domingo, 14 de julho de 2013

Empresas investigadas “dizem” colaborar com investigação sobre "mutretas" em licitações no Metrô e na CPTM

Empresas estrangeiras investigadas já declararam interesse em participar de licitação do trem-bala.

Acusadas de formação de cartel pela Siemens, empresas de equipamento ferroviário ouvidas pela Folha admitiram ser alvo da investigação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e informaram que estão colaborando com o governo brasileiro.

Questionada sobre sua motivação para a assinatura de um acordo de leniência e sua participação em cartel, a Siemens afirmou, em nota, que "desde 2007, a empresa tem feito grandes esforços para desenvolver um novo e eficaz sistema de compliance' (cumprimento de normas) e ética nos negócios".

Ainda segundo a empresa, seu código de conduta "enfatiza a importância de uma concorrência leal e obriga todos os funcionários a cumprir com os regulamentos antitruste. A empresa sempre coopera integralmente com as autoridades".

A Alstom disse que "está colaborando com as autoridades" após receber um "pedido do Cade para apresentar documentos relacionados a um procedimento administrativo referente à lei concorrencial".

A Mitsui disse que tem "diligentemente cooperado com as investigações", mas não comenta o caso em andamento.

A Serveng afirmou que não tem conhecimento aprofundado da investigação para se manifestar. As demais empresas não se manifestaram.

INVESTIGAÇÃO

Pelo menos seis concorrências estão na mira das autoridades. Em São Paulo, são as da linha 5-lilás (fase 1) do metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e a extensão da linha 2-verde do metrô. A manutenção e contratação de trens e o projeto Boa Viagem, todas da CPTM, completam a lista.

No Distrito Federal, a apuração é sobre o contrato de manutenção do metrô.

A implantação dos sistemas da linha 5-lilás (na época chamada de linha G da CPTM) foi vencida pela Siemens no final dos anos 1990. Até àquela época, o mercado brasileiro era dominado pela Alstom.

Outra concorrência em SP investigada é a da venda de dez trens para a CPTM em 2000. Os trens foram feitos em parceria com a japonesa Mitsui.

No início do mês, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que o governo dará todas as informações e fará investigação própria.

No metrô do DF, a licitação para a manutenção de trens ocorreu em 2005, e o contrato foi assinado em 2007. Siemens e Alstom fizeram um acordo para dividir o serviço, no valor de R$ 96 milhões ao ano.

TREM-BALA

As cinco empresas estrangeiras investigadas integram o grupo que domina a tecnologia de trens de alta velocidade. Todas elas declararam-se, em algum momento, interessadas em participar do processo no Brasil que vai escolher quem fornecerá os equipamentos do trem-bala.

Além delas, não mais que outras cinco companhias no mundo poderiam vender trens de alta velocidade para o país. Dessas, só a sul-coreana Rotem demonstrou interesse.

A venda de equipamentos metroferroviários é um mercado de mais de R$ 4 bilhões ao ano no Brasil. A maior parte dos clientes é estatal.

A CAF tem a maior fatia do mercado. Desde 2008, ela vence os mais volumosos contratos do maior comprador do país, o governo de São Paulo.

Folha de São Paulo – 14/07/2013

Comentário do SINFERP


O governo de São Paulo fará investigação “própria”? Agora que tornou-se alvo de investigação federal? Só pode ser piada. Da mesma forma que investiga falhas e acidentes na CPTM e na Estrada de Ferro Campos do Jordão? Tá bom! Diante da denúncia da Alstom, é mais fácll "sobrar" para ela do que para os denunciados. É o que acontece conosco: desalojados de sede social, processados, perseguidos nos locais de trabalho e demitidos. SE (o condicional é imperativo) "sobrar" para um ou outro denunciado, certamente será para alguém bargrinho nesse mar de tubarões. Para gestores da CPTM não sobrará nada, pois nada sabem sobre esse jogo de interesses. Coitados.

14 comentários:

Anônimo disse...

vamos ver ate onde vao fazer alguma coisa.

SINFERP disse...

Não acreditamos que façam muita coisa, se é que façam alguma.

Anônimo disse...

