quarta-feira, 26 de março de 2014

Campinas (SP) vai avaliar instalação de monotrilho

No lugar do veículo leve sobre trilho (VLT) Campinas poderá ter monotrilho. O prefeito Jonas Donizette (PSB) informou que vai contratar um estudo de viabilidade econômica de um transporte sobre trilho para Campinas que irá apontar qual o melhor sistema para ser adotado para ligar o Centro ao Aeroporto Internacional de Viracopos e alimentar o Corredor Noroeste e os futuros corredores Ouro Verde e Campo Grande, por onde circularão os BRTs (ônibus de trânsito rápido).
O prefeito acredita que o monotrilho — um trem menor que um metrô e que corre sobre vigas de concreto a 15 metros do chão — possa ser economicamente mais viável, porque exige menor custo com desapropriações. Os recursos para financiar o estudo virão do Ministério das Cidades que aprovou, no final do ano, uma verba de R$ 1,5 milhão. A licitação será publicada no próximo mês, e a previsão é que a conclusão ocorra em 180 dias após a assinatura do contrato.
Traçado
O estudo vai definir, além da melhor opção de transporte sobre trilhos, o melhor traçado que poderá, inclusive, não ser o mesmo por onde circulou o VLT entre 1990 e 1995 e que foi um fracasso na tentativa de dotar a cidade de um sistema de média capacidade sobre trilhos.
O antigo projeto significou um desperdício de US$ 120 milhões (R$ 277,3 milhões) gastos nos trilhos e estações, algumas das quais nunca chegaram a funcionar. “Com o estudo em mãos vamos poder optar pelo melhor sistema para atender a população e com menores custos”, disse o prefeito, que vai buscar verbas federais para poder implantar o sistema que for escolhido.
Para o engenheiro Luiz Antônio Magalhães, especialista em transporte público, o melhor atendimento nas grandes cidades passa por três sistemas: BRT, VLT e monotrilho. “Dependendo do tamanho da cidade e da demanda, cada um tem sua vantagem”, afirmou. No BRT, a vantagem está no ônibus de média capacidade que circula em faixa exclusiva, e a tarifa é paga antes do embarque, reduzindo tempos. O VLT é a versão moderna dos bondes, circula em trilhos e quando há pouco espaço na superfície, a solução pode ser o monotrilho, na verdade um VLT que circula nas alturas.
O monotrilho está sendo implantado em São Paulo, mas já opera em cidades dos EUA, Japão e vários outros países. Ele corre sobre vigas de concreto a 15 metros do chão, mais ou menos a altura do terceiro andar de um prédio, suficiente para fazê-lo passar por cima das pontes que cruzam o trajeto. Os pilares que sustentam essas vigas ficam, quase sempre, nos canteiros centrais das avenidas. Os vagões se movimentam com pneus de borracha sobre concreto, por isso são mais silenciosos que um trem comum — com rodas e trilhos de aço.
Capacidade
O monotrilho paulista terá capacidade para mil pessoas e, por enquanto, só será usado entre as estações Vila Prudente e Oratório. Quando o governo paulista terminar as obras, serão 18 estações, partindo da Vila Prudente e terminando o percurso em Cidade Tiradentes. Serão 26 km de extensão ao custo de R$ 6,4 bilhões.
Na defesa da implantação desse sistema, segundo Magalhães, está o fato de não agredir o ambiente porque usa energia, possibilitar flexibilidade na rota e baixo custo de construção — o custo do quilômetro de monotrilho é menor que a metade do quilômetro construído de um sistema de metrô subterrâneo. Outra vantagem é que o método de construção torna o sistema mais amigável porque, sendo elevado, pode ser construído com pouquíssimos impactos junto ao tráfego normal. Além disso, para o funcionamento do monotrilho não são necessárias grandes estações, mas sim plataformas elevadas, como se fossem as de ônibus em um andar acima. Isso evita custos de desapropriações e grandes obras de instalações.
Alternativa
Uma alternativa de traçado para Campinas são os antigos leitos ferroviários. Campinas tem 120 quilômetros de leitos ferroviários dentro do município, com 654 metros quadrados de área útil para oficinas e manobras. Os leitos conectam o Centro aos principais bairros e aos principais municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Mas tudo isso é espaço de abandono. O Plano Diretor de Campinas de 2006 definiu pela preservação dos leitos férreos desativados para transporte de passageiros, local, turístico ou lazer e também orientou o reestudo do sistema VLT, analisando alternativas de traçado de localização das estações e integração plena ao sistema por ônibus.
Portal Oeste Som – 26/03/2014

Comentários do SINFERP


Incrível que, mesmo sendo um veículo em condição experimental, o monotrilho vai invadindo discussões em grandes municípios.  A ninguém ocorre a espera para saber no que vai dar o monotrilho da capital paulista, antes de sua adoção. Enquanto isso, a condição consagrada do VLT vai sendo deixada de lado. Bem, isso deve-se ao fato de sermos mais espertos do que os europeus, certamente.

11 comentários:

Euripedes disse...

