sábado, 26 de outubro de 2013

Acidente ferroviário dá combustível à eleição argentina

Às vésperas de pleito legislativo que pode mudar sua sustentação parlamentar, governo insinua que houve sabotagem.
A seis dias das estratégicas eleições parlamentares do próximo domingo, o governo argentino expressou nesta segunda-feira suas suspeitas de que houve sabotagem no acidente ferroviário que deixou cerca de cem feridos no sábado, em Buenos Aires.
— Tão perto das eleições, sempre acontecem coisas difíceis de explicar — afirmou o vice-ministro da Segurança, Sergio Berni.
O ministro do Interior e do Transporte, Florencio Randazzo, afirmou no fim de semana que "não descartava nenhuma hipótese", após ser indagado sobre uma possível sabotagem.
O disco rígido com as gravações da câmera de segurança que registra o que ocorre na cabine do condutor foi encontrado semidestruído dentro da mochila do condutor do trem, Julio Benítez, que foi internado, mas recebeu alta nesta segunda-feira.
— Há uma questão muito objetiva, que é por que não estava no lugar em que tinha que estar, e sim em sua mochila — enfatizou Berni.
A suspeita de sabotagem, no entanto, foi descartada pelo sindicato do setor ferroviário.
Pelo menos 99 pessoas ficaram feridas no choque do trem, na estação terminal Once de Buenos Aires.
O porta-voz do sindicato de maquinistas La Fraternidad, Horacio Caminos, informou que o condutor da composição é um profissional sério e com muita experiência.
O acidente ocorreu na mesma estação terminal onde o choque de um trem contra a plataforma de embarque deixou 51 mortos e 700 feridos em 22 de fevereiro de 2012, em uma das piores tragédias ferroviárias da Argentina. Em 13 de junho passado [2013], outro acidente na linha Sarmiento deixou 13 mortos e 155 feridos quando um trem de passageiros se chocou com outro que estava parado perto da estação Castelar, 30 km a oeste de Buenos Aires.
Depois desses acidentes, o governo nacional anunciou uma troca de composições, todas em péssimas condições, por trens fabricados na China.
Os acidentes de trem também podem comprometer a popularidade do governo de Cristina Kirchner às vésperas das eleições parlamentares que definem o futuro do seu governo.
Zero Hora – 21/10/2013

Comentário do SINFERP


Quem acompanha a saga do São Paulo TREM Jeito sabe como o governo de São Paulo se comporta quando de falhas e acidentes: culpa do maquinista, de algum vândalo ou sabotador. É SEMPRE assim. Parece que esse desculpômetro oficial está agora sendo importado e adotado pelo governo do país vizinho. O transporte ferroviário metropolitano da Argentina  consegue ser pior do que o da SuperVia, que pelo menos não registra acidentes. A ferrovia metropolitana argentina coleciona acidentes, e agora aparecem para dizer que este último, por ter ocorrido às vésperas das eleições, é produto de sabotagem? Como pode alguém acreditar nisso? Qual a dificuldade para explicar essa sequência de acidentes que não seja pelo sucateamento do sistema dos trens metropolitanos na Argentina? Ah, compraram trens novos da China? A CPTM nem mesmo tem onde armazenar os trens novos que compra, mas as falhas são quase diárias, pois o problema é sistêmico e, embora a empresa tenha SEMPRE negado as afirmações do SINFERP, está "modernizando" via permanente, sinalização, energia, etc. 

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