quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Diretores da Iesa negam participação em suposto cartel em licitações

Enquanto isso...
Representantes da fábrica de Araraquara foram ouvidos durante CPI. Vereadores da Câmara de São Paulo questionaram contrato com Hyundai.

Os diretores da fábrica Iesa de Araraquara (SP) negaram participação no suposto cartel envolvendo licitações da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM) na capital paulista. Eles foram ouvidos na quinta-feira (24) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Transportes da Câmara Municipal de São Paulo, que investiga suspeita de fraudes em consórcios.

Segundo a assessoria de imprensa da Iesa, o presidente da empresa, César Fiedler, e o vice-presidente, Ricardo Woitowicz, prestaram depoimento à CPI e responderam às perguntas dos vereadores sobre contratos assinados recentemente, incluindo o consórcio de R$ 790 milhões entre a Iesa e a norte-coreana Hyundai, firmado em agosto com a CPTM

Os vereadores questionaram a participação da empresa em duas licitações que seriam semelhantes, mas que tiveram diferença no preço oferecido. O valor ofertado na concorrência que teve a Iesa como vencedora era bem abaixo da outra licitação, que a empresa perdeu. A suspeita dos integrantes da CPI é de que a Iesa tenha feito acordo com outra concorrente, para que cada uma ganhasse um dos lotes.

À comissão, a Iesa negou a existência de um acordo entre as concorrentes e justificou porque o preço de uma oferta era maior que a outra. “No lote dois a gente teria que ser mais conservador porque os investimentos são muito grandes e a gente teria que buscar outra instalação fabril para suportar isso”, afirmou o vice-presidente da empresa, Ricardo Woitowicz.

O presidente da CPI Paulo Fiorilo (PT) disse que esses preços podem influenciar no valor da tarifa do transporte público. “Essa é a discussão que a gente tem que trazer para a CPI, e se há desvios de recursos que possam interferir nos custos da planilha nós vamos apontar no final”, afirmou.

Os diretores da Iesa confirmaram também à comissão que a reforma de três trens da CPTM foi interrompida porque o Tribunal de Contas do Estado (TCE) encontrou irregularidades na licitação do serviço. Os vagões estão desmontados desde 2010 na sede da empresa em Araraquara e a Iesa aguarda ressarcimento do Estado, já que o contrato foi quebrado.

A Iesa foi a quinta empresa convidada a falar à CPI dos Transportes na Câmara de São Paulo sobre as suspeitas de fraudes nos processos licitatórios nos trens da CPTM. Além dela, representantes da Mercedes-Benz, Temoinsa , Tejofran e Siemens também foram ouvidos.

‘Cartel’

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) investiga uma suposta formação de cartel para licitações do Metrô de São Paulo e do Distrito Federal e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Segundo reportagem do jornal "Folha de S. Paulo" publicada no dia 2 de agosto, a empresa alemã Siemens, que faria parte do suposto esquema, entregou ao Cade documentos em que afirma que o governo de São Paulo sabia e deu aval à formação de um cartel que envolveria 18 empresas.

Além da Siemens, seriam ainda participantes subsidiárias da francesa Alstom, da canadense Bombardier, da espanhola CAF e da japonesa Mitsui.

G1 – 25/10/2013

Comentário do SINFERP


Puxa! Finalmente alguém resolveu voltar os olhos para um fato atual, tão questionado pelo SINFERP aqui no São Paulo TREM Jeito? Para variar o questionamento recai sobre as indústrias, mas não sobre a CPTM, que sabia da dança dos números, e mesmo assim aceitou o jogo. E ainda querem nos fazer crer que agentes públicos são vítimas dessas coisas...

5 comentários:

Anônimo disse...

E óbvio que houve conluio entre Hyundai-Iesa e a CAF Brasil, só não vê quem não quiser. Segundo corre nos corredores da rádio engenheiro-peão da CPTM, o conluio aconteceu porque a CAF Brasil não tinha mais condições de abaixar os preços (a lenda de que os trens da CAF são "baratos" caiu por terra) e havia o temor da chinesa CNR pegar os dois lotes. Isso geraria um extremo desgaste no governo de SP e no atrapalhado homem do lobby Secretário Fernandes, pois os trens seriam montados na China, gerando empregos lá e não nas montadoras instaladas, com todo tipo de isenção fiscal, no interior de SP.
A CAF Brasil usou de toda sua influência no governo de SP (seu presidente Paulo Fontenelle e ligado ao tucanato, foi secretário adjunto de segundo escalão em alguns períodos dos dois mandatos de FHC) para pegar ao menos um dos lotes. O resto todo mundo já sabe.

SINFERP disse...

Ah, Anônimo, mas tudo isso foi feito sem que gestores da CPTM soubessem ou ao menos percebessem pela diferença dos números. Tadinhos deles. São vítimas dos homens maus da indústria.

Anônimo disse...

os trens da CAF são mais baratos e de qualidade inferior ou que até entao era praticado aqui na ferrovia paulista, tanto que a mesma radio engenheiro-peao diz que agora o 7000 virou referencia de "qualidade", ou seja, quem vier a fabricar trens para a CPTM vai fazer com a qualidade nivel CAF pois viram que nao é preciso caprichar muito.

Anônimo disse...

Como disse no primeiro comentário, a CAF Brasil usou de toda pressão e influência que no Governo do SP para pegar ao menos um lote, como acabou pegando, houve inclusive ameaça de fechamento da fábrica montadora de Hortolândia (lembram do "manifesto da ABIFER" publicado na Revista Ferroviária?). A CPTM e a STM sempre souberam de tudo.
O problema e que tanto a CPTM quanto o Metrô, em relação ao material rodante, tornaram-se escravos da Alstom e da CAF, não há referência de outra montadora até que os trens coreanos-brasileiros da Iesa cheguem.
Não devemos esquecer que todas essas multinacionais ferroviarias aqui no Brasil são meras montadoras, não produzem tecnologia, os fornecedores de componentes e peças serão os mesmos, e elas continuarão deitando e rolando na CPTM e no Metrô, afinal de contas, como a rádio engenheiro-peão da CPTM, a CAF e a Alstom mandam na Companhia.

SINFERP disse...

Perfeito o seu comentário, Anônimo. De fato são meras montadoras, e não produzem nenhuma tecnologia. Lamentavelmente, também, nem mesmo nossas universidades se prestam a isso. Foi-se o tempo, infelizmente - e considerando a defasagem técnica e tecnológica em relação ao período - que se podia falar, no Brasil, em indústria ferroviária e em produção de conhecimento ferroviário. Bem, tampouco a CPTM produz ou ao menos incentiva a produção de conhecimento ferroviário.