sábado, 19 de outubro de 2013

R$ 1,8 milhão sacado dos trilhos

Documentos revelam que dirigente da CPTM nas gestões dos tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin recebeu propina de empresas do cartel da área de transportes
As investigações sobre o esquema de corrupção que operou nos trilhos paulistas avançam na direção de agentes públicos das gestões tucanas de São Paulo. Integrantes do Ministério Público e da Polícia Federal dizem que “mais de uma dezena” de executivos de estatais que passaram pelos sucessivos governos do PSDB não só foi omissa como também participou das fraudes e do superfaturamento de contratos firmados com o Metrô paulista e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Documentos e depoimentos obtidos nas últimas semanas já apontam os nomes de servidores estaduais que se beneficiaram financeiramente das tramoias. É o caso de João Roberto Zaniboni, diretor de operações da CPTM entre 1999 e 2003 (gestões Mário Covas e Geraldo Alckmin). De acordo com provas enviadas por autoridades suíças, uma conta de Zaniboni na Suíça foi abastecida com US$ 836 mil, o equivalente a R$ 1,8 milhão, no período em que ele era dirigente da estatal. Ao menos US$ 200 mil foram pagos a título de propina pelas empresas do cartel em troca da obtenção da conquista de certames ou aditamentos. 
Chama a atenção do Ministério Público e da Polícia Federal a correlação entre as decisões tomadas pelo então diretor de operações da CPTM João Roberto Zaniboni e os depósitos feitos em sua conta fora do País. A dinheirama ingressava logo após ele assinar aditamentos em contratos firmados pela CPTM e empresas acusadas de integrar o cartel dos trens. Foram ao todo cinco canetadas, que representaram uma elevação de despesas de cerca de R$ 12 milhões ao erário paulista. O ex-dirigente da estatal repassou, em 2007, parte do dinheiro que recebeu para uma conta em nome da filha nos Estados Unidos. Segundo sua defesa, o valor foi recebido em troca da prestação de serviços de consultoria realizados antes de sua entrada no governo. 
Um dos aditamentos autorizados por Zaniboni ocorreu em 20 de outubro de 2000. Além de alterar o prazo do contrato, a manobra ampliou em 24,8% o valor do serviço acertado com a Daimler Chrysler Rail Systems para a manutenção de trens. Em outro aditamento, realizado em 20 de dezembro, um acordo de prestação de serviço similar assinado com a Alstom foi reajustado para cima em cerca de R$ 4 milhões. Na lista das empresas beneficiadas pelos aditamentos aparecem ainda outras companhias apontadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como integrantes do cartel que atuou em São Paulo.
As conexões entre João Roberto Zaniboni e a máfia dos trilhos paulistas, conforme a investigação, não param por aí. Ao rastrearem a origem dos depósitos em uma conta mantida por ele no banco Credit Suisse, que leva o nome de Milmar em uma homenagem a familiares, autoridades identificaram um depósito de US$ 103,5 mil, efetuado em 27 de abril de 2000. O valor foi transferido de outra conta do Credit Suisse. Identificada pelo código 524374 Rockhouse, a conta pertence ao lobista Arthur Teixeira, principal operador do esquema de corrupção. As remessas teriam como origem os caixas do conglomerado francês Alstom e foram efetuadas por meio de uma sofisticada engrenagem financeira, usada também pela Siemens, como revelou ISTOÉ em julho.
Para não deixar rastros, a multinacional francesa e sua subsidiária no Brasil firmaram um contrato de fachada de consultoria com a offshore uruguaia Gantown Consulting S/A, controlada por Arthur Teixeira. Na prática, Teixeira fazia apenas o papel de intermediário no pagamento de propina da empresa a políticos e servidores públicos. O MP e a PF ressaltam que, nos contratos acertados entre a Gantown e a Alstom, aparecem licitações sobre as quais Zaniboni deu aditamentos. Na última semana, diante das denúncias, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), declarou que “seja funcionário ou ex-funcionário haverá tolerância zero” a essas práticas criminosas. 
IstoÉ - Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sérgio Pardellas – 18/10/2013


4 comentários:

Anônimo disse...

A ordem e blindar o PSDB das denúncias, Zaniboni, assim como Lavorente (ocuparam o mesmo cargo, diretor de operação e manutenção, coincidência não?) são meros laranjas que escondem nomes do partido no escândalo. Se não bastar a entrega de cabeças de agentes públicos, parte-se para as multinacionais, já que o próprio governo admite que pode declarar todas as empresas envolvidas no cartel inidôneas (coisa que duvido,já que além de serem parceiras do governo, em todos os sentidos, seria o fim da indústria ferroviária nacionalizada, e não nacional, como o muitos teimam em dizer).
Vamos ver se o tucanato sai dessa.

SINFERP disse...

Se tem uma coisa da qual não temos NENHUMA dúvida é que malandragem de multinacional (ou nacional) com governo tem agente público no meio. Como já afirmamos, se a malandragem empresarial é inaceitável, a participação de agentes públicos é mais do que inaceitável, pois eles estão lá fazendo negócios próprios com o nosso dinheiro. Quando o governo afirma que as empresas são inidôneas consegue tirar da reta. Quando, porém, o agente público é pego com a boca na botija, inidôneo é o governo, pois essas pessoas assumem cargos de confiança (do governo). Falando nisso, há uma nova dança das cadeiras executivas da CPTM.

Anônimo disse...

O mais engraçado de tudo isso e que o Governo de São Paulo tenta desvincular o partido das denúncias dizendo que não são ligados ao govwrno, mas até agora todos os nomes que apareceram (Zaniboni, Lavorente, Kalil) ocupam ou ocuparam cargos de confiança nas estatais, a CPTM foi totalmente inchada e aparelhada com cargos de confiança (encheram a empresa de ATE).
E essa dança da cadeira na CPTM, hein? De repente tudo mundo recebendo proposta irrecusável do mercado, hum...

SINFERP disse...

Acreditamos que o motivo é outro: estão tirando os que estão em evidência e colocando nomes novos. Quem, porém, resolver fazer uma "árvore genealógica", vai descobrir muita proximidade entre eles todos.