sexta-feira, 13 de junho de 2014

Polícia apura se negligência causou queda de viga do monotrilho em SP

foto Renato S. Cerqueira
Delegado também vai apurar se ferro que sustentava viga se rompeu. Acidente matou operário e feriu outros dois na segunda-feira (9).

A Polícia Civil de São Paulo investiga três hipóteses para tentar explicar as causas da queda de uma viga da obra do monotrilho, que matou um operário e feriu outros dois na tarde de segunda-feira (9) na Zona Sul da capital. O delegado Marcos Gomes de Moura, titular do 27º Distrito Policial, Campo Belo, informou nesta terça-feira (10) ao G1 que também será apurada eventual responsabilidade pelo acidente com morte e lesões.

O caso foi registrado como homicídio e lesão corporal culposos (sem intenção). A investigação quer saber se houve imperícia, imprudência ou negligência na colocação da estrutura de cerca de 90 toneladas que despencou.

Desde segunda-feira, a Defesa Civil interdita por tempo indeterminado um trecho de 300 metros de distância da obra onde ocorreu o acidente. A liberação só ocorrerá após a retirada da viga que despencou.

Apesar disso, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) vai interditar parte da obra por risco de acidente do trabalho, segundo informou a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP). Em novembro, um ponto da obra também tinha sido interditado por causa da queda de vergalhões.

O Ministério Publico Estadual (MPE) vai instaurar inquérito para para apurar a situação da obra.

A peça do monotrilho que despendou estava sustentada por duas colunas a mais de 20 metros de altura. Três operários estavam sobre ela. A viga caiu por volta das 16h50 sobre a Rua Vieira de Morais, na esquina da Avenida Washington Luiz. Essas vias estavam abertas para o trânsito de veículos no momento do acidente, mas nenhum auto foi atingido. O local também é perto do Aeroporto de Congonhas.

A Avenida Washignton Luís ficou interditada das 16h30 de segunda até 9h30 de terça. A Rua Vieira de Morais continuava interditada às 13h50 desta terça-feira por causa da viga que bloqueia totalmente a via e ainda não tem previsão para ser retirada, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Polícia Civil

“Tenho informação preliminar e não oficial de que parte do ferro que dava sustentação à viga se rompeu, mas isso ainda precisa ser apurado”, disse o delegado Moura, do 27º DP, nesta terça-feira (10) ao G1. “Em tese, como o crime que está sendo apurado é culposo, sem intenção de provoca-lo, cabe a polícia investigar se houve imperícia, imprudência ou negligência na execução da peça que caiu”.

Entre as questões que o delegado quer saber, estão, por exemplo, qual o tipo de material foi empregado na estrutura da viga, se a peça foi colocada corretamente, como foi encaixada e quem realizou esse procedimento. “Mas para isso precisamos ter noção de engenharia. Nesse caso, a investigação vai depender mesmo dos laudos técnicos que serão feitos pela Polícia Técnico-Científica”.

Imagens de uma câmera de segurança gravaram o momento da queda da viga da obra do monotrilho da Linha 17-Ouro do Metrô.

Operário morto

Segundo a investigação, outros operários teriam visto o momento em que um lado da viga se movimenta sobre uma coluna, se deslocando e caindo primeiro. Depois, o outro lado da viga onde estavam operários teria deslizado, atingindo Juraci Cunha dos Santos, de 27 anos. Ele fazia ajustes na viga e ficou prensado entre com a pilastra, morrendo no local. A vítima fatal era do Piauí (PI) e trabalhava havia um ano na empresa. Seu corpo foi levado ao estado onde ele nasceu para ser enterrado, informou o SPTV.

Em nota, o Metrô informou que “lamenta o acidente ocorrido na obra do monotrilho da Linha 17” e acrescentou que vai exigir do consórcio responsável pelo serviço “uma rápida apuração sobre as causas da ocorrência”.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) se solidarizou com os parentes da vítima pelo Twitter. "Lamento a morte do Juraci Cunha do Santos, ocorrida hoje na queda de uma viga nas obras da linha 17. Toda nossa solidariedade à família", escreveu na segunda-feira.

