quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Reclamação de usuários faz Supervia instalar bancos na Estação Maracanã (RJ)

Poucos dias depois da reportagem do  Jornal do Brasil ter denunciado a falta de bancos para os usuários na Estação Maracanã, a responsável pelo transporte ferroviário do Rio, Supervia, instalou bancos no local. Os usuários, porém, já analisaram a situação e acharam a quantidade de bancos insuficiente. Além disso, questionam por que só agora os bancos foram instalados se as reclamações acontecem desde julho. A falta de informação e comunicação clara são apontadas como os maiores problemas da concessionária, segundo usuários. 

A página do Facebook Supervia – Vergonha para o povo carioca (SVPPC) está em constante contato com a Supervia e o criador da página, Vitor Guimarães, diz que o diálogo não é fácil. Segundo ele, a Supervia não responde, nem no Twitter nem no Facebook, aos questionamentos da página, o que faz com que a equipe tenha que entrar em contato através de seus perfis pessoais e mobilizar outras pessoas para fazer perguntas e obter informações. Ele também reclama que, quando questionada sobre prazos, a empresa dá respostas vagas. Ele critica a demora em esclarecer problemas de avaria e atrasos e denuncia uma situação ainda mais preocupante: a negativa por parte da empresa de que os problemas estão acontecendo. Ele lembra que a situação se torna revoltante visto que os problemas não são pontuais, mas questões diárias que recebem pouca atenção.

"Na época em que criamos a página, o perfil oficial comentava nossos posts, mas talvez porque fomos muito chatos em debater, argumentar e mostrar provas de que as informações passadas não procediam, pararam de nos responder. Não é só com a gente. Eu vejo eles responderem outros grupos de forma esporádica. O perfil no Twitter InformeRJO, por exemplo, de quem somos parceiros, recebe respostas às vezes. Isso é muito diferente da política de outras empresas. O Metrô Rio, por exemplo, costuma responder nossos contatos e costumam interagir conosco. Isso enquanto a Supervia nos baniu do Twitter e mal se preocupa em esclarecer o que perguntamos", diz Vitor. 

Vitor criou a página no Facebook em 2012, tentando dar voz aos usuários. Hoje, ele montou uma equipe de usuários e moderadores que cuidam de um perfil no Twitter, Facebook e Whatsapp e está dividida segundo os ramais dos trens. Eles usam as redes sociais para denunciar problemas, manter os usuários atualizados sobre o que está acontecendo em cada ramal e, claro, entrar em contato com a empresa para saber mais informações e cobrar melhorias. 
Questionada sobre a situação, a Supervia informou que não responder a grupos é parte da "política da empresa" e que se os usuários conseguem se comunicar individualmente, não faria diferença. Para Vitor, porém, faz diferença. 
"Responder diretamente a gente nos torna um canal de mais fácil acesso para os usuários. Seria muito importante esse contato direto e uma forma de melhorar a própria imagem deles e aumentar um vínculo com os usuários. Se por exemplo eles tiverem uma informação mais técnica, podemos repassar isso para os usuários e dar mais credibilidade à eles mesmo, já que pode ter sido um problema que nem foi culpa da concessionária. Quanto mais clara a informação, melhor. Mas não é assim hoje. A maioria reclamação dos seguidores é a falta de informação. Atraso, superlotação existem,  mas o principal é a falta de informação clara, sincera, honesta", completa Vitor. 
"A quantidade de seguidores que a nossa pagina tem é quase a mesma quantidade de seguidores da Page da Supervia, por isso seria muito importante ter um contato transparente para podermos esclarecer dúvidas dos seguidores. Os passageiros não são informados nem pelo áudio das estações do que está acontecendo, ficam sabendo de problemas de avaria, por exemplo, pela nossa pagina ou por outros passageiros", diz Vitor. 
Os bancos finalmente vieram para a Estação Maracanã, o que os usuários acharam?

Rebeca Ferreira, que estuda na UERJ e passa diariamente no local, foi entrevistada para a última reportagem. Ela disse que reparou que logo depois da reportagem ser publicada, e disse que ficou feliz mas que achou poucos bancos. "São uns banquinhos de madeira fajutos, poderiam ser mais modernos. Achei poucos também, mas já é alguma coisa.  Será necessário a imprensa falar de cada pequeno problema para ele ser resolvido?", criticou ela referindo-se ao fato que, depois de meses de reclamações, só depois da matéria sair no JB, bancos foram instalados. 
Rebeca não gosto muito da instalação dos bancos: "Parece que tudo é feito pela metade e sem planejamento, duvido que seja o único erro dessa obra. As pessoas reclamam da cobertura que parece de plástico. É sempre tudo sujo porque eles inauguraram a estação ainda em obra". 
 Na página SVPPC, logo depois da matéria ser publicada, uma foto foi postada falando sobre os bancos. Os comentários do post demonstram o que os usuários pensam: 'Algo tão obvio e a gente tem que cobrar. Não aguento mais essa inércia e irresponsabilidade de governo federal e estadual", disse um usuário. "Meia dizia de bancos para centenas de passageiros passando pela estação", diz outro. 
A página mostra, diariamente, os problemas do sistema de trens. A atualização acontece muito mais de uma vez ao dia, quando os trens apresentam problemas de atraso, superlotação, paradas consideradas erradas, falta de aviso sobre problemas, entre outras centenas de reclamações.
"O valor que a gente paga não condiz com o serviço oferecido, a gente sofre diariamente com atrasos. Não tem um dia que não acontece de não atrasar um ramal. Eu me sinto com um prejuízo porque não vale a pena o serviço do valor da passagem pelo serviço oferecido: trens superlotados, falta de acessibilidade. O investimento de R$ 175 milhões numa estação que foi inaugurada sem banco e tem elevador que não funciona? Não vejo esses R$175 milhões investidos", completa Vitor. 
Vitor disse que, no mesmo dia em que viu que os bancos instalados, ele tirou fotos e fez um post. "Por mais que tenham colocado os bancos, foram poucos, para a demanda da estação. Futuramente essa estação vai receber um número de pessoas maior ainda porque a estação de São Cristóvão vai entrar em obras e vai direcionar pessoas para Maracanã", diz ele. 
A Supervia informou que, por enquanto, o número de bancos é esse. Mas que, se for constatada necessidade de mais bancos, outros serão colocados. 

Jornal do Brasil – 16/10/2014

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