sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Metrô-SP à beira de tragédia

Enquanto isso...
A composição do Metrô de São Paulo que descarrilou no dia 5 de agosto, nas proximidades da estação Palmeiras-Barra Funda, na Linha 3 Vermelha, voltou a sofrer uma pane “grave” na última quarta-feira (2/10). A falha colocou novamente a vida dos usuários em risco. Por volta das 18h30, na estação Santa Cecília, também na Linha 3 Vermelha, o trem abriu sozinho todas as suas portas, em todos os vagões, de ambos os lados – inclusive do lado oposto da plataforma, onde se encontra o trilho energizado. A composição está recolhida desde então. A ocorrência não foi divulgada publicamente, mas está registrada nos sistemas de segurança da Companhia do Metrô. A informação foi obtida junto a fonte interna, que não pode se identificar por razões óbvias.
De acordo com funcionários, bastava que os vagões estivessem lotados, como costuma ocorrer, e as pessoas certamente cairiam à via, sujeitando-se a choques elétricos, lesões e atropelamentos. “O Metrô é uma companhia de muita sorte”, disseram metroviários ao tomarem conhecimento da ocorrência. Segundo eles, dessa vez o acaso voltou a ajudar porque a falha ocorreu enquanto o trem se deslocava no sentido Palmeiras-Barra Funda. Se estivesse na direção contrária, encaminhando-se ao terminal Corinthians-Itaquera, dizem, estaria abarrotado e o desfecho seria diferente.

A composição é conhecida como K07 e pertence à frota K, recentemente reformada pelo consórcio MTTrens, integrado por MPE, Temoinsa e TTrans. A TTrans, líder do pool empresarial, é uma das companhias envolvidas nas denúncias de formação de cartel para burlar a concorrência em licitações para reforma de trens e ampliação da malha metroferroviária paulista. De acordo com documentos apresentados pela alemã Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), membros da administração tucana nos governos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra teriam participado do conluio.
Dois meses antes de abrir todas as suas portas em movimento, o mesmo K07, por volta das 6h da manhã, descarrilava nas proximidades da estação Palmeiras-Barra Funda. A composição teve um de seus truques (termo técnico que designa o sistema composto por rodas, tração, frenagem e rolamentos) danificados devido a um superaquecimento que, por sua vez, fora provocado pela ausência de graxa nas engrenagens da peça. Após sair dos trilhos, o vagão foi arrastado por 800 metros e danificou a linha de alimentação elétrica do trem. Houve estouros, curto circuitos e fumaça. Os passageiros saíram pela rota e fuga. Ninguém se feriu.
O acidente foi “inédito” no Metrô de São Paulo. Depois de entrar para a história, o K07, recém reformado, foi retirado de circulação por um mês. A peça danificada permaneceu num dos pátios da companhia, coberta com lona e sob vigilância de seguranças patrimoniais. Nem o Sindicato dos Metroviários nem membros da Comissão Interna para Prevenção de Acidentes (Cipa) puderam inspecioná-la. Tampouco receberam informações da empresa sobre a falha. Apenas no dia 5 de setembro é que tiveram conhecimento da versão oficial, pela boca de dois técnicos da Comissão Permanente de Segurança (Copese) do Metrô.
Na ocasião, em uma reunião da Cipa um dos membros da Copese garantiu aos metroviários: a possibilidade de que o K07 sofresse novos acidentes era baixa e, por isso, o trem seria liberado para operação. “Não há mais necessidade de permanecerem retidos”, afirmou o engenheiro, de acordo com a ata do encontro. “Não há interferência na segurança do sistema.” Pouco menos de um mês depois, na última quarta-feira (2), as portas do mesmo K07 se abririam automaticamente com o trem em movimento, colocando em risco a vida dos passageiros em pleno horário de pico.
Outros trens da frota K vêm apresentando falhas. Em 27 de agosto, Outras Palavras noticiou que o Metrô coloca sistematicamente em circulação as composições reformadas pela MTTrens mesmo quando estão com defeito. Também publicamos um levantamento informal realizado por metroviários da Linha 3 Vermelha que atestava: apesar de serem novos, os trens reformados e fabricados pelas empresas envolvidas no cartel – entre eles toda a frota K – apresentam média de problemas técnicos até quatro vezes maior que as composições antigas, com cerca de 30 anos de uso. Algumas chegam a registrar média de 35 defeitos por dia.