O Consórcio Monotrilho Integração, responsável pela construção da obra, lamentou a morte de Juraci. Por meio de nota, informou que os trabalhadores ajustavam a viga quando a peça caiu. Ainda divulgou que “uma perícia será feita no local paraidentificar as causas do acidente”.

O grupo informou nesta terça-feira que espera a presença dos peritos. Uma viga foi retirada por motivos de segurança no trabalho feito durante a noite. A pilastra que despendou ainda precisa ser retirada.

Operários feridos

Os dois operários feridos no acidente são Carlos Vieira de Souza e Manoel Cristiano da Silva. Eles também estavam em cima da viga no momento que ela despendou. Um deles ficou pendurado. Carlos teria sido levado ao Hospital Saboya, e Silva para o Hospital da Luz. As unidades médicas ficam na Zona Sul. Segundo os bombeiros, os dois machucados estavam em estado grave.

O consórcio informou que esses funcionários que se feriram no acidente foram socorridos, mas não correm risco de morte. “Nesse momento o consórcio responsável pela obra se solidariza com as famílias e prestará todo o suporte necessário às mesmas", diz a nota.

Defesa Civil

Segundo Jair Paca de Lima, coordenador municipal da Defesa Civil, um trecho de 300 metros da obra onde ocorreu o acidente está interditado desde a tarde de segunda-feira e continuará por tempo indeterminado. “Foi interditado emergencialmente porque a viga continua bloqueando a rua e também precisa se retirada", disse Lima.

Uma locadora de carros ao lado do local do acidente também foi interditada pela Defesa Civil após ter a estrutura abalada.  O impacto da queda da viga provocou rachaduras no subsolo. “Deve ter sido um problema técnico”, disse o coordenador sobre uma das prováveis causas do acidente que serão apuradas pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Técnico-Científica.

Ministério do Trabalho e Emprego

O Ministério do Trabalho e Emprego irá interditar o trecho da obra onde ocorreu o acidente, segundo informou o superintendente Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP), Luiz Antônio Medeiros.

“Dois auditores do MTE vão interditar por tempo indeterminado parte da obra por casua do risco de acidente do Trabalho e porque é a segunda vez que tem acidente na obra do Monotrilho. Na primeira vez caíram vergalhões, mas felizmente ninguém se feriu", disse Medeiros sobre a interdição de trecho da obra feita em novembro, quando havia risco de desabamento de uma viga da mesma linha 17 na altura da Avenida Jornalista Roberto Marinho.

"Era para ter acidente zero e um negócio desse não pode cair", disse Medeiros, que quer fazer a interdição nesta tarde. "A obra só será liberada após laudos e fiscais garantirem as medidas de segurança que serão feitas pelo MTE".


Ministério Público Estadual

O Ministério Público Estadual vai instaurar inquérito para apurar a situação da obra, se ela oferece segurança ou não. "O MPE vai pedir um laudo para atestar isso", disse o promotor de Habitação e Urbanismo, José Carlos de Freitas. "Se o laudo não apontar deficiência, ok, mas se apontar, poderá ser pedida a paralisação da obra".

Ministério Público do Trabalho

Procurada para comentar o assunto, a assessoria do Ministério Público do Trabalho (MPT), órgão responsável por receber denúncias e fiscalizar questões trabalhistas, não respondeu aos pedidos do G1 até a publicação desta matéria.

Monotrilho

O Consórcio Montrilho Integração é formado pelas empresas Andrade Gutierrez, CR Almeida, Scomi Engineering e MPE Montagens e Projetos Especiais. O monotrilho é uma espécie de trem elevado, que transita num único trilho. Durante seu anúncio, foi cogitada a possíbilidade de a obra ser entregue durante a Copa do Mundo, mas devido a atrasos não ficou pronta neste ano.

A linha 17 do monotrilho terá 18 km de extensão e ligará os bairros do Morumbi e Jabaquara, passando pelo Aeroporto de Congonhas. O primeiro trecho deverá ter 7,7 km e contará com as estações Jardim Aeroporto, Congonhas, Brooklin, Vereador José Diniz, Água Espraiada, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Morumbi.


G1 – Kleber Tomaz - 10/06/2014

Nenhum comentário: