sábado, 21 de junho de 2014

Governo de Minas (MG) abre prazo de propostas para implantar transporte público sobre trilhos do centro ao aeroporto

O governo de Minas lança nesta quarta um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para a criação de projeto de transporte metropolitano sobre trilhos que ligará o centro de Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana da capital. O procedimento possibilita uma consulta geral em que todos os interessados – iniciativa privada, centros de pesquisa e universidades – podem apresentar sugestões de modelos que tenham o melhor custo-benefício. Especialistas ouvidos por O TEMPO destacam o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o monotrilho como as melhores opções para o trecho. O PMI terá uma duração de 120 dias, e, ao fim desse prazo, o governo escolherá a melhor proposta de modal e traçado para o trecho.

O especialista em engenharia de transporte e trânsito Márcio Aguiar explica que o trecho não comporta o metrô porque é um ponto de demanda média. “Nesses casos, temos o VLT e o monotrilho. Os dois têm um custo aproximado e suportam a demanda da região. A principal diferença é que o monotrilho é suspenso e não altera o trânsito que já existe”, revela o engenheiro.

Aguiar acredita que, nesse caso, o monotrilho traria mais benefícios, já que é suspenso e sua capacidade pode ser alterada de acordo com a demanda. “Nesse tipo de transporte, o número de vagões pode variar, alterando sua capacidade. Podemos trabalhar em Belo Horizonte com carregamento menor. O monotrilho é um sistema igual ao trem. Cada módulo pode carregar quase mil passageiros”, avaliou.

Os custos, segundo ele, variam bastante. Para a instalação do monotrilho, seriam gastos aproximadamente R$150 milhões por quilômetro, enquanto o do VLT – que é mais barato – ficaria em R$ 100 milhões. No quesito rapidez, os dois modelos estão muito próximos, chegando a uma velocidade média de 80 km/h.

Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em planejamento de transporte urbano Dimas Alberto Gazzola, os dois modelos são opções viáveis, mas o VLT é mais barato e, como não existem tantas ocupações urbanas no trecho, é uma opção melhor que o monotrilho. “O monotrilho é um exagero para a região. É uma distância muito grande para uma demanda relativamente pequena”, afirma.

Uma sugestão do professor Marcio Aguiar é montar uma linha de monotrilho que saia da Lagoinha – onde pode convergir com o BRT e o metrô da capital – e que passe por cima do canteiro central da avenida Pedro II, passando pela Pampulha e indo até Confins.
Lançamento
Evento. O Projeto de Manifestação de Interesse (PMI) para o transporte será lançado pelo governador Alberto Pinto Coelho, nesta quarta, às 11h, no Palácio Tiradentes, na Cidade Administrativa.
Outros projetos
Contagem/Betim.  Os levantamentos para a implantação de um transporte de passageiros sobre trilhos entre Betim e Contagem, na região metropolitana da capital, estão previstos para começar ainda neste ano. No último sábado, a empresa Trem Metropolitano de Belo Horizonte (Metrominas), ligada à Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), publicou aviso de licitação para a contratação de estudos de engenharia para fazer o projeto executivo.

Linha. A ideia é usar uma linha ferroviária que já existe entre as duas cidades e que liga os bairros Jardim das Alterosas, em Betim, e Eldorado, em Contagem. A obra faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, destinado à mobilidade urbana.

Trem. Existe também o projeto Trem (Transporte Sobre Trilhos Metropolitano), que prevê a reativação ferroviária e a operação do serviço de transporte de passageiros em parte dos 500 km de trilhos existentes na região metropolitana e no entorno.

Lotes. O projeto Trem é dividido em três lotes. O primeiro liga as cidades de Divinópolis, Betim, Belo Horizonte e Sete Lagoas. Já o segundo passa por Belo Horizonte, Brumadinho, São Sebastião das Águas Claras (Nova Lima) e Eldorado. O terceiro abrange Belo Horizonte, Nova Lima, Conselheiro Lafaiete e Ouro Preto.

Andamento. O projeto foi apresentado em 2011 e é de responsabilidade da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana. A reportagem de O TEMPO tentou entrar em contato com a agência para saber mais detalhes sobre o andamento do estudo, mas não conseguiu falar com os responsáveis.

