sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O trem tucano

Enquanto isso...
Tornam-se cada vez mais comprometedoras as notícias em torno da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e seus contratos milionários. As suspeitas incidem sobre sucessivos governos tucanos no Estado.

O caso já é antigo, mas foi reavivado recentemente pela empresa alemã Siemens, que, em troca de imunidade nas investigações, levou às autoridades brasileiras documentos que indicam a existência de um cartel no sistema metroferroviário paulista --com a partilha de encomendas e elevação de preço das concorrências.

Ao menos seis licitações teriam sido fraudadas, segundo documentos internos da Siemens, que apontavam conluios durante as administrações de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.

Diante das denúncias, o governador Alckmin não apenas anunciou diligências -- que se revelaram bem menos rápidas do que o prometido -- mas também acentuou que, até aquele momento, não havia indicações de participação de autoridades públicas no esquema.

Pois bem. Enquanto se bloqueavam as tentativas de realizar uma CPI sobre o escândalo, surgiram nomes de possíveis beneficiários de propina no governo.

Outra empresa associada ao cartel, a francesa Alstom, vinha sendo acusada de corromper governos em diversos países. Documentos obtidos por autoridades suíças sugerem que João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM, teria recebido US$ 836 mil (cerca de R$ 1,8 milhão) da Alstom.

Revela-se agora que, em 2011, as autoridades suíças pediam ao Ministério Público brasileiro investigações sobre quatro suspeitos, inclusive o próprio Zaniboni.

Nenhuma investigação foi feita, entretanto. E o motivo alegado para a omissão é de molde a desafiar a credulidade até mesmo dos mais ingênuos. É que o pedido vindo da Suíça foi arquivado numa pasta errada. Assim declara o responsável pelas investigações no Brasil, o procurador Rodrigo de Grandis.

Como esta Folha revelou no sábado, passados três anos, a Suíça desistiu de prosseguir no caso; as suspeitas foram arquivadas.

Não bastassem as notórias dificuldades brasileiras para julgar, condenar e aplicar penas aos suspeitos de corrupção, vê-se, no caso Alstom, a intervenção de um fator acabrunhante: o engavetamento puro e simples.

Desaparece o pedido, perde-se o prazo, enterra-se o assunto, reconhece-se a "falha administrativa". Que não fique por isso mesmo, para que o trem tucano não prossiga até a muito conhecida estação chamada Impunidade.


Folha de São Paulo – Editorial – 31/10/2013

4 comentários:

Anônimo disse...

O PSDB aparelhou todas as instâncias de fiscalização, controle e ordem do Governo do Estado. TCE, Ministério Público, Polícia Civil e a Tropa de Choque da Assembléia Legislativa com apadrinhados políticos e cargos de confiança. E um partido com enormes traços anti-democraticos, nunca encara qualquer denúncia, sempre parte para a desqualificação e perseguição.
Sou da opinião de que todos os partidos do Brasil são muito ruins, mas existem partidos que conseguem ser piores que outros e nada consegue ser pior que o PSDB de São Paulo.

SINFERP disse...

O argumento predileto da turma envolvida direta e indiretamente na história do cartel é que as denúncias são "coisa do PT". Talvez seja. E dai? Um dos argumentos para perseguir ferrenhamente o SINFERP é que estamos a serviço do PT. Nunca estivemos e não estamos. Quem não concorda ou não se silencia diante dos erros dos tucanos é inimigo. É um partido excludente, fechado ao diálogo e a qualquer tipo de crítica. Se não pode cooptar, massacra, e faz uso de todas as instâncias de fiscalização, controle o ordem, como você bem colocou.

Anônimo disse...

Mais uma pérola do Professor Giolito: http://www.redebomdia.com.br/noticia/detalhe/59416/CPTM+falha+todo+santo+dia

SINFERP disse...

O douto professor da USP, mas também dirigente da insuspeita TEJOFRAN, ficou agora confinado às páginas do Diário de São Paulo, jornal cada vez mais a serviço do governo. Nem mesmo vale a pena reproduzir, aqui, essa coisa nojenta. Notou que ele anda mais "espertinho" quando fala das linhas 8 e 9? Bem, que o sindicato da Central faça também a sua parte para desmascarar essa farça, não é? Aliás, a situação estaria melhor se os demais sindicatos comprassem, também, a luta pela moralização da CPTM e pela defesa dos usuários.