domingo, 6 de julho de 2014

Copa, mobilidade e o legado possível

Chegado o tempo do maior evento esportivo de 2014, a Copa do Mundo de Futebol no Brasil traz à tona um importante capítulo do planejamento das cidades: a mobilidade urbana.
Mesmo que metade dos projetos de mobilidade para a Copa tenha ficado apenas no papel, ou atendido somente aos entornos de estádios, não nos falta a oportunidade de cobrar por eles, ainda que não dentro do prazo ideal da competição. Certamente esses projetos de mobilidade – se corrigidos (já que para o Governo Federal foram falhas neles que não permitiram suas execuções) ainda são bastante úteis à população, e para o setor de transportes em especial. Novos VLT – trens urbanos, estações de metrô e corredores específicos de ônibus têm sua importância reconhecida.
Quanto mais alternativas que barrem a crescente de automóveis nas ruas, melhor. Ao fim deste mundial teremos a chance de avaliar se o transporte público foi eficaz conforme o esperado. Acreditamos que sim, porém sabemos o quanto o segmento de transportes pode ser potencializado com a parceria da iniciativa privada. Nesse ponto, o setor de fretamento regularizado e cumpridor da lei tem nada menos que uma frota de 15 mil ônibus, micros ônibus e similares no Estado de São Paulo pronta a atender as demandas de passageiros que cada vez crescem mais, seja para ir ao trabalho, à escola ou mesmo para o passeio de fim de semana, e para acontecimentos grandiosos como a Copa.
A previsão do Ministério do Turismo é de que 600 mil turistas estrangeiros estarão por aqui neste período. Para conhecer melhor o Brasil, eles devem engrossar dados como estes de 2012, que apontam a preferência de 71% das pessoas que viajaram pelo país pelo transporte rodoviário, segundo dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O transporte regular de pessoas por fretamento também é saída eficaz na mobilidade urbana, tanto que ganhou destaque aos olhos do Banco Mundial – órgão ligado à ONU – Organização das Nações Unidas.
Há cerca de 10 meses um programa piloto do banco vem sendo aplicado em conjunto com dez grandes empresas ‘da Berrini’, a famosa área de executivos na zona Sul de São Paulo. Sediadas na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, essas empresas foram convidadas a incentivar seus funcionários a deixarem em casa carros particulares – uma experiência similar a adotada nos Estados Unidos, que buscou na iniciativa privada parte da solução para o problema da mobilidade.
Resultado paulista: entre outros meios de chegar ao trabalho, destacou-se o fretamento, com um aumento de adesão em 4% até agora. Há menos de um ano, 6% dos trabalhadores dessas empresas utilizam os ônibus de fretamento. Hoje, são 10%. Mesmo que nem todos os trabalhadores relatem diminuição de tempo no trajeto, todos os que passaram a usar o fretamento celebraram a melhora na qualidade de vida: o stress do trânsito hoje se converteu em tempo para descansar ou ler durante o caminho.
O fretamento é uma das bem sucedidas alternativas do programa, que junto com as demais, como incentivo ao transporte público, resultou até o momento em uma redução de 3% entre os usuários de carro (eram 53%, passaram a 50% e a tendência é diminuir ainda mais esses números) e numa melhor fluidez no trânsito nos horários de pico da região. Iniciativas como esta mostram que um novo olhar do poder público e iniciativa privada sobre fretamento é possível, e benéfico, sobretudo em grandes cidades. As que ainda não têm trânsito intenso ganham mais uma competente forma de evitá-lo, e as que têm, de diminuí-lo.
*Regina Rocha é diretora executiva da FRESP (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo).

O Debate – 05/07/2014

6 comentários:

Pregopontocom@tudo disse...

