quinta-feira, 6 de março de 2014

Metrô e CPTM têm uma grande falha a cada três dias em São Paulo

foto Adriano Lima
Dois sistemas de transportes sobre trilhos tiveram 120 problemas "notáveis" no ano passado; em 2012, foram 122.
Os trens do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitano (CPTM) apresentaram uma grande falha a cada três dias em 2013, quando os dois sistemas juntos tiveram 120 ocorrências “notáveis”. O número foi semelhante ao de 2012, quando CPTM e Metrô contabilizaram 122 falhas notáveis, aquelas em há prejuízo de tempo para o usuário ou interrupção em período prolongado do sistema. Metrô e CPTM não informaram o número de falhas “não notáveis”, mas que em muitas vezes também implica em prejuízo ao usuário.
Em 2013, o Metrô de São Paulo apresentou 84 falhas notáveis e em 2012, foram 96. O Metrô diz que falhas notáveis são aquelas em que o problema persistiu por mais de seis minutos. Segundo o Metrô, 70% desses problemas estão relacionados com o fechamento das portas.
Já a CPTM informou que no ano passado foram contabilizadas 36 falhas e em 2012, 28. De acordo com a companhia, o número foi maior no ano passado por causa das “manifestações, que ocasionaram bloqueio de linhas e depredações de trens e estações com consequentes impactos na circulação”. Para a companhia, as “falhas notáveis estão ligadas à interrupção total ou parcial da circulação dos trens, seja por falhas do sistema ou provocadas por agentes externos, tais como: usuários na via, alagamentos, descargas atmosféricas e interrupção de fornecimento energia, por parte da concessionária, entre outros fatores”.
Lotação
Para os passageiros, no entanto, a impressão é que as falhas e lotação são diárias. “Eu evito pegar Metrô no horário de pico. Sempre é lento e muito lotado. Todo dia tem algum problema e ele fica mais tempo na plataforma ou anda em velocidade reduzida”, diz a analista de sistema Bruna Valnei, 29 anos, que mora em São Mateus (zona leste) e trabalha em Higienópolis, e uliliza a Linha-3 Vermelha (Corinthians-Itaquera/Palmeiras-Barra Funda) diariamente.
As 164 composições do Metrô transportam diariamente cerca de 4,6 milhões de pessoas em 4.500 viagens diárias.
CPTM tem 130 trens que circulam em 22 estações na Grande São Paulo e interior. São realizadas cerca de 2.600 viagens e 2,8 milhões de passageiros são transportados diariamente.
Apesar da impressão negativa dos usuários e da grande quantidade de passageiros, Telmo Giolito Porto, professor de transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), diz que os números de falhas apresentadas pelo sistema de transporte sobre trilhos em São Paulo são “aceitáveis”. “A minha impressão primeira é que são números esperados com as características dos transportes em São Paulo. Não tem nada fora da curva”. Para ele, a lotação e diversidade dos equipamentos propiciam as falhas. “O Metrô de São Paulo é muito carregado em termos de passageiros por km rodado. É o mais carregado do mundo. A CPTM lida com uma diversidade tecnológica e de equipamentos enormes. Essa diversidade cria naturalmente falhas”.
No entanto, ele afirma que as falhas contabilizadas pelo Metrô e CPTM são consequência da rapidez do transporte quando comparados com carros e ônibus. “A verdade é que trem e Metrô são vítimas do seu próprio tempo de viagem. Estão sobrecarregados”. Para ele, as falhas só diminuirão quando o sistema for modernizado.
O Metrô informou que realiza manutenção preventiva e corretiva diariamente entre 1h e 4h e que em 2013 foram investidos R$ 470 milhões em infraestrutura, modernização e operação. A CPTM afirmou que, nos últimos cinco anos, investiu cerca de R$ 1 bilhão por ano na modernização do sistema.
No dia 4 de fevereiro, uma falha em uma composição da Linha-3 fez com que passageiros acionassem o botão de emergência. Os usuários tiveram que andar sobre os trilhos, próximo a estação Sé, na região central, a via foi desenergizada e a circulação dos trens ficou interrompida por cerca de cinco horas. As estações foram fechadas e foram registrados quebra-quebra. Funcionários e passageiros tiveram ferimentos.
No dia 13, o rompimento de um cabo de energia provocou a interrupção da circulação dos trens da Linha 6-Lilás por quatro dias até que a equipe de manutenção resolvesse o problema. 
Na CPTM, uma falha recente foi contabilizada na quarta-feira da semana passada (26), quando os passageiros da Linha 10-Turquesa (Brás - Rio Grande da Serra) precisaram caminhar pelos trilhos em pleno horário de pico da manhã. A circulação só foi normalizada duas horas após a falha.

Último Segundo - Ana Flávia Oliveira e Renan Truffi  - 06/03/2014

2 comentários:

Anônimo disse...

dois grandes erros na reportagem. a CPTM atende 22 municipios da grande SP e nao 22 estaçoes, e chamar o telmo tejofran para dar sua analise. impressionante como toda reportagem tewm este ser.

SINFERP disse...

O erro dos municípios e estações passa. Quanto ao Dr. Telmo, como de costume, a sua preferência pelas mídias quando a cata de um especialista "isento". rsrsrsr Ninguém nem mesmo cita o fato dele ser dirigente da Tejofran. Nesse caso, caro Anônimo, não se trata de erro de reportagem, mas de manipulação intencional da opinião pública. A imprensa não pode fazer de conta que não vê e que não sabe do que a maioria dos usuários sabe por sentir na pele, mas dá um jeitinho de colaborar com o esquema de blindagem do governo, CPTM e Metrô, por meio das opiniões desapegadas do mestre de cerimônia de costume.