quinta-feira, 19 de setembro de 2013

SP: Governo quer acabar com circulação de trens de carga durante o dia

Enquanto isso...
O governo de São Paulo quer eliminar a circulação de trens de cargas nos trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) durante o dia. Hoje (19) o governador do estado, Geraldo Alckmin, disse que vai notificar a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a MRS Logística, que tem a concessão federal para o transporte de carga, para que os trens cargueiros circulem apenas no período da noite.

A decisão do governador foi anunciada um dia após um acidente envolvendo um cargueiro, que transportava bauxita, e uma composição de passageiros da CPTM, que deixou 13 pessoas feridas. O acidente aconteceu entre as estações Franco da Rocha e Baltazar Fidelis (Linha 7-Rubi), que liga a Estação da Luz a Francisco Morato. Desde as 11h20 de ontem (18), a circulação de trens está interrompida neste trecho e, segundo a CPTM, ainda não há prazo para o serviço voltar ao normal.
“Eles precisam tomar as providências para utilizar os trilhos apenas no horário noturno, o chamado deserto, quando não há trem de passageiros”, disse Alckmin. Segundo o governador, o peso do transporte de cargas é enorme e é totalmente inadequado o compartilhamento de trilhos entre carga e passageiros.

Atualmente, devido a um convênio feito com o governo federal, as vias dos trens metropolitanos da CPTM são compartilhadas com os trens de carga. Os trens cargueiros podem circular na CPTM em dois horários, considerados de menor movimento: das 10h às 15h e das 22h às 3h. A única linha em que os trens de carga não circulam é na Linha 9-Esmeralda (Osasco-Grajaú).

Nas demais cinco linhas, circulam cerca de 70 trens de carga por dia.

De acordo com o governo estadual, a quantidade de carga transportada por mês, em média, é 2,9 milhões de toneladas-bruta. Já os trens de passageiros chegam a transportar cerca de 2,6 milhões de passageiros por dia e a expectativa do governo é que o número aumente com a expansão da linha. “Em 2016, encerra-se o convênio e nós não queremos mais o trem de carga. Já alertamos o governo federal sobre a necessidade de uma alternativa para o transporte de cargas em São Paulo”, disse o governador.

Jornal do Brasil – 19/09/2013

Comentário SINFERP


Decisão importante. Se, porém, há o reconhecimento de que não circulam trens de carga na linha 9-Esmeralda, por que persiste o perigoso vão entre a plataforma e o piso dos trens, além do desnível de altura também entre plataforma e piso dos trens?

14 comentários:

Paulo R. Filomeno disse...

Sempre conviveram trens de carga e passageiros nas linhas da antiga EFSJ. O problema é que com a malfadada privatização, as operadoras, no afã de maximizar seus lucros, resolvem utilizar longos trens unitários puxados por 3 locomotivas diesel. Aí não tem linha e "headway" que aguentem, vira um transtorno mesmo. Só que até o final dos anos 90, os trens cargueiros que circulavam pela EFSJ eram trens mais curtos e mais frequentes, com 15-20 vagões tracionados por locomotivas elétricas, as famosas "Pimentas". Assim, desenvolviam maior velocidade e circulavam entre os trens suburbanos, utilizando a "linha do meio" entre Pirituba e Santo André regularmente, além do que os trens suburbanos iam de Paranapiacaba a Francisco Morato (e alguns horários, Jundiaí), diretos. Agora, os caras conseguiram seccionar a linha de passageiros em 3 pedaços, Rio Grande da Serra-Brás, Brás-Luz e Luz-Jundiaí, causando transtornos muito maiores para os usuários da linha. Aí vem dizer que o trem de carga é culpado... pode ser, pois do jeito que está hoje atrapalha mesmo. Mas não é o único.

SINFERP disse...

Não é mesmo, Paulo. Como, entretanto, esse acidente foi atribuído a um trem de carga, e que está sob a tutela do governo federal, é a oportunidade para CPTM e governo de São Paulo "tirar da reta" e, como de costume, empurrar a "culpa" para outros. Nada de novo, portanto. Como se a CPTM fosse uma maravilha sem os trens de carga, ou como se ela não pudesse ser uma maravilha, mesmo com os trens de carga. Como exemplo os criminosos vãos e desníveis entre trens e plataformas, até mesmo onde não trafegam trens de carga.

Anônimo disse...