Na semana passada, funcionários constataram que até mesmo os extintores de incêndio de alguns trens da frota K estão com a validade vencida pelo menos desde abril. Mas nem todos os defeitos são tão pueris. “Houve um dia em que eu mesmo estava no K07 quando constatei que o sinalizador de falhas não estava funcionando, ou seja, poderia ocorrer qualquer problema que o operador não teria informação nenhuma”, denuncia um condutor da Linha 3 Vermelha do Metrô que também não quis se identificar por medo de represálias – ainda mais agora que a companhia iniciará programa de demissões para cortar gastos como desculpa para manter o preço da tarifa em R$ 3.
“Para piorar, fiz um teste e percebi que o botão de emergência, quando acionado pelo usuário, não tocaria nenhum alarme na cabine”, continua, apontando defeitos básicos na segurança do sistema. “Somando essas duas falhas, o trem poderia estar pegando fogo e o operador não saberia. O usuário tentaria informá-lo através do botão de emergência e não conseguiria, pois não se escutaria nenhum alerta na cabine. Essas falhas foram registradas. E são constantes.”

Outras Palavras – Tadeu Breda – 09/10/2013

8 comentários:

Anônimo disse...

Poxa !!!!! Trem novo em tráfego e a partir do nada abre as portas sem a intervenção do operador !!!!!!Falha gravíssima.

SINFERP disse...

Põe grave nisso. Bem, fosse na CPTM, e diriam que algum vândalo ou sabotador acionou comando manual para abertura das portas. Ao menos nisso - e por enquanto - o Metrô é mais ético. Pode até esconder, mas não sai por ai procurando "culpados".

Carlos disse...

Eu ja não pegava o K7 desde o acidente. Agora passarei a não pegar K nenhum!

alex sandro disse...

Restam duvidas q a " modernização " é um fracasso?? que esses trem ainda vão causar alguma tragédia??

eleições vem ai cabe a nós mudar isso nas urnas...

Thiago nunes viana disse...

dado a gravidade dos problemas, acho que seria bom os metroviarios iniciarem uma greve alegando os riscos de operar esses trens.... talvez essa seja a unica forma de chamar a atenção da midia e esclarecer a população o que se passa por traz dos anuncios de "devido a uma falha tecnica os trens circulam com velocidade reduzida e maior tempo de parada nas estações".... se depender da vontade do estado, o povo vai morrer a toa nos tuneis do metrô. ja estão quase enterrando a história do cartel, ja deram sinais de que apenas a siemens vai "pagar" o pato sozinha.... pra mim, não há mais como confiar em nenhuma instituição estadual..... (e com o caso do motorneiro recebendo quase toda a culpa pelo acidente no bondinho da e.s. campos do jordão - o que não é diferente nos acidentes da cptm, temos outra prova de que o "estado de são paulo" existe apenas para protejer as empresas do cartel)....... acho que isso vale uma manifestação.... pelo menos uma antes que tenhamos de chorar o sangue derramado.

SINFERP disse...

Qualquer partido que fique muito tempo no governo e acaba dando nisso. Tem tempo de sobra para cooptar pessoas e instituições nos mais diversos níveis decisórios. Os que não conseguem cooptar massacram, como fazem com o SINFERP, por exemplo. Nossas denúncias nunca são acolhidas, mas somos processados. Algo similar está acontecendo, agora, com um sindicalista da Central do Brasil. Será igual com a Siemens. Considerada ré confessa vai arder no plano do judiciário, e os denunciados vão escapar de fininho. Diante da possibilidade de um acidente significativo, e a responsabilidade irá recair no maquinista, ou na figura difusa de algum vândalo ou sabotador. Para quem acompanha o São Paulo TREM Jeito, sabe que é SEMPRE assim.

Anônimo disse...

o governo do estado de SP está mais preocupado com as eleiçoes. se acontecer algum acidente no metrô, vao dar um jeito de arrumar um culpado. tercerizaçoes, modernizaçoes, sucateamento, aumento de demanda sem aumento na infra-estrutura, nada disso importa. o grande problema de tudo isso é que nosso povo continua fã dos tucanos, principalmente no interior. nao duvido nada se o picolé de chuchu for reeleito em 2014. com certeza ele vai dar um gargalhada em cima dos eleitores trouxas que os elegeram mesmo com todas as provas de pessima administraçao. estamos falando só dos transporte, mas nao podemos esquecer do caos na educaçao, saude e principalmente na segurança publica.

SINFERP disse...

A base de sustentação dos governos de plantão é sempre o interior. O coronelismo perdura, ainda que na forma de neo-coronelismo. Isso é verdadeiro também para o Estado de São Paulo. Os tucanos ainda se preocupam com Metrô, pois serve a públicos que formam opinião pública. Não queira saber o descaso com as massas servidas pela CPTM. O chato é não ver projetos da parte dos demais partidos políticos.