sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Motorneiro de bondinho acidentado em Campos do Jordão é indiciado por homicídio e lesão corporal

Acidente matou 3 e feriu 41 passageiros em 2012 na Serra da Mantiqueira. Condutor vai responder ao processo em liberdade, segundo a Polícia Civil.

O motorneiro do bondinho que descarrilou na serra, matando 3 e ferindo 41 pessoas em novembro do ano passado em Santo Antônio do Pinhal, vai responder por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) e lesão corporal culposa. Ele vai responder ao processo em liberdade.

A informação é da Polícia Civil, que deve indiciar o condutor com base nos laudos divulgados no dia 5 de setembro pela Polícia Científica. O inquérito está no fórum e deve retornar nos próximos dias ao delegado Vicente Lagiotto, responsável pelas investigações, para que seja concluído após a elaboração de um relatório.

De acordo com o delegado, o motorneiro foi convocado para prestar novo depoimento depois da conclusão do laudo, que apontou que a automotriz estava acima da velocidade permitida para o trecho. "Nós o chamamos de novo porque no primeiro depoimento ele havia alegado problema no freio. Mas ele vai responder o processo em liberdade porque não há elementos que justifiquem a prisão", explicou.

Se condenado, o motorneiro pode pegar até 3 anos de prisão pelo homicídio culposo e até 1 ano pela lesão corporal. "Evidentemente que à essa pena pode ser considerada pela Justiça algum agravante pelo número de envolvidos no acidente", disse Lagiotto.

O condutor da automotriz foi procurado por telefone pelo G1 nesta terça-feira (8), mas não atendeu as ligações. Ele é funcionário da Estrada de Ferro Campos do Jordão  (EFCJ) há 14 anos.

Perícia

A perícia da Polícia Científica chegou a mesma conclusão que o governo do Estado que constatou excesso de velocidade durante a sindicância aberta para investigar o caso. O bondinho turístico seguia de Campos do Jordão para Pindamonhangaba quando saiu dos trilhos e bateu em um barranco. Três mulheres morreram - uma delas estava grávida.

Além da velocidade, a perícia encontrou outra falha - os bancos não estavam bem fixados no assoalho, o que pode ter agravado o acidente. A operação do bondinho no trecho do acidente ficou suspensa por seis meses e voltou a operar em maio.

G1 – 08/10/2013

Comentário do SINFERP

Ficaríamos surpresos se a conclusão da perícia da polícia científica fosse diferente da do governo do Estado de São Paulo. Afinal, subordinada ao governo do Estado... Essa “conclusão” já estava evidente desde o primeiro momento que o Estado atribuiu ao motorneiro a “culpa” pelo acidente. NUNCA foi diferente com acidentes na CPTM, subordinada à mesma Secretaria dos Transportes Metropolitanos (como a Estrada de Ferro Campos do Jordão), do mesmo governo. Como perguntar não ofende, cabe uma dúvida: quem vai responsabilizar a empresa que “modernizou” a automotriz, e que estava com os bancos não bem fixados no assoalho, hein? Quem vai responsabilizar o agente público que aceitou e autorizou (além de pagar, é claro), uma "modernização" que não atendia a critério de segurança, hein?

Nenhum comentário: