sábado, 1 de março de 2014

Siemens é proibida de participar de licitações no Brasil

A Justiça Federal determinou que a empresa alemã Siemens fique impedida de participar de licitações públicas e fechar contratos com governos no Brasil pelos próximos 5 anos. A decisão, de janeiro, tem base em sindicância feita nos Correios que apontou suspeita de pagamento de propina da Siemens para obter contratos com a estatal federal.

Por causa do resultado da sindicância - instaurada em 2008 -, que apontou diversas irregularidades cometidas pela Siemens em duas licitações em 1999 e em 2004, os Correios decidiram punir a multinacional alemã e a impediram de participar de licitações pelo período de cinco anos.

A Siemens impetrou mandado de segurança na Justiça questionando a decisão, mas em agosto de 2013 o juiz de primeira instância não apenas deu razão aos Correios como afirmou que o impedimento de contratar deveria ser estendido a toda a administração pública.

A empresa recorreu, mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região manteve a decisão e determinou, em janeiro, o imediato cumprimento da pena.

A informação sobre a sanção faz parte do informe financeiro da própria empresa, publicado na Alemanha há poucas semanas para investidores.

Os Correios, que agora aparecem ligados a uma empresa do cartel do setor metroferroviário no Estado de São Paulo, também foram o nascedouro do escândalo do mensalão. A denúncia feita pelo ex-deputado Roberto Jefferson, preso nesta semana, foi uma resposta a informações de que chefiava um esquema de corrupção na estatal que desviava dinheiro para pessoas de seu partido, o PTB.

A Siemens aparece nos autos como suposta pagadora de propina em duas planilhas que constam da denúncia criminal feita pelo Ministério Público Federal em 2008 em que apontava esquema de corrupção nos Correios. Entre os nove réus na ação estão o próprio Jefferson e Maurício Marinho, ex-chefe de departamento dos Correios.

A sindicância que apurou as irregularidades envolvendo a Siemens se baseou em dados colhidos pela Controladoria-Geral da União, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

A investigação apontou em seu relatório a "associação da Siemens com empresa agenciadora, visando se beneficiar em processos licitatórios e em contratos, com pagamento de propina".

Acordo

No caso do cartel de trens, a Siemens já admitiu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que participou de acertos com outras empresas a fim de obter contratos tanto em São Paulo como no Distrito Federal.

A multinacional alemã também é suspeita de pagar propinas a agentes públicos e até para políticos. Um inquérito da Polícia Federal investiga o caso. Nele, seis pessoas, entre elas ex-dirigentes da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), foram indiciadas. Ainda não há, porém, decisões judiciais nem denúncias criminais envolvendo a empresa alemã com o cartel de trens.

A Tarde – Fernando Gallo, Jamil Chade e Fausto Macedo  - 28/02/2014

Comentários do SINFERP


Agentes públicos e políticos? Nunca, jamais... Bem, Alstom, Bombardier e CAF agradecem a medida. Conclusão: sobrou para quem denunciou e reconheceu a prática ilegal. 

6 comentários:

Anônimo disse...

estamos num beco sem saida. o problema é que se essas empresas comecem a ficar impedidas de participar de projetos, quem os vai fornecer? infelizmente somos dependentes de tecnologia internacional.

SINFERP disse...

"Eles" limparam a área, punindo e tirando de cena a empresa dedo-duro. Existem outras tantas empresas no mercado internacional. Talvez, também, a oportunidade para que algum iluminado descubra que já passou da hora de desenvolvermos tecnologia própria. A Embraer, por exemplo, ao menos parece reunir condições.

Anônimo disse...

Tem outro problema : quem irá fornecer peças de reposição para o trem série 3000 , já que a própria siemens é fornecedor......o pátio da Luz esta abarrotado de trens.

SINFERP disse...

Bem, a notícia diz que está proibida de participar de licitações, mas deve permanecer no país, e cumprir contratos. Ou não?

Anônimo disse...

quem é responsavel pelo alemão é a TNT, logo ela tem a responsabilidade objetiva de arrumar o material. essa porcaria de consorcio nem laboratorio de eletronica deve ter para arrumar qualquer equipamento danificado.

SINFERP disse...

Essa história de consórcio é um escândalo. Porta de entrada para desmandos, transferência de responsabilidades, descaso e corrupção.