Veículos suspensos são opção

O professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Dimas Gazzola afirma que, se a demanda for exclusivamente para usuários do aeroporto, outra opção seria um sistema com carros suspensos sobre trilhos.

Segundo ele, cada veículo suportaria seis passageiros e passaria pelas estações a cada um minuto. O professor explica que esse modelo já é usado em algumas cidades da Europa, mas ressalta que só seria viável caso fosse de uso exclusivo de passageiros do aeroporto.

O Tempo – Bárbara Ferreira - 18/06/2014


2 comentários:

Paulo Lima disse...

Mais uma proposta, que estarei acompanhando. E outra, já quero dizer a voçes que SOU CONTRA o Monotrilho. Porque o Monotrilho tampa a visão Urbana, é mais caro para implantar e sem falar que o Brasil não tem experiência acima da básica pelos modais, e sem falar que já teve Países que rejeitaram o Projeto,e as pilastras do Monotrilho tiveram que serem demolidas(parece que foi em uma Cidade dos EUA, onde o Monotrilho não deu certo,e depois teve que ser demolido). Onde já se teve o Monotrilho foi em Poços de Caldas(MG) e outra sendo implantada em São Paulo, espero que esses der certos, mais eu pessoalmente não tenha essa TÂOO VISÃO ANIMADORA DESSE MODAL E TANTO DO BRT, vejo eles como meio "Urbano" mais indo para "Não convívio urbano".
E outra, me DEU NOJO DE VONTADE ATÉ DE VOMITAR de um Especialista falar contra o VLT e ser a favor do Monotrilho, porque disse que o "VLT concorre com os ônibus e BRT", gente!!! Ele está preocupado com as concorrências com os ônibus??? Estranho.... E querer um Modal que separe do Transito e convívio Urbano?? Algo não legal...
Não sei qual vai ser a opinião do Sinferp, Peter Alouche e do Jaime Lemer, a respeito desse Modal que o governo de Minas propõe para Ligar o Centro de BH a Cidade Administrativa e Aeroporto. Eu já dei minha opinião, "Ou a favor do VLT", além de ser mais barato para implantar e operar e longo prazo. Tem um facil acesso as pressas e convívio Urbano.Assim que sabe o Brasil no patamar na volta dos Bondes, logico que Moderno. E outra, como sempre falei aqui, estou otimista que Cuiabá(MT), Santos(SP) e Rio de Janeiro, vão ser exemplares nacionais em VLTs.
Ainda bem que também tem outros Especialistas e até pessoas dentro do próprio governo, que sugere o VLT, ao invés do Monotrilho.

Pra não dizer que sou contra o Monotrilho e BRT, sugiro que em BH os Sistemas de BRTs do MOVE, seja um Sucesso e tenha mais expansões a Região Metropolitana de BH. O Monotrilho faça a ligação entre o Centro ao Aeroporto de Confins, e o VLT faça a ligação entre o Centro a Cidade Administrativa.
Um lado bom do monotrilho, é que ele ao menos é um transporte ferroviário, não poluente, não faz muito barulho e é combina mais com Urbanismo de Cidade enorme(como São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York, Chicago, Los Angeles, Cidade do México e Xangai), só que ele tem muitas desvantagens por questão de segurança, convívio Urbano e o Custo altíssimo a implantação(quase mesmo custo do Metrô subterrâneo).
Quero muito que os nossos amigos do Sinferp e Peter Alouche(não sei se ele está sabendo dessa ideia do Governo de Minas? Espero que sim), para que todos Nós juntos, defendemos o VLT. Porque não o VLT em BH?? Já que tem BRTs espalhados.

Abraços a todos e obrigado pela paciência(sei que não é todo mundo que tem paciência de ler um tudo) e atenção. Grato Paulo Lima de Campinas(SP).

SINFERP disse...

Também nós NÃO gostamos da ideia do monotrilho, e uma das razões é a poluição visual que promove. Defendemos o VLT. Afinal, praticamente a mesma capacidade de transporte, tecnologia consagrada, igualmente ecológico, infinitamente mais seguro, atende sem concorrentes a questão da acessibilidade, etc. Porém, é sempre desprezado, e por um motivo evidente: divide espaço com pneus nas ruas e avenidas. A tecnologia de via e embarcada faz um BRT parecer um dinossauro, mas parece que isso não sensibiliza nossos gloriosos governantes.