Quem determina o direito de passagem no que diz respeito ao compartilhamento da malha é a ANTT ( Agência Nacional de Transportes Terrestres ), cuja malha operada pela CPTM e compartilhada pela MRS Logística pertence a União.Existe um contrato de direito de passagem e se este contrato for quebrado cabe recurso jurídico.....

SINFERP disse...

Sim, Anônimo, isso é sabido. É o governo de São Paulo refém das próprias regras de privatização que inventou no passado. Nenhum contrato, porém, pode colocar-se acima de certas determinantes, dentre elas a da segurança pública. Seria análogo a permitir o tráfego aéreo sobre cidades, quando aviões começam a cair sobre elas. O SINFERP nem mesmo é contrário ao trânsito de cargas e de passageiros nas mesmas linhas, uma vez que o ferroanel de carga deixará a economia de São Paulo inteiramente por conta de caminhões, o que complica ainda mais o trânsito, mas é necessário disciplinar essa convivência. Entendemos que transporte de nenhum produto pode sobrepor-se aos cuidados com o transporte de pessoas.

Anônimo disse...

a unica linha que não é partilhada trens de carga e passageiros é a linha 11 expresso leste. é bom que se diga que os trens de carga nao rodam na linha 9 atualmente, mas nao quer dizer que o trecho é exclusivo da CPTM, tanto que o trecho continua com bitola mista.

Paulo R. Filomeno disse...

Anonimo, o problema é que a Linha 9 após Grajaú teve os trilhos retirados após Grajaú, até próximo de Evangelista de Souza. Agora, quem fez isso e por que é que ninguém sabe.

SINFERP disse...

Mistérios, mistérios... Quem deveria estar interessada e capacitada para responder a essas dúvidas é a Frente Parlamentar em Defesa da Malha Ferroviária Paulistas, mas...

Anônimo disse...

pelo que sei, o trecho entre grajau e evangelista de souza foi invadido por favelas e o pessoal roubou os trilhos para vender. tanto que o governo teve de fazer uma reintegraçao de posso para construir a futura extensao de linha 9, onde já existia antes. e essa situaçao nao é exclusiva daquele trecho, muito trecho desativado pelo brasil afora acabou sendo tomado por moradores e os trilhos, rede aerea e ate peças de trens abandonados sendo roubados.

SINFERP disse...

Isso aconteceu e acontece porque governos (federal e estadual) simplesmente abandonaram tudo, e era (e é) responsabilidade deles cuidar, ainda que desativados.

Paulo R. Filomeno disse...

Não foi invasão, pois eu tenho em meu acervo uma foto de uma locomotiva LEW ainda com as cores da Fepasa (embora já no tempo da privatização) fazendo o desmonte da via em Colonia Paulista. Porém, reconheço que essa história de invasão é uma boa desculpa, tanto para os que não querem trens de carga em suas linhas quanto para aqueles que preferem buscar um gordo empréstimo para duplicação de linhas alegando que não há rotas de contingência.

SINFERP disse...

Nossa.... Boa, Paulo Roberto...

Anônimo disse...

Mais uma vez, o Governador Alckmin leva a discussão para o lado partidário, um assunto que o Governador e seu partido tem muita culpa no cartório, vejamos:
-O convênio de compartilhamento de vias nas linhas da CPTM, e da época da privatização das ferrovias feitas pelo PSDB;
-O trem que descarrilou em Franco da Rocha e um trem de bauxita da MRS que tem como destino a fabrica da CBA, em Alumínio, Região de Sorocaba. Para quem não sabe, esse trem só passa pela linha 7, dando essa volta enorme por Jundiaí, Campinas e descendo de volta para Mairinque, porque o trecho entre Mairinque e Amador Bueno e de bitola métrica e está completamente abandonado. Esse trecho e da CPTM, do governo do Estado e mesmo com o ferroanel proposto, com trechos entre Manoel Feio e Campo Limpo Paulista e Evangelista de Souza e Rio Grande da Serra, ainda teríamos trens de carga utilizando a malha da CPTM.

Anônimo disse...

Este texto escrito pelo Ralph Mennucci em seu blog, em 2011, explica melhor o que quis dizer no post anterior, o link:
http://blogdogiesbrecht.blogspot.com.br/2011/09/o-ferroanel-de-sao-paulo-e-um-acumulo.html?m=1

SINFERP disse...

E você acha que, no escapismo de costume, o governo de São Paulo deixaria de transferir responsabilidade para terceiros, ainda sendo, no caso, o governo federal? Não fosse o governo federal, e certamente seria algum vândalo, sabotador ou ferroviário. É SEMPRE assim.