Nessas últimas licitações da CPTM (terceirização da manutenção e compra dos 65 trens), a companhia se superou, parece que a sensação de impunidade era tanta que ela nem se importou em ao menos mascarar os indícios de fraude, cartel e conluio. O favorecimento a CAF foi tanto, que mesmo para uma pessoa leiga era claro ver o favorecimento a CAF. Não existem heróis ou santos nesta história, mas para empresas irem ao Cade e jogarem toda essa sujeira no ventilador, a ligação entre CPTM e CAF têm que ser investigada. Por que uma empresa que não produz tecnologia, e uma mera montadora de trens no Brasil, fabrica trens tão problemáticos, uma assistência técnica precária (segundo relatórios mensais da própria CPTM, o consórcio PPP 5000 C-trens têm os piores índices de MKBF e MTTF das manutenções de trens da companhia) vem dominando a empresa desse jeito.

SINFERP disse...

Não é apenas "sensação" de impunidade, mas sensação de "certeza" de impunidade. O que mais pode motivar uma empresa a toda sorte de desmandos, do que a ausência de qualquer órgão fiscalizador externo? Faz o que quer, quando quer e como quer, sob o manto da inexpugnável blindagem do governo, sob o desvio de olhares do Ministério Público, Assembleia Legislativa e imprensa. Age com truculência sobre quem reclama, e fica tudo por isso mesmo. Observe que, pelo noticiário, a PF foi para cima dos denunciados, mas nada diz sobre alguém ir para cima da CPTM, que faz os editais e decide. Uma auditoria SÉRIA (autônoma, independente) sobre a CPTM, em áreas de contratos, materiais e técnicas, e muita gente iria no mínimo parar na rua. Como porém, em última instância "sobra" para o governo, todo mundo vai fazer parte da operação "abafa".

Anônimo disse...

E verdade, não se vê nenhum questionamento a respeito dos editais da empresa, apenas sobre os participantes, nada sobre os diretores da empresa, o presidente Bandeira e o Secretário Fernandes, como se não soubessem de nada.

SINFERP disse...

Tem muito rolo no meio disso tudo, amigo. Pena não acreditarmos em Ministério Público, e muito menos em "oposições". Parece que o rabo é mais preso do que se pode imaginar.

Anônimo disse...

Pelo que li em sites especializados, o Cade pode apenas multar as empresas envolvidas, investigação criminal, abertura de inquérito e eventuais pedidos de prisões e anulação de licitações são responsabilidades da Polícia Federal, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado. E aí que mora o perigo, pois tanto PT quanto PSDB são envolvidos até a medula com empreiteiras e grupos econômicos poderosos. Também chama a atenção que justamente neste momento em que se questiona a qualidade do transporte público, os subsídios pagos as empresas e as ligações com partidos politicos, surjam estas notícias de fraudes nas licitações da CPTM e do Metrô, o governo federal que não consegue licitar o TAV e o governo estadual não consegue emplacar suas discutíveis PPP's.

SINFERP disse...

Isso mesmo, caro. Quanto muito um ou outro toma uma multa e tudo fica na mesma. Recorre, ganha tempo, e ainda é capaz de sair ileso. Dão um tempo até a notícia esfriar, e tudo volta a ser como sempre foi. O denunciante ganha "boi" em novo contrato, se acertam novamente, e "la nave va". Bem, nós somos descrentes em relação a tudo isso, motivo de termos aprendido a contar conosco. Não temos vínculo partidário e até o momento não somos filiados a nenhuma central. Vamos fazer campanha contra o PSDB em 2014, mas não temos ilusão com nenhum outro partido. Já viu algum partido com projeto para transporte de pessoas sobre trilhos (metropolitano ou regional) no Estado de São Paulo? Nós, não!

