terça-feira, 29 de julho de 2014

Trem Regional Paulista fica no papel

Com todas as letras, o Secretário de transportes metropolitanos, Jurandir Fernandes, prometeu que em 2014 teríamos um trem regional para a cidade de Jundiaí. Chegado o ano do mundial de futebol, não temos sequer obras contratadas.
Na sequencia desta linha, viria outra cidade que seria contemplada com o transporte de trens para passageiros: Campinas. O importante município tem pelo menos sete projetos sendo discutidos, mas todos eles estão parados ou em “velocidade reduzida”.
Conheça os projetos
Trem de Alta Velocidade – o primeiro estudo é de 1981, destinado à implantação do trem de alta velocidade, ligando Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas e foi retomado na década de 90, por meio de um acordo de cooperação com a Alemanha. Sob a coordenação do Geipot, o projeto Transcorr estudou todas as alternativas de investimentos. Em 2007, o governo federal incluiu no Programa Nacional de Desestatização (PND). O leilão do trem, em 2010, não atraiu interessados. O projeto foi alterado e não saiu mais da gaveta.
Trem Campinas – Poços de Caldas – com custo estimado em US$ 70 milhões, segundo um estudo de 2003 feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), seria um investimento com uma taxa de retorno, na época, calculada em 30% ao ano (hoje, os custos de capital nos projetos do governo, como a concessão de aeroportos, é de 6%). Não saiu do estágio de estudo
Trem Campinas – Araraquara – estudo do BNDES, esse trem ligaria as duas cidades por 192 quilômetros de ferrovia, cortando a segunda região mais rica do Estado em uma hora e meia. Esse trecho chegou a ser considerado um dos mais viáveis em uma série de possíveis ferrovias para o País. Não saiu do estágio de estudo.
Trem Bandeirantes – previsto para ligar Campinas a São Paulo, saindo do Terminal Barra Funda na Capital, passando por Jundiaí e chegando na estação central de Campinas, com possibilidade de ligação até o aeroporto de Viracopos. Estudo elaborado em 2006 pela espanhola Ineco em parceria com a brasileira Setepla Tecnometal Engenharia apontou que o trem seria viável se o poder público assumisse a infra-estrutura, a parte mais cara do projeto. O custo previsto era de R$ 2,7 bilhões. Não saiu do estágio de estudo
Trem Regional – O trecho São Paulo a Jundiaí, com possibilidade de ser estendido até Campinas, é um dos planejados pelo governo do Estado. Os outros são São Paulo a Sorocaba e São Paulo a Santos. Já foram contratadas empresas para fazer os projetos funcionais. Está em projeto.
Trem Intercidades – projeto a ser executado por meio de parceria público-privada, prevê 431 quilômetros de ferrovia que ligarão Americana a Santos, Taubaté a Sorocaba e que se cruzarão em São Paulo. O custo previsto para interligar a macrometrópole — Campinas, Vale do Paraíba, São Paulo e Santos — está estimado em R$ 20 bilhões, sendo R$ 4 bilhões de recursos públicos. Na eventualidade de o empreendimento atrair o setor privado, todos os estudos e projetos do trem regional entrarão como contrapartida do governo no intercidades. Governo do Estado prevê licitar o projeto ainda neste semestre.
Circuito – trecho entre Campinas, Amparo, Pedreira e Jaguariúna para o transporte de cargas e passageiros. O custo é de R$ 155 milhões para a elaboração do projeto e execução da obra. Há interesse das indústrias dessa região em participar do empreendimento. Continua na gaveta.
“Falta ousadia dos governos para viabilizar a implantação de empreendimentos ferroviários. Falta principalmente vontade política”, afirmou o especialista em transporte Gervásio Solindo.
Ele lembrou o projeto do TAV, por exemplo, foi pensado pela primeira vez em 1981, quando a Empresa de Planejamento de Transportes (Geipot) realizou os primeiros estudos sobre a viabilidade da construção de um sistema ferroviário de alta velocidade para o transporte de passageiros entre Rio de Janeiro e São Paulo.
“Em nenhum lugar do mundo os trens de alta velocidade são empreendimentos privados. Em todos os países são estatais, mas aqui se quis inovar e deu o esperado. Mais um projeto importante foi parar no fundo da gaveta”, afirmou em publicação do jornal Correio Popular de Campinas
O presidente do Núcleo Regional Campinas do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Alan Cury, diz que a grande dificuldade em colocar em prática os projetos férreos está justamente no abandono estratégico de linhas férreas que o Brasil assumiu: “Mesmo tendo enormes cicatrizes rasgando a cidade em todos os sentidos, com raios de curvas favoráveis à implantação de trilhos, eles só terão sentido se fizerem parte de um todo, transportando pessoas de origens a destinos potenciais, de onde poderão baldear de forma ordenada com outros modais, incluindo calçadas e ciclovias”, afirmou.
Segundo Alan, isso significa que esses projetos devem estar integrados a um Plano Diretor Regional de Mobilidade, contemplando o Estado de São Paulo, a região metropolitana e os principais vetores econômicos como Sorocaba-Campinas
Esses sete projetos ferroviários, e outros que virão, são mais que necessários, disse. “São fundamentais a uma cidade que não para de crescer. Não há como vislumbrar o futuro de Campinas, sem que a cidade esteja na vanguarda da mobilidade nacional”, disse.
O presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU), Fábio Bernils, avalia que os projetos hoje engavetados indicam pelo menos que os poderes públicos iniciaram a discussão de outro modelo de transporte de pessoas, uma vez que o modelo existente sobre pneus está cada vez mais saturado, ineficiente e inseguro: “Mas essa iniciativa necessita de um planejamento estratégico para poder de fato acontecer. O que nos deixa apreensivos é como as relações entre essas três esferas de poder (União, Estado e Município) irá se realizar. Até que ponto a política partidária e até mesmo o corporativismo irão comprometer esses projetos”, afirmou
Para Bernils, o trem de alta velocidade, o trem regional e mesmo o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) municipal são projetos de grande importância na ampliação e no novo conceito do aeroporto de Viracopos: “Sem um modelo de transporte sobre trilhos, seja qual for sua velocidade, Viracopos ficará sufocado. Nesse contexto o planejamento estratégico comandado por uma agência ou outro órgão, desde que possibilite a efetiva participação da sociedade civil, é de extrema importância. Tem que haver comprometimento, seriedade e empenho político para realmente fazer acontecer”, disse Bernils.
Renato Lobo 

