terça-feira, 2 de setembro de 2014

Estações de trem viram pontos de venda e consumo de drogas no Rio de Janeiro

Passageiros denunciam falta de segurança. Em uma dessas estações, traficantes expulsaram funcionários da empresa responsável pelos trens.

As plataformas de 13 estações de trens do Rio de Janeiro se transformaram em pontos de venda e consumo de drogas. Os passageiros denunciam que há muita falta de segurança.

Em uma dessas estações, os funcionários da empresa responsável pelos trens foram expulsos por traficantes.

Nos trens do Rio de Janeiro, só paga passagem quem quer, pelos menos, nas estações onde há buracos. Em um trecho, próximo a Magalhães Bastos, na Zona Oeste, dois homens se arriscam atravessando os trilhos e depois passam pelo espaço aberto no muro.

São 150 acessos clandestinos, segundo a concessionária Supervia. Um prejuízo diário de R$ 128 mil. E não é só passageiro que passa. Usuários de drogas se aproveitam da falta de segurança para permanecer próximos da linha férrea a qualquer hora do dia ou da noite. “Usando maconha e cocaína, isso tudo a gente vê. Tem tantos cracudos na linha, nas estações e ninguém faz nada”, reclama Rosalba Souza, diarista.

Quem anda de trem já sabe: dependendo do ramal ou da estação, quem manda são os traficantes de drogas. Segundo a concessionária que administra as linhas de trens, o tráfico age livremente em, pelo menos, 13 estações. 

Nelas, não há qualquer impedimento para a venda de drogas. Em pelo menos uma dessas estações, a de Tancredo Neves, em Santa Cruz, os funcionários da concessionária foram expulsos da plataforma pelos criminosos.

Quando a equipe do Bom Dia Brasil flagra a venda de drogas do helicóptero, traficantes e usuários se escondem embaixo das instalações da Supervia. Perto, outro grupo caminha bem ao lado da linha férrea.

De acordo com a concessionária, apenas agentes comunitários atuam na estação, e mesmo assim com horário reduzido. De janeiro a julho, foram apreendidos nessa região quase 3 mil sacolés de cocaína e mais de 3,4 mil pedras de crack. “A gente se sente, às vezes, meio ameaçado de alguém querer arrumar algum problema. Por isso que ninguém fala nada. Não tem segurança, a gente acaba também sem poder fazer nada”, afirma Wallace Soares, garçom.

Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social do Rio, a maioria dos usuários permanece no local para o consumo de drogas. A Secretaria diz que oferece acolhimento para os dependentes químicos, mas enfrenta resistência de traficantes e também de usuários.

A Polícia Militar informou que faz operações para combater o tráfico de drogas e outros crimes na linha do trem, com PMs embarcados e com revistas nas estações. No mês passado, 162 pessoas foram levadas para a delegacia.

Mas, para os passageiros dos trens, o clima é de perplexidade e insegurança. “A gente paga o trem para gente ter uma segurança, ter guardas dando informações e protegendo a gente e não tem. Isso é bem complicado”, afirma Fernando Meira, aprendiz.

A concessionária Supervia disse que fecha, em média, quatro passagens clandestinas por mês. E que considera indispensável o isolamento completo da linha férrea.  A empresa e a Secretaria Estadual de Transportes informaram que concluíram um projeto para dar mais segurança aos passageiros e essa proposta vai ser encaminhada ao governo federal.

G1 – 02/09/2014

Comentário do Sinferp

Interessante. A Supervia é empresa privada, que atua por concessão do estado do Rio de Janeiro, e quem precisa cuidar do isolamento completo da linha é o governo federal?

2 comentários:

Anônimo disse...

a concessao privada nao é justamente para melhorar o sistema? esse prejuizo diario de 128 mil R$, acha q fica pro bolso da supervia ou o governo do RJ reembolsa????

SINFERP disse...

Para você ter ideia, quem compra os trens é o governo do Rio de Janeiro. São sempre os contribuintes que pagam tudo, e duas vezes: na tarifa e no financiamento.