sexta-feira, 25 de outubro de 2013

VLT e túnel Santos-Guarujá (SP) têm momentos semelhantes

Paulo Schiff

O Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e a ligação seca entre Santos e Guarujá têm dois denominadores comuns. Um deles, histórico. E outro, atualíssimo. Na história dos dois equipamentos está o fato de terem se tornado lendas urbanas. Foram martelados como prioridades por muito tempo. Não saíam nunca do papel. Ganharam uma aura de descrédito.

A ligação seca entre Santos e Guarujá tem o primeiro diagnóstico feito na década de 40 pelo urbanista Prestes Maia, que foi prefeito de São Paulo.

O primeiro projeto, de ponte ferroviária, recuperado numa pesquisa da Dersa, é ainda mais antigo, de 1917, feito por um arquiteto italiano.

O político santista Oswaldo Justo batalhou muito por essa obra. Na década de 80, como prefeito de Santos. E depois, nos anos 90, como deputado.

O ex-governador José Serra, quando se preparava para disputar a eleição presidencial de 2010, chegou a inaugurar uma maquete de uma ponte entre Santos e Guarujá.

Na ocasião, muitos consideram essa inauguração o momento Odorico Paraguaçu do ex-presidenciável do PSDB.

O Veículo Leve Sobre Trilhos é uma espécie de metrô de superfície.

Como a região litorânea tem geografia longitudinal, a ideia é a de que ele funcione como uma linha-tronco referenciando as conexões do transporte coletivo.

A região já foi interligada por uma linha ferroviária de transporte de passageiros que ia de Santos a Peruíbe.

O Veículo Leve Sobre Trilhos utiliza parte significativa desse traçado desativado.

Discussões intermináveis sobre o Veículo Leve Sobre Trilhos nos meios de comunicação regionais permeiam os últimos 20 anos. Já virou VLP (sobre pneus) e nesse formato também não saiu do papel.

Já teve uma licitação para concessão à iniciativa privada que deu deserta.

Os dois projetos, quando concebidos, tinham um viés de planejamento para o futuro.

O tempo passou, as obras não saíram. Agora, com a mobilidade urbana da Baixada Santista seriamente comprometida pelo aumento da movimentação de cargas no Porto de Santos e da frota de veículos, eles são vistos como equipamentos necessários para recuperar uma parcela da qualidade devida perdida.

Deslocamentos entre as cidades de Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá e Cubatão, principalmente, que eram medidos em minutos passaram a ser medidos em horas. Aí entra o VLT. O trânsito de balsas entre Santos e Guarujá, transversal à entrada e saída de navios no canal do Porto de Santos, tem números superiores a 20 mil veículos por dia em média. Aí entra o túnel.

Depois de décadas, o governo estadual se movimentou para materializar as duas obras. A primeira fase do VLT, entre Santos e São Vicente inclusive já foi iniciada. A do túnel está em fase de projeto e prevê uma pista para o VLT.

O outro denominador comum é que os dois projetos enfrentam nesse momento questionamentos ao traçado com teorias da conspiração fervilhando. O VLT num trecho que fica perto de um hipermercado e de um centro de convenções passa da linha antiga do TIM para o meio de uma avenida. O Ministério Público questiona a EMTU por essa alteração. E a Dersa é questionada pela necessidade de desapropriações de residências para os acessos do túnel. É provável que o desenho seja mudado para redução desse impacto.
A longa maturação não poderia ter evitado essas pendengas?

Paulo Schiff


DCI – 25/10/2013

6 comentários:

Paulo Humberto disse...

Fico feliz de ver que a Baixada Santista está finalmente ganhando o seu "Bonde Moderno" o VLT. E ao mesmo tempo que me deixa com mais tesão no transporte(sou muito apaixonado) e que Santos também preserva os Bondes antigos e o Trólebus. Ou seja, a Baixada Santista pode ser a primeira Cidade de grande porte e "não Capital" do Brasil a ser Modelo no Transporte Público Ferroviário e a primeira Cidade do Brasil que também preserva os Trólebus antigos. Já que Curitiba é Cidade Modelo de BRT. Santos pode ser também Cidade Modelo no transporte com os VLTs, Bondes Antigos(para turismo, logico!) e Trólebus(para o Turismo, e porque também não continuar para o "dia dia"?).
Com a implantação dos Sistemas de VLT em Cuiabá-MT, Sobral-CE e Baixada Santista-SP. Creio que o Brasil está a caminho para que os Prefeitos tenham interesse pelo VLT também, além dos BRTs. Ou seja, o Brasil esta "engatinhando".

SINFERP disse...

É também a nossa esperança, Paulo Humberto. Cidades que preservam bondes e trólebus são amistosas com esses tipos de transporte. Vamos torcer, também, para que saia o VLT do Rio de Janeiro, pois servirá como vitrine para outras capitais. Haddad ficou na mesmice conservadora dos pneus, infelizmente. Corredores de ônibus não irão solucionar o problema do trânsito na capital paulista (na melhor das hipóteses "ajuda um pouco").

Leoni disse...

Prezados,
Pela pesquisa do Paulo Schiff, o primeiro projeto data de 1917, ou seja quase um século, portanto varias propostas se passaram, e em qualquer obra rodo ferroviária inclusive esta, é importantíssimo que haja um planejamento em via dupla paralela para assentamento dos trilhos, o que facilitará e consolidará um VLT futuro, (não aparece na animação, esta esquecido, podendo se concluir que não está planejado) caso contrário, a possibilidade é ocorra o que aconteceu com o rodo e ferroanel que estão sendo feitos em separado com custo acima de ~30% maior do que se tivessem feito em conjunto.
Quanto ao bonde de Santos existe uma curiosidade que é o único no mundo que utiliza a bitola de 1,35 m.

SINFERP disse...

Necessário lembrar, Leoni, que no passado Guarujá foi, como Santos, servida por bondes. Vamos ver qual será o desenho final desse túnel. Abraço.

Lucas disse...

Espero que o VLT de Santos fique pronto logo para que sirva de exemplo para outras cidades.
Em São José dos Campos, por exemplo, chegamos ao ponto de os próprios leitores ter de desmentir dados de supostos "especialistas" que dão opiniões contra o VLT e a favor do BRT no jornal local. Não tenha dúvidas de que o VLT de SJC vai demorar muuuuito para sair do papel, SINFERP. Tem gente que está até querendo acionar o Ministério Público para barrar o inicio das obras.

SINFERP disse...

Lucas, não conhecemos lugar onde o VLT não sofra oposições. Nossa hipótese para isso continua sendo a mesma: VLT disputa espaço com ônibus na superfície e, nessa medida, mexe com interesses poderosos, que colocam "especialistas", políticos e meios de comunicação em folha de pagamento. Prova disso? Nunca vimos "forças" contra metrô e monotrilho, pois um é normalmente subterrâneo, e o outro necessariamente elevado.