Eu acredito que tudo é uma questão de imagem da tecnologia perante a nossa sociedade. Lembram-se dos antigos filmes de ficção científica? Sempre aparece transporte de monotrilho nas cidades futurísticas. Já o transporte por VLT´s lembra os antigos bondes da cidade de São Paulo, nem sempre eficientes, resultando na velha gozação: "isso parece um bonde". Se o monotrilho vai dar certo? Só esperando para ver. Acredito que se a demanda de passageiros se mantiver dentro da previsão, pode ser um sucesso. Mas se a demanda aumentar, como no caso da linha verde do Metrô, aí vai ser uma catástrofe!

SINFERP disse...

Também acreditamos nisso Eurípedes. Quanto ao monotrilho, resta esperar para ver no que vai dar.

Anônimo disse...

Se o monotrilho é de criação alemã, conhecido como "ALWEG" fica a pergunta . Porquê a Alemanha ou melhor dizendo a Europa o adotou em grande escala como transporte de massa diante os benefícios vistos na sua construção com rapidez ?

Anônimo disse...

Flexibilidade de rota o Monotrilho ? este especialista está equivocado . Quebrou o dispositivo de mudança de via num sistema em Monotrilho , não há possibilidade de haver o movimento conhecido entre nós como carrossel de maneira ágil e rápida!!!!! O de São Paulo fico com os dois pés atrás. Parece e tá com cara de "Fura-fila" a cada dia que passa....

SINFERP disse...

A Europa não adota esse veículo. Aqui, porém, fica sempre o gostinho de inovação, e que rende votos. Vamos ver no que vai dar essa experiência... Sensato foi o Rio Grande do Sul com o aeromóvel - pequeno trecho, e de caráter experimental.

Paulo Lima UM LUTADOR disse...

Muito obrigado mais uma vez Sinferp, obrigado mesmo. Isso mostra que o Governo Municipal de Campinas desconhece os Projetos Ferroviários é ainda o mesmo é leigo em relação dos VLTs,e só fez a escolha por Monotrilho por questão Politica e achando só porque esse Trem é de modo futurista, nem mesmo começando a operação dos Monotrilhos de São Paulo. Imagine se o cujo modal de São Paulo fracassar, ou começar uma séries de problemas?
E outra, o que me dar raiva, é a Prefeitura de Campinas querer duas linhas de BRTs, no começo defendia os VLTs, e alegavam que o mesmo "é caro para implantar". Agora que vem a oportunidade de ao menos a 3º Linha projetada para Campinas de ligar o Aeroporto ao Centro, poderia ser por VLT. Vem o Prefeito e esses TAIS TÉCNICOS LIGADOS A POLITICA, agora defendendo o Monotrilho(sendo que o mesmo é bem mais caro que um VLT) porque é o "ideal para Cidade".
Acho até bonito os Monotrilhos, mais aqui em Campinas sou contra, acho que esse Projeto daqui pra frente não vai vingar. Por isso que sempre estou defendendo o VLT. O VLT para Campinas vejo como o ideal.
Mais fazer o quê, a Politica fala mais alto....

Abraços Sinferp! Vou entrar nessa briga(queria até ajuda de voçes Ferroviarios e da Sonferp) para que esse Projeto volte para VLT, já estava em estudos para o VLT, não sei porque mudam para Monotrilho? Vamos entrar nessa briga.

SINFERP disse...

Estão acendendo uma vela para cada santo. Parece não existir um projeto consistente. Conte conosco.

Paulo Lima UM LUTADOR disse...

O engraçado, que antes quando cobrei do possível VLT para ligar os Bairros Distantes ao Centro de Campinas, falaram que o VLT é impossivel por ser "Muito caro para implantar".
Agora é engraçado... que no outro Projeto para ligar o Centro da Cidade ao Aeroporto de Viracopos, deixaram de lado o VLT, por optarem a um projeto MUITO MAIS CARO que o atual modal que agente defende, o Monotrilho.
Esse Governo é engraçado. Não implanta o VLT por ser caro e optam por BRT. Agora tem oportunidade para o VLT, preferem algo bem mais caro que o VLT.

Obrigado mais uma vez Sinferp.

SINFERP disse...

Negócio$$$$, Paulo Lima, negóci$$$$$

Anônimo disse...

Nossos administradores tem um péssimo costume de viabilizar uma linha e/ou uma rede de transportes sem planejamento , sem estudos técnicos construtivos e de operacionalidade . Pergunto; vcs acham bonito uma viga no meio de uma avenida no canteiro central de uma grande avenida , poluindo o visual da cidade????? Já vi por meio de fotos diversos VLTs espalhados pelo mundo e até Países o denominam de Pré-Metrô , Isto mesmo , pré metrô , veja os trens do Metrô do Rio de Janeiro . São iguais em série ao VLT - FEPASA que foi implantado na Gestão Quércia sem estudo qualitativo e quantitativo de demanda........Um sistema mal implantado e planejado : não liga lugar nenhum...........

SINFERP disse...

No plano da superfície defendemos VLT, onde adequado, em detrimento de qualquer outro veículo de uso coletivo. O monotrilho tem sido escolhido, dentre outros motivos, para deixar a superfície do jeito que está, entregue ao uso do transporte individual e privado.