sábado, 2 de novembro de 2013

Procurador da República será investigado sobre propina em SP

Rodrigo de Grandis
Corregedoria do Ministério Público vai apurar conduta do procurador. Arquivamento pode ter impedido progresso das investigações sobre o caso.

Na semana passada, uma reportagem do jornal Folha de São Paulo mostrou que o MP suíço arquivou o processo por falta de colaboração da Justiça brasileira. Eles pediam uma busca e apreensão na casa do ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), João Roberto Zaniboni. Ele é suspeito de ter recebido, numa conta na Suíça, US$ 836 mil de propina da empresa francesa Alstom.

O pedido dos suíços ficou parado, durante dois anos e oito meses, com o procurador da República Rodrigo de Grandis. Segundo o gabinete dele, o documento foi arquivado por engano. Foram os promotores públicos de São Paulo que descobriram o arquivamento do processo e que as duas filhas e a mulher de Zaniboni gastaram uma parte do dinheiro em compras no exterior.

Elas prestaram depoimento na semana passada e contaram aos promotores que a conta de Zaniboni na suíça foi encerrada em 2007 e o saldo foi transferido para outra conta, em Nova York. Segundo o depoimento, usaram dinheiro para pagar compras no cartão de crédito. Pela versão delas e do advogado de Zaniboni, ao saber que o dinheiro no exterior não tinha sido declarado à Receita Federal, a família fechou a conta e trouxe o saldo para o Brasil, de forma legal.

Luis Fernando Pacheco, advogado de João Roberto Zaniboni, disse que o dinheiro depositado no exterior veio de serviços de consultoria prestados antes de assumir o cargo na CPTM. Segundo o advogado, a família usou US$ 9 mil que estavam numa conta em Nova York para cobrir despesas de viagem internacional. A empresa Alstom tem declarado que está colaborando com as investigações.


Jornal da Globo – Walace Lara - 30/10/2013

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