quinta-feira, 6 de março de 2014

Cartel de trens: Alckmin diz defender investigação de empresas de consultoria de fachada na venda de serviços para Metrô e CPTM

Alstom e Siemens contrataram firmas com endereço de um escritório de contabilidade para prestar consultorias ao Metrô e à CPMT, segundo revelou o 'Estado'.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quinta-feira, 6, que é preciso investigar as suspeitas de participação de empresas de fachada na elaboração de projetos do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Em matéria publicada nesta quinta, o Estado informou que três companhias uruguais contratadas pela Alstom e pela Siemens não existem.

As multinacionais são investigadas por formação de cartel no setor metroferroviário e elétrico em São Paulo. Para investigadores brasileiros e suíços, as firmas Gantown, Leraway e GHT Consulting foram usadas para pagar propinas a agentes públicos de estatais de São Paulo. As empresas tinham endereço de um escritório de contabilidade em Montevidéu.
"Queremos que a investigação se faça (de forma) total, para saber quem são essas empresas de fachada, quem recebeu, onde recebeu, como recebeu, quando recebeu. O Estado é o maior interessado nisso", disse em evento na capital paulista.
No evento desta manhã, Alckmin também explicou por que a ação judicial aberta pelo governo de São Paulo por enquanto tem como réus apenas as empresas, e não os servidores suspeitos de receberem propina. "A investigação ainda não terminou. Quando terminar e ficar confirmado o envolvimento de agentes públicos, todos entrarão no processo", explicou.
De acordo com matéria publicada pela Folha de S.Paulo, a promotoria do Ministério Público Estadual afirmou à Justiça que a ação movida pela gestão de Alckmin para pedir indenização pelos prejuízos causados pelo cartel é "açodada" e "incorreta", pois não aguardou a conclusão das investigações. Os promotores questionaram ainda o fato de o governo paulista não ter incluído na ação os funcionários e ex-servidores suspeitos de receberem propinas para favorecer as multinacionais citadas no caso.

"(O governo) não foi açodado, foi prudente", disse o governador. Segundo ele, os demais envolvidos entrarão no processo quando a investigação comprovar a participação de servidores. "O que precisa é terminar rápido a investigação do cartel."
O Estado de São Paulo – Gabriela Lara e Fábio Leite -  06/03/2014

Comentários do SINFERP


O Estado é interessado, mas o governo do Estado não. Claro que ele quer apenas as empresas na condição de rés, pois se chegar nos servidores suspeitos sobra para o governo. 

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