Anônimo disse...

sou apartidario e nao vejo muitas diferenças entre os partidos, mas tenho certeza de que se esse escandalo fosse ligado a administraçao do PT, seria muito maior a repercussao. infelizmente presenciamos uma blindagem ao PSDB, tanto por parte da imprensa (onde noticias como essas tem q ser bem procuradas, pois estao nos rodapés da informaçao) e tambem por parte do povo paulista, q insiste no governo tucano de sempre

Anônimo disse...

quando a C-trens assumiu a manutençao do 5000, e o SINFERP deve saber melhor do que nós, foi um deus nos acuda e o MPE que aparentou que ia fazer alguma coisa a respeito, nada fez. vamos botar uma coisa na cabeça: esses contratos sao feitos para dar certo, nao importa como, nem q os trens tenham ser rebocados de locomotiva na operaçao comercial. depois dessa, eu perdi as esperanças na CPTM e em alguma autoridade competente. nao sei a situaçao atual, mas ate ano passado os piores MKBF eram das frotas terceirizadas, sem exceção. todos abaixo da meta, inclusive do serie 3000 de responsabilidade da siemens, q nem o banco de baterias trocou em 12 anos de manutençao, resultando em um trem q nao segura nem 4 horas na bateria. nessa historia todos estao sujos, e quem caguetou é porque viu o bolo ser repartido e nao ficou com aprte q desejava, porque senao estava caladinho. CPTM é do setor ferroviario, mas é uma barca furada.

SINFERP disse...

Sim, Anônimo, conhecemos bem esses desmandos todos, e mais alguns. O problema maior é que a atual direção da CPTM fez da empresa mero balcão de negócios. Não investe em nada que seja próprio, em especial no desenvolvimento do conhecimento ferroviário. Aliás, não produz nada: apenas compra. A atual direção conseguiu uma unanimidade - não tem respeito de usuários e nem de ferroviários. Mas, como o governo mantém essa direção na testa da empresa, resta deduzir que ela apenas espelha a mentalidade e desejo do próprio governo.

Anônimo disse...

Segundo relatórios de Engenharia da própria CPTM, as frotas de manutenção terceirizada têm índices de MKBF e MTTF bem inferiores aos de manutenção própria, mas chama muita atenção que os dois consórcios que tinham melhores índices dentre as terceirizadas, o Cobraman e o Comafer, foram destituídos em detrimento da Tejofran e Temoinsa (o tal consórcio TMT). A CAF realizou um precário serviço de assistência técnica, deixou as séries 7000 e 7500 repletas de pendências e sua quarterizada C-trens, têm os piores índices de MKBF e MTTF da companhia superior apenas a Siemens, que simplesmente abandonou o trem 3000 no último contrato, a ponto de nem ter recebido aditivo no contrato. Para se ter idéia da deficiência da PPP 5000, em algumas épocas, a fiscalização da CPTM fica proibida pela gerência e engenharia da empresa de reter trens da série 8000, para evitar multas na empresa.

Anônimo disse...

a fiscalização da CPTM existe somente para constar, mas nao fiscaliza nada. nao por culpa dos fiscais, mas por culpa da propria empresa q beneficia os contratados e cria todo um sistema onde a fiscalizaçao nao fiscaliza de verdade. a CPTM nao é uma mae, é uma avó com os contratados. aí as contratadas, por sua vez, acabam por fazer servicinhos para CPTM, como a contrataçao de serviços e empresas q deveriam ser feitas pela maquina burocratica do estado, sao feitas abrindo mao de multas, e ainda favorecendo empresas ligadas a diretores e gerentes da CPTM e do governo estadual. é tudo uma grande mafia, e o grande perdedor é o usuario, que vê o dinheiro publico sendo mal utilizado e ainda recebe um serviço de 5ª categoria, por gente q pensa em tudo, menos em ferrovia.

se é verdade que muita gente da CPTM, do governo do estado e de partidos visitam esse blog para bisbilhotar o q se escreve por aqui, se esse povo fosse serio ja teriam no minimo aberto uma CPI para apurar toda essa baderna. no minimo. mas no maximo q eles vao fazer é calar o bico de quem reclama com uma boquinha em algum contrato.

SINFERP disse...

CPI não abrem, Anônimo. Nem mesmo esperneiam. Tentam, isso sim, é calar a nossa boca, nos desalojando de sede social, processando dirigentes, perseguindo dirigentes em postos de trabalho, punindo e demitindo.