segunda-feira, 1 de abril de 2013

Projeto do metrô de São Paulo, de 1968, previa mais estações


O projeto original do metrô paulista, que está completando 45 anos, se parece só um pouco com o que virou realidade. A proposta indicava que São Paulo deveria ganhar 75 estações, oito a mais do que as existentes hoje. O traçado da rede básica, entregue em 1968 à gestão do prefeito José Vicente Faria Lima (1965-1969) - à época, a Companhia do Metropolitano pertencia ao governo municipal -, era composto por quatro linhas, denominadas conforme o traçado.
Elaborado pelo consórcio alemão HMD (das empresas Hochtief, Montreal Empreendimentos e Deconsult), o esquema era ousado, com ambição de transformar a mobilidade em uma metrópole que já sofria com os congestionamentos e a falta de um bom transporte coletivo. Os estudos tinham como cenário e meta o ano de 1987. Pela proposta alemã, naquele ano, os paulistanos deveriam ter à disposição 66,2 quilômetros de metrô, uma extensão que só seria atingida (pasmem) mais de duas décadas depois. Hoje, a rede metroviária tem 74 quilômetros de comprimento, acanhada perto de cidades menores, como Londres (402 quilômetros) e Santiago do Chile (103 quilômetros).
O então prefeito foi ainda mais longe e, na introdução que escreveu para o projeto original, afirmou que São Paulo precisaria de 360 quilômetros de linhas de metrô em 1990. Mas por que os sucessivos governos do município e, depois, do Estado falharam em seguir até mesmo o plano de 1968, entregando os ramais em um ritmo muito lento?
De acordo com o Metrô, além da insuficiência de recursos, a cultura do automóvel "refletiu-se diretamente, então, no ritmo insatisfatório de metrô para a dimensão em que a metrópole foi se transformando". Por sua vez, o presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô (Aeamesp), José Geraldo Baião, avalia que a execução foi estancada porque a fonte de dinheiro secou. "Depois de inaugurarmos a primeira linha em 1974, houve a crise do petróleo. Foi um incentivo a mais para investir em transporte eletrificado, mas, ao mesmo tempo, tivemos problemas financeiros que ficaram mais latentes nas décadas de 1980 e 1990."
Em 1968, a cidade tinha 5,8 milhões de habitantes. Hoje, são 11 milhões de moradores. Muitos deles vivendo nos extremos da capital, que são carentes de metrô.
A arquiteta e urbanista Lucila Lacreta, diretora do Movimento Defenda São Paulo, acredita que a capital seria melhor hoje se, em 1987, todo o projeto tivesse sido concretizado. "Provavelmente, teriam a capacidade de continuar planejando mais metrô conforme o crescimento da cidade."
O atual governo do Estado promete "a maior ampliação de metrô" da história paulistana, com quatro linhas em obras (extensões da 4-Amarela e da 5-Lilás e construção da 15-Prata e 17-Ouro).

O Estado de S. Paulo – 31/03/2013

Comentário do SINFERP

Com aproximadamente 20 anos no governo, agora, com risco de desocupar o Palácio dos Bandeirantes, os de sempre prometem a maior ampliação do Metrô, e na modernização da CPTM, como se essas empresas tivessem sido à eles transferida ontem.

7 comentários:

Anônimo disse...

eu nao sou arquiteto, urbanista nem especialista em nada, mas se usassem grandes avenidas que rasgam bairros de SP com linhas de metrô, trem , VLT, monotrilho ou qualquer outro modal segregado , nao poderia melhorar e aumentar a oferta de transporte publico?

Anônimo disse...

veja por exemplo a tal da linha 6 que vai ate a brasilandia. nao poderiam fazer uma linha de metrô sobre a av. inajar de souza, passando por brasilandia, v.n. cachoeirinha, freguesia, depois passando por agua branca ate chegar na barra funda? agora querem fazer uma linha por tunel, passando debaixo de rio, do centro q já tem muita oferta de transporte, desapropirando centenas de familias dos bairros onde vai atender. eu realmente nao entendo. e o pior é q essa linha está planejada nao para a tender o paulistano, mas por causa do tal evento em 2020. me corrijam se minha ideia estiver furada, pois como disse nao sou especilista no assunto, mas acredito q essa possibilidade seria muito mais viavel, economicamente e tempo de execuçao.

SINFERP disse...

Boa noite, Anônimo. Não é preciso ser engenheiro, arquiteto, urbanista ou qualquer coisa que reclame para si o status de "especialista" para saber que transporte de pessoas sobre trilhos é a grande solução para um grande problema. Não sabemos de onde tiraram a ideia de que transporte urbano na superfície é prerrogativa dos pneus.

Anônimo disse...

veja q boa a maior parte da linha vermelha, linha lilas e boa parte da azul nao é subterranea. eu fico me perguntando se nao poderia se fazer o mesmo na av. inajar de souza semelhante a linha azul na crzueiro do sul. tbm nao entendo se nao poderia ter um VLT na av. do estado, q ligasse o pq. dom pedro ao ABC pela av. do estado, ou ate mesmo fazer o expresso tiradentes direto como VLT, sem ser metade corredor de onibus, metade monotrilho (q acredito ser mais custoso q um VLT)

SINFERP disse...

Sim, o monotrilho é bem mais caro do que o VLT. O problema maior é que dissemos antes: os caras acham que superfície é para pneus. Metrô é subterrâneo ou elevado. O monotrilho é elevado. Nada de trilhos na superfície.

Anônimo disse...

em grandes avenidas ele tem de ser elevado por causa dos cruzamentos. mas nao há a necessidade de ser tudo subterraneo. alem disso, nossos projetos sao feitos para os outros, ou seja, investimentos agora por causa da copa e uma linha q depende de um evento em 2020. pro governo nosso povo paulista nao merece nada, só quem merece é quem vem de fora.

SINFERP disse...

Os caras deixam chegar ou passar do limite para pensar em alguma solução. Não é diferente com a CPTM. Foram comprando trens novos para passar mel na boca dos usuários, e só agora correm atrás da modernização da infraestrutura. São todos políticos, cínicos, hipócritas.