2015 irá completar 30 anos.

Ao tentar se retomar uma obra do porte de um TAV sem ter completado no mínimo as mais de dez citadas o governo demonstra uma insensatez além da enorme falta de responsabilidade e capacidade gerencial.

O SINFERP, assim como uma grande maioria dos técnicos especializados entende que os trens regionais com (*Tecnologia pendular) preferencialmente os com dois andares devem preceder o TAV, inclusive o presidente dos maiores fabricantes mundiais, a Alstom, Phellipe Delleur.

SINFERP disse...

O que pouca gente percebe, Leoni, é que a diferença entre países desenvolvidos, e os demais, é que os eles criam, desenvolvem tecnologia, enquanto os outros as consomem na forma de produtos. Já dominamos técnicas e tecnologias ferroviárias.