Conversando aqui na boa terra com um(a) técnico(a) especialista em transportes e trânsito com doutorado,pós graduação e uma experiência de mais de 30 anos no setor,fiz a seguinte pergunta: Porque administração pública municipal ao invés de gastar R$900 bi num corredor segregado de BRT destruindo 545 arvores,um canteiro central inteiro de uma avenida(uma das mais arborizadas de Salvador)além de canalizar mais um córrego urbano o que certamente provocara mais enxoradas e alagamentos nos dias de chuvas,não investe em um projeto mais barato simplesmente criando uma faixa exclusiva(até mesmo para o uso dos ditos articulados) ao lado direito das vias com fiscalização eletrônica e presencial e de quebra eliminando uma faixa para os veículos particulares ,os chamados transportes individuais,...Resposta: porque falta coragem,determinação e certamente isso não renderia votos de uma determinada camada da população...muito pelo contrário...... Será que ta explicado????......

SINFERP disse...

Acreditamos que não está explicado, não. Pelo menos nisso o Haddad deu uma bola dentro: simplesmente reservou uma faixa em grandes ruas e avenidas para uso exclusivo de ônibus. Corredor para ônibus e BRT é sinônimo de obras e mais obras. É máquina para gerar dinheiro para construtoras, empreiteiras e, é claro, para os "parceiros públicos".

Anônimo disse...

não podemos ser radicais a ponto de achar que corredores de onibus sao inuteis. todos os modais de transporte devem se completar, e nao um competir com o outro. pelo menos aqui em SP, falta levar mais transporte sobre trilhos para regioes que carecem desse tipo de transporte, mas nem por isso devemos rejeitar os onibus.

SINFERP disse...

Não há rejeição aos ônibus, Anônimo. O problema é que são empregados onde os meios de transporte sobre trilhos prestariam um serviço infinitamente melhor. Agora, se é para investir dinheiro público na construção de corredores de ônibus (BRTs), melhor em todos os sentidos investir em corredores para VLTs. Afora esses motivos, cabe lembrar que este blog não se propõe a ser isento: defende transporte sobre trilhos.

Paulo Lima disse...

Ou seja, vai passar a Copa, e nada vai mudar. O que o Governo fez, e só "maquiar" o Transporte, para enganar os Gringos dizendo que o nosso transporte é de 1º mundo.
E outra, aquela Linha Expressa da CPTM que liga a Estação Barra Funda a segue até o Estádio Novo. Com certeza só será provisória para Copa, depois que acabar volta tudo ao normal, e tiraram aquela linha. E outra, é um absurdo o Metrô de SP ter só 75,5 KM total, enquanto a Cidade do México que também começou a implantar o Metrô na mesma ápoca, já tema mais de 250 KM total. Ou seja, mais uma vergonha para o nosso País.
E os Trens da CPTM também. Por exemplo, a Linha que segue até Amador Bueno, já deveria ser estendido até São Roque(SP), a outra Linha da CPTM que vai até Mogi das Cruzes(ultima Estação Estudantes), deveria ir até Guararema(SP). E a Linha 7 Rubi que vai até Jundiaí(uma das maiores linha da CPTM), deveria ir até Campinas(SP). Mais se mostrar essas ideias para CPTM e para o Jurandir Fernandes. Eles vão dizer que "Está em Estudo", ahh tá, faz mais de 10 anos que prometem a Expanção da CPTM. Eles não tem interesse de levar adiante trens da CPTM. Desconfio que tem Lobby das Empresas de ônibus que são maiores doadoras de Campanhas a Políticos. Principalmente aqui na Região de Campinas, onde tem um Monopólio só do Sr Berlanino. Que é dono da Cometa, Cristália, Viação Lira, Bonavita, Rápido Luxo, Viação Piracicabana, Ouro Verde e outras Empresas, que ele é Dono só aqui da Região de Campinas. Com certeza, nem nos próximos 30 anos, a Região de Campinas nunca vai ter Trens nenhum de passageiros e nem VLT. Esquece!!! Eh triste, mais fazer o quê....

SINFERP disse...

Continuar lutando, Paulo Lima. Infelizmente não há muito mais que possa ser feito.