terça-feira, 24 de junho de 2014

Sem licitação, Metrô renova por R$ 48 milhões em serviço de manutenção no DF

foto Lucas Nanini
Consórcio contratado é investigado pelo Cade por participar de cartel no DF. Empresa afirma que não teve tempo hábil para concluir edital de licitação.

O Metrô do Distrito Federal fechou, pela segunda vez, contrato emergencial com o Consórcio Metroman para realização dos serviços de manutenção preventiva e corretiva do sistema para o período de seis meses. A contratação, de R$ 48 milhões, foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (24).

O consórcio, formado pelas empresas Serveng-Civilsan e MGE, é investigado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por suspeita de formação de cartel com a Alstom para as obras de manutenção do Metrô de São Paulo e do DF. Até o início de 2013, o consórcio era formado pelas empresas Siemens e Serveng-Civilsan.

O primeiro contrato sem licitação entre o Metrô e a Metroman foi fechado em novembro do ano passado por R$ 43 milhões. À época, a então presidente da companhia, Ivelise Longhi, justificou o contrato emergencial à falta de tempo hábil para conclusão do edital de licitação para contratação de outra empresa. A Metroman já era responsável pelo serviço de manutenção do sistema desde 2007. O primeiro contrato venceu em setembro do ano passado.

Qualquer outra [empresa de manutenção] que contratássemos estaria sob investigação de cartel. Não há nenhuma que não esteja sendo investigada."

diretor de operação e manutenção do Metrô-DF, Fernando Sollero
O diretor de operação e manutenção do Metrô, Fernando Sollero, também alegou falta de tempo como justificativa para renovar o contrato com a Metroman desta vez. Segundo ele, mesmo seis meses depois do início do primeiro contrato emergencial, as sucessivas exigências dos órgãos de controle impediram a conclusão do edital antes que o contrato vigente chegasse ao fim.

No ano passado, o Tribunal de Contas apontou problemas no edital de licitação do Metrô como sobrepreço de 40%, restrição à competitividade e falta de detalhes nos custos com pessoal.

Segundo o diretor, a companhia fez uma cotação com as cinco maiores empresas de manutenção de trens do país – Alstom, CAF, Bombardier, Siemens e Metroman. "Cotamos com as empresas para ver quem estaria disponível para executar o [contrato] emergencial", disse. "A Metroman ofereceu o melhor preço."

No ano passado, no entanto, Ivelise afirmou que não encontrou interessados em disputar o serviço. “Três empresas abriram mão de apresentar preços e uma disse que não tinha interesse em ficar no Brasil”, afirmou. “A empresa já instalada, a Metroman, apresentou o menor valor.”

Sollero afirma que, caso o serviço não fosse renovado com a Metroman, seria impossível contratar uma empresa que não fosse investigada pelo Cade. "Qualquer outra que contratássemos estaria sob investigação de cartel. Não há nenhuma que não esteja sendo investigada."

O diretor diz ainda que mesmo após a conclusão do edital, prevista para ficar pronta em 30 dias, as mesmas empresas investigadas pelo Cade vão participar do certame pois são as mais aptas a executar o serviço.

Sobre o aumento no preço do contrato anterior (R$ 43 milhões) para o atual (R$ 48 milhões), Sollero atribuiu ao aumento salarial de 10% que os empregados receberam em maio. Segundo ele, a mão de obra é responsável por 70% a 80% do valor total do contrato.

Investigação

Relatório do Cade, baseado em depoimentos de seis executivos da empresa alemã Siemens, revela que o esquema ocorreu entre 1998 e 2007, durante os governos de Joaquim Roriz, então no PMDB, e de José Roberto Arruda, à época no DEM. O conselho relata que empresas faziam reuniões secretas para dividir projetos e acertar que não haveria competição entre elas.

As investigações tiveram início em janeiro do ano passado, depois que executivos da Siemens entregaram documentos denunciando um suposto esquema de cartel nos metrôs de São Paulo e do Distrito Federal.

No ano passado, os nomes do vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli (PMDB), e do ex-governador José Roberto Arruda (PR) foram citados em investigações sobre formação de cartel em licitações do setor metroferroviário feitas entre 1998 e 2008.

De acordo com reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo”, Everton Rheinheimer, ex-diretor da Siemens, disse ao Cade que Filippelli e Arruda tinham envolvimento com a empresa MGE Transportes, que faz parte do Consórcio Metroman.

O vice-governador do DF, Tadeu Filippelli, negou na época conhecer ou ter qualquer tipo de contato com o autor da denúncia ou com a MGE. O advogado de Arruda disse que a apresentação das propostas foi feita no governo anterior, de Joaquim Roriz. O ex-governador Roriz também disse desconhecer a denúncia.

A assessoria da Serveng-Civilsan informou que a atuação da empresa é pautada no cumprimento à lei e que prestaria todos os esclarecimentos ao Cade.


G1 – Isabella Formiga -24/06/2014

4 comentários:

Paulo Lima disse...

Enquanto isso, nem se quer foi licitado o VLT de Brasília, que iria ligar o Aeroporto, setores Hoteleiros e chegando até o Estádio e possivelmente até a Rodoviária.
Dar para perceber , que o Governo do DF está de implicância com o Projeto que era do Arruda, e não quer dar continuidade de proposito nem mesmo a justiça tedo liberado o Projeto após as denuncias de fraudes há 5 anos atrás.
E o que preocupa, e que o governador está construindo vários KMs de BRTs pelo DF, e pelo que me parece um dos trechos que previa a passagem do VLT, meteram concreto para o BRT. Pode isso???
Pelo menos, um elevado para melhoria do transito, foi inaugurado e dizem que está prevista a passagem do VLT(pelo menos deixaram espaço) e uma Central de abastecimento de Energia do DF que foi inaugurada, dizem que está preparada para carregar energia ao futuro VLT. Vamos ver...
E outra, dizem que o Projeto está a espera pelo financiamento pelo PAC da Mobilidade, ou seja, não se espere muito porque demora até anos para aprovar, e muitas vezes o VLT pode passar para BRT, só porque o PAC da Mobilidade não aprovou recursos para VLT.
Quando falam que "está a espera na aprovação pelo PAC", já sei que vai demorar até 2 anos para aprovar. As vezes nem é as obras, e sim o início dos Projeto para ser feito no papel.
Não sei qual opinião de vocês Sinferp e aos Amigos do Blog a respeito desse VLT de Brasília??? No meu ver, tenho 30% de esperanças, e 70% já sem esperanças. Ou seja, para esse atual Governo do DF, esquece por enquanto o VLT.

SINFERP disse...

Tudo no DF termina em escândalo. O problema do VLT é que compete diretamente com o mundo dos pneus, que é poderoso desde a década de 50. O dinheiro do PAC é o mesmo. Quanto aos VLTs, só começamos a acreditar quando as obras estão em andamento.

Anônimo disse...

metroman? seria um novo super heroi? rsrsrs

mas falado serio, quem sao as empresas que integram o capital dessa metroman? devem ser fortes, porque para passar a perna em CAF, siemens, alston e bombardier, tem que ter bala na agulha.

SINFERP disse...

São as de costume, Anônimo: Serveng-Civilsan S.A Empresas Associadas de Engenharia e MGE-Equipamentos e Serviços Ltda