segunda-feira, 31 de março de 2014

Monotrilho já nasce saturado, diz especialista

Em entrevista à Folha, o arquiteto urbanista formado pela USP, Moreno Zaidan Garcia, especialista em transporte público, se mostrou pessimista com a opção pelo monotrilho na cidade. Ele afirma que o sistema não pode ser comparado ao metrô convencional, já que a capacidade é inferior e o uso para condução de massas ainda é uma novidade em todo o mundo.
“É um transporte intermediário entre o metrô e os corredores de ônibus, como o Expresso Tiradentes. Os motivos alegados para sua construção ao invés do metrô são vagos. Realmente é mais barato, mas é bem menos eficaz: seu traçado é limitado a grandes avenidas e a implantação não é tão rápida como foi prometido. Fora isso, é um fato inédito o monotrilho transportar tantas pessoas como o Governo do Estado pretende fazer”, comenta o especialista.
De acordo com Garcia, a maioria das linhas de monotrilho não é utilizada como transporte público. “Até 2011, existiam 300 linhas em todo o mundo. Destas, 150 para uso industrial. Outras 130 funcionam em espaços fechados, como aeroportos, parques de diversão e áreas de feiras e exposições. Apenas 20 linhas atuam no transporte de massa, sendo que somente 12 carregam mais de 10 mil passageiros por dia e contam com extensão superior a cinco quilômetros. A que chega mais perto do imaginado pelo Metrô para Linha 15 – Prata é a de Chongqing, na China, que transporta, de forma aglomerada, pouco mais de 25 mil passageiros/hora. A ideia da Linha 15 aqui é 40 mil/hora”, destacou.
O fato que chama mais atenção do especialista é que o monotrilho será inaugurado no limite de operação. “Para chegar aos números pretendidos pelo Metrô, o transporte vai trabalhar com a quantidade máxima de vagões. Além disso, a pretensão é que a Linha 15 funcione com um veículo por estação a cada 70 segundos, sendo que na China o tempo é de três minutos e no restante do mundo de cinco a 10 minutos. O sistema funcionará para carregar o maior número possível de passageiros, mas é errado. O monotrilho, entre a Vila Prudente e a Cidade Tiradentes, já vai nascer saturado, não terá como aumentar sua capacidade. Diferente do metrô, que trabalha com 70% ou 80% de sua eficácia. Isso vai fazer com que o monotrilho tenha uma operação mais cara do que os outros transportes”, completou Garcia.
Folha VP – Rafael Gonçalo - 21/03/2014

Comentários do SINFERP


Nunca jogamos areia nessa iniciativa, mas insistimos em afirmar que ela está entre dois extremos: um sucesso mundial, ou o maior mico já praticado na vida dos paulistanos, e com o dinheiro dos paulistas. A ver.

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