quinta-feira, 3 de julho de 2014

A demissão de um ferroviário que ousou contestar os poderosos sindicatos

O ferroviário Heliano dos Santos Rocha foi demitido pela CPTM em 18 de junho.  Um ato administrativo de rotina? Não.

Heliano, com 39 anos de idade, recém formado em engenharia civil, com 16 desses anos dedicados à empresa, nunca teve nem mesmo uma advertência verbal registrada em seu histórico. Ingressou por concurso como agente de segurança, e nos 4 últimos anos atuava como encarregado de estação, ultimamente na Vila Olímpia.

O motivo alegado para a sua dispensa foi “baixa produtividade”, que surpreendeu seus chefes imediatos, pois nunca apontaram nada parecido a isso em suas avaliações de desempenho, e também eles tomados de surpresa com a decisão que certamente “veio de cima”.

Por que, porém, e passando por cima da hierarquia, alguém “de cima” resolve interessar-se pela produtividade de um determinado encarregado de estação?

Para seus colegas não há nenhuma dúvida de que a medida tem motivação política. Um delegado sindical disse a alguns ferroviários que a demissão teve por motivo Heliano participar do Movimento Livre.

Movimento Livre, como o próprio nome sugere, foi um movimento espontâneo de ferroviários inconformados com o centralismo, a desinformação e a desmobilização que pautaram as ações dos três sindicatos de ferroviários no decorrer do processo negocial do ano em curso. O Movimento Livre, portanto, insurgia-se contra as práticas dos sindicatos, e não contra a CPTM.

Para corroborar com a hipótese do caráter persecutório da demissão, surge mais um fato. Em reunião formal dentro de um sindicato, um dirigente sindical fala aos presentes sobre uma “lista de demissões”, cita nomes, e ainda sugere que essas pessoas deveriam obter licença médica antes do dia 4 de julho, para evitar as medidas “da empresa”.

Não por acaso, todos os citados participaram do Movimento Livre, ou publicamente se manifestaram contra medidas arbitrárias ou mesmo truculentas dos sindicatos de ferroviários. Heliano, por exemplo, manifestou-se contra posturas de dirigentes do Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana, em assembleia aberta realizada na estação Julio Prestes.

Há “listinha”, portanto, de conhecimento dos sindicatos, e que acreditam fazer um enorme “favor” ao divulgá-la dentre os que nela constam. Posicionar-se contra isso, nem pensar. Motivo? A “lista” visa, pelas mãos arbitrárias da CPTM, “limpar a área” dos que podem representar ameaça aos sindicatos, e não à empresa.

Enquanto este texto é publicado chegam informações de mais algumas demissões. A esperar, agora, que tenham a mesma coragem de Heliano. 

5 comentários:

Paulo Lima disse...

As vezes, é melhor agente ficar calado. Porque se falarmos a verdade ou desmascara jogos sujos que vivem escondendo. Podemos ser perseguidos,punido, banido, expulso e até ser morto. Por isso que agente em todo lugar na vida, temos que tomar cuidado de quem agente fala e de onde agente mexe onde não pode.
Acredito, que seja por isso que os Prefeitos de Campinas(SP) O Toninho do PT assassinado em 2001, e o Celso Daniel de Santo André(SP) morto em 2002. Foram raptados e mortos, porque com certeza eles estavam denunciando e tentando desmascarar os "Jogos Sujos e Imundos de Mafiosos" que deve-se ter por trás das Prefeituras, Empresas Contratadas nas Licitações e nos Partidos Políticos. Estamos cientes, que se agente arriscar de denunciar as "imundices", somos eliminados a bala.
O outro Exemplo, é o Blogueiro Ricardo Gama que quase foi morteo a tiros, só porque ele tem sua conta do Youtube fazendo diversas denúncias contra máfia política.
E outra Blogueiro chamado "João Revolta" que teve seu Canal do Youtube chamado "TV Revolta" que foi apagado pelo Google(a mando de políticos) e ele fez um vídeo denunciando que está sofrendo ameaças de Morte.
E outra, porque o Joaquim Barbosa teve que deixar mais cedo o STF??? Estranho....

Éssa é a realidade braseira que as vezes é perigoso tocar nesse assunto. O exemplo mais ou menos, é dessa notícia ai que um Rapaz foi fazer uma denúncia , foi mandado embora, e com certeza ele deve está sendo perseguido! Não é fácil colocarmos a nossa vida em risco.

Alexander Silva disse...

A Ditadura nunca acabou...

SINFERP disse...

Não mesmo. A ditadura apenas mudou as formas de repressão. Hoje demite, ou faz uso da polícia (subordinada ao governo) para abrir inquéritos e mais inquéritos, que se transformam em processos, e que acabam com a tranquilidade dos desafetos.

carlison disse...

essa postura a CPTM jamais poderia assumir diante de sindicatos que se dizem representantes dos funcionários. e um sindicato serio não deveria mandar caçar pessoas que não aceitam as negociatas que fazem sem o conhecimento da categoria e se reúnem para terem mais força para poderem cobrar transparência das entidades que se dizem representantes da categoria.

SINFERP disse...

Nunca pensamos que a situação na CPTM chegasse a esse ponto, não é Carlison?