segunda-feira, 23 de junho de 2014

Moradores de Santa Teresa (RJ) desconfiam de reforma do bondinho

A reforma dos bondinhos de Santa Teresa, prevista para agosto deste ano, é esperada com algum temor e desconfiança pelos moradores do bairro. Uma frase – o morador sempre teve amor ao bonde, é o nosso metrô – sintetiza o sentimento da comunidade, que se preocupa principalmente com a qualidade dos novos veículos e com as estrutura que está sendo implantada para a circulação dos carros.

A reestruturação do sistema parece estar atrasada, com muitos canteiros de obras espalhados pelo bairro, dizem os moradores. Segundo o diretor da Associação dos Moradores de Santa Teresa (Amast), Álvaro Braga, existe um certo receio quanto a questões não esclarecidas pelo governo, como a substituição dos dormentes de madeira por lajes de concreto. “Estamos muito preocupados com a qualidade das obras, principalmente os trilhos, que estão sendo colocados com uma técnica nova, sendo fixados com parafusos nessa laje."

De acordo com Braga. isso pode dificultar, por exemplo, a descoberta da origem de determinados vazamentos de água, já que a laje vai impedir o acesso ao subsolo. "Santa Teresa fica a 90 metros de altitude e tem muitas ruas que são de encosta. Isso gera muito medo aos moradores, porque possíveis vazamentos podem prejudicar a estrutura dos imóveis”, ressaltou.

O governo do estado informa que o primeiro trecho a entrar em operação abrange as ruas Joaquim Murtinho e Francisco Muratori até o Curvelo e tem cerca de 1,3 quilômetro de extensão. Até o fim do ano, 14 novos bondes deverão ser entregues, representando investimento total de cerca de R$ 100 milhões.

Inicialmente, o tradicional meio de transporte de Santa Teresa seria devolvido à população em junho deste ano, mas a entrega acabou sendo adiada para o início do segundo semestre. Após exatos três anos, o bairro terá de volta os bondes, parados desde agosto de 2011, quando um deles descarrilou. No acidente, seis pessoas morreram, incluindo o motorneiro, e 50 ficaram feridas.

“Nos pequenos trechos que vão ficando prontos, as calçadas não têm mais meio-fio, a rua está mais alta do que a calçada, colocando a vida das pessoas em risco. Outra grande preocupação é com os novos bondes. A empresa que está cuidado da construção deles [TTrans] foi a responsável por bondes entregues em 2006. Após o acidente, as autoridades condenaram esses bondes. Nós temos o direito de suspeitar dos novos bondes e de exigir mais transparência da Secretaria de Estado da Casa Civil”, afirmou Braga.

Para ele, o bonde não pode ser transformado em algo puramente turístico. “O turista é muito bem-vindo, mas queremos um transporte de qualidade, porque ele é exatamente isso: um meio de transporte público. O bonde é patrimônio histórico e afetivo da população. Existe metrô turístico?”, questionou o representante dos moradores do bairro.

O governo do Rio informou, em nota, que entregará um sistema reestruturado de bondes, “substituídos integralmente por modelos originais do sistema, assim como a rede aérea, em aproximadamente 10,5 quilômetros de traçado”. Segundo a nota, a subestação de energia, a oficina e as paradas serão reformadas e as operações no trecho entre as estações Dois Irmãos e Silvestre, restabelecidas.

A nota diz ainda que as concessionárias de serviços públicos também estão fazendo a troca dos sistemas de água, gás e drenagem para melhor atender aos moradores. Um dos bondes já está pronto e passa por testes na fábrica da TTrans, em Três Rios, no centro-sul fluminense e dois estão em fase de montagem. Os demais ainda entrarão na linha de produção.

Agência Brasil – Nádia Franco – 20/06/2014


2 comentários:

Thiago nunes viana disse...

bom, até onde sei o sistema de fixação dos trilhos em laje é melhor que o uso de dormentes, mas o problema em detectar vazamentos de água pode levar a tragédia a não ser que as redes de água/luz/gas/outras tenham sido devidamente remanejadas para fora da área imediatamente abaixo dos trilhos e galerias convenientemente projetadas tenham sido construidas afim de se permitir a troca de tubulações sem ter de escavar embaixo da linha de trem.... Agora uma coisa que me deixou com dúvidas foi o impácto que a redução de 200 quilos no peso do carro tem no sistema de frenagem (ao que me parece os trens dependem de um "peso mínimo" pra poderem desenvolver a máxima taxa de aceleração/desaceleração). Será que ouve alguma compensação em termos de mudança do coeficiente de atrito (seja na utilização de outras ligas nas rodas, seja na utilização de injetores de areia no caso de haver uma frenagem de emergência)ou essa compensação não é necessária? só acho que o "uso indiscriminado da lage", além do histórico das empresas envolvidas não é a única questão que merece ser esclarecida... ( aqui fala sobre a redução de peso nos carros: http://saopaulotremjeito.blogspot.com.br/2014/04/fabrica-comeca-testar-o-novo-bonde-de.html )

SINFERP disse...

Não temos respostas para as suas indagações, Thiago, mas talvez algum visitante tenha. O que se sabe é que já houve problema com a mesma empresa que está modernizando. Especialistas portugueses, que a época de famoso acidente visitaram os bondes de Santa Teresa, disseram que ele havia adotado trucks de trens.