ViaTrolebus – 28/07/2014

6 comentários:

Paulo Lima disse...

Pra quem acha que só BRT é unica Solução para o Brasil, olhe esse mais um video do BRT Move de BH.

https://www.youtube.com/watch?v=bMfzr0z78N8

Obrigado Sinferp!

Não é atoa que aqui defendemos o VLT.

Paulo Lima disse...

Mais um video:

https://www.youtube.com/watch?v=pVwUWbSgWeE

Sobre o BRT Move de Belo Horizonte.

Absurdo!!!

Olhe meu comentário que deixei no Youtube:

"Pois eih!!! Cadê esses Tais Tecnicos em Mobilidade que só defendem transporte Rodoviário e são anti-ferroviários e os Busólogos(Fãzinhos de ônibus) que só defendem BRTs nas Mobilidades Urbanas, e são anti-VLTs????? Nessa horas somem neh?????

Pessoal não é brincadeira não! Não é atoa que quero fundar uma ONG dedicada só a defesa dos VLTs nas Cidades Brasileiras (não é para combater os ônibus, e para que o VLT também seja uma opção aos ônibus) , tipo: Igual os Cicloativistas que defendem as Ciclovias. Eu por exemplo, quero defender o VLT nas Ruas Brasileiras."

Depois chamam agente de "Fãzinho de VLT". E agora, o que falam esses defensores dos BRTs???

Abraços mais uma vez Sinferp! Temos que fundar uma ONG pela defesa dos VLTs para o País. Igual esses Cicloativistas, defensores dos Animais e até de ONGs que lutam para que as Praias viram de nudismo(rsrsrrs, isso é verdade mesmo).
VLT no Brasil já!!!!! E não é atoa que em Taubaté(SP) está sendo quase inaugurado uma Fábrica, e torço muito para que Cuiabá, Santos e Rio der exemplo nacional, e apague aquele imagem de Curitiba que é exemplar de BRT (porque em Curitiba querem fazer Metrô??? Porque o BRT saturou).
Abraços Sinferp! Temos que levantar essa bandeira.

VLT na Mobilidade Urbana já!!! Parem de penar só no BRT, BRT e BRT senhores Políticos, Técnicos em Mobilidade e Busólogos!

Senhores Ferroviários, Ferrofãs e Ex-ferroviários. Vamos nos unir pela volta dos Trens de passageiros e VLT nas Ruas. Ou seja, temos que parar de ficar só nao cantinho de "mimimi" e deixar acontecendo. Temos que nos unir e mostrar a nossa força e união, e mostrar que não estamos satisfeitos com essas Políticos e Pessoas Massas de Manobras, que só favorecem o Rodoviarismo.

Temos que fazer essa Campanha.

VOLTA DOS TRENS DE PASSAGEIROS JÁ!!!

VLT NAS RUAS E SER DISCUTIDO NA MOBILIDADE URBANA JÁ!!!!

É serio gente, temos que nos unir e lutar com muita força. E parar de ficar só assistindo tudo acontecer.

Abraços Sinferp!!! E principalmente aos meus Amigos Lucas e pregopontocom, que sempre nos apoiaram pelos VLTs. Nao vamos ficarmos quietos não.

Paulo Lima disse...

Olhe esse mais um da Menina de BH,onde ela fala sobre os Problemas do BRT de Belo Horizonte. Tipo, ela não fala atoa só porque não gostou do BRT, ela fala como Usuária do dia do Transporte Púbico. Ou seja, ela viu que esse BRT de BH tem de tudo para não dar certo. E sem falar que dentro das próprias Estações Fechadas, não é seguro e entre Gente Estranha para Assaltar.

https://www.youtube.com/watch?v=uhw8LMQRtwM

Fiquei chocado ao saber a verdade desse BRT.
Dai deixei para ela uma mensagem, se caso ele se interessar, pra ela ver meus videos e deixo o Link do Blog de voçes do "São Paulo Trem Jeito", que estamos sempre defendendo o VLT.

Abraços mais uma vez Sinferp e aos meus Amigos aqui do Blog!

VLT NA MOBILIDADE URBANA JÁ!!!!

VOLTA DOS TRENS DE PASSAGEIROS JÁ!!!

Paulo Lima disse...

Acho que mandei errado da Menina falando do BRT.
É esse Link:

https://www.youtube.com/watch?v=uhw8LMQRtwM

Obrigado mais uma vez!

Lucas disse...

Paulo Lima, tem mais um vídeo da superlotação do BRT Move:

http://glo.bo/WFLgsQ

Esses "especialistas" que você citou, os busólogos ou jornalistas "chapa branca" sempre irão existir. Não adianta. Nos EUA e na Austrália, eles estão sempre falando que VLT é elefante branco, custa muito caro, não sobe colinas etc.

Exemplo: www.cato.org/publications/policy-analysis/rapid-bus-low-cost-high-capacity-transit-system-major-urban-areas

Hoje ouvi um dizendo que o VLT de Minneapolis (EUA) custou tão caro que seria melhor comprar vários Toyota Prius e distribuir para a população que usa o VLT, e que o BRT seria bem melhor em todos os quesitos e bem mais barato. Pra você ver o nível desses caras por lá. Na verdade, eles estão desesperados porque os EUA estão investindo muito em VLTs ultimamente.

O que tem de ser feito é espalhar esses vídeos do MOVE para que a população fique sabendo e não caia na conversa dessa gente. Quanto a BH e outras cidades que já implantaram o BRT, resta esperar que a população se mobilize por melhores condições no transporte, mais ônibus etc; assim como aconteceu em Bogotá. Nesta cidade, o metrô já está em fase de estudos para a implantação.

http://youtu.be/X_HaI-uPzQg

Sobre a ONG que você falou, tem essa aqui, talvez possa ajudar:

http://oscip-amigosdotrem.blogspot.com.br/

SINFERP disse...

Maravilha de vídeo, Lucas. rsrsrs Gratos