terça-feira, 26 de março de 2013

VLT chega como solução de transporte em Bauru (SP)


Projeto já apresentado por companhia sugere modelo econômico com integração ao transporte coletivo

Do mesmo modo como se despediu da rotina da cidade, há 12 anos, como o BOM DIA recordou, na abertura desta série sobre a ferrovia, sábado passado, os trens de passageiros podem reaparecer na rotina do bauruense, de volta à antiga gare da estação central.

Desta vez, para servir à população na própria cidade, por VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos), como este aí ao lado, que já parece estar pronto para receber seus futuros passageiros por aqui.

O projeto do futuro trem, aliás, já desembarcou na cidade, no ano passado, apresentado pela principal empresa nacional do setor, a Bom Sinal, com sede fabril em Fortaleza (Ceará). “Bauru é uma cidade privilegiada para esse produto porque já tem os trilhos disponíveis, o que economiza muito mais em sua implantação”, afirmou o diretor de suprimentos e comercial da empresa, o bauruense Ricardo Fanton. 

Custos

Mas, para entrar nos trilhos, o VLT demandaria um investimento razoável. De acordo com os cálculos da empresa, o quilômetro do sistema sairia entre R$ 3 milhões e R$ 12 milhões.

Entende-se por “sistema” o conjunto de operação - sinalização, passagens de nível, cancelas, centro operacional, oficina e material rodante. “O modelo ideal para Bauru, ao meu ver, seria o investimento público na via e nas oficinas e a concessão do serviço para a empresa que venha a adquirir os VLTs “, sugeriu Fanton.

Ele disse ter tido o último contato com a prefeitura para tratar sobre o assunto em novembro do ano passado. Desde então, aguardaria um pré-projeto para análise da demanda.

Subvenção

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) avaliou bem a possibilidade de Bauru vir a contar com o VLT, mas fez algumas ressalvas em relação às condições para operação e sobrevivência do serviço.

“Hoje não teríamos condições de tráfego em nossos trilhos. Não há segurança . E o VLT só consegue se manter se houver subvenção do governo do estado ou federal. Só com o dinheiro da passagem, não dá”, avaliou.

Mesmo assim, o setor produtivo da cidade vê com bons olhos a possibilidade de contar com o VLT como um esforço para diminuir o intenso tráfego de veículos da cidade. “É uma ideia que precisa estar integrada com o transporte coletivo urbano e que agregue mais qualidade”, afirmou o presidente da Acib (Associação Comercial e Industrial de Bauru), Reinaldo Cafeo.

Bauru teve ‘tentativa de subúrbio’ em 1988

A interligação de bairros por trilhos não é uma novidade em Bauru. Entre 1988 e 1990, a extinta Fepasa ofereceu o Trem de Subúrbio. A composição era formada por dois carros de passageiros e duas locomotivas elétricas. Fazia o trajeto entre a estação central e o núcleo Octávio Rasi, com algumas paradas. Mas, sem uma integração com os ônibus, acabou esquecido e desativado.

Milhões de reais é o valor médio de um VLT da Bom Sinal

Apenas um VLT tira dez ônibus das ruas

Com capacidade para até 766 passageiros, apenas um modelo com quatro carros seria suficiente para desafogar o trânsito de Bauru de dez ônibus ou mesmo 62 vans. Além disso, a versão elétrica – assim como a por biodiesel – desses veículos têm durabilidade de até 30 anos e manutenção quase que 100% de produtos feitos no Brasil.
Bom Dia – Rodrigo Viudes – 23/03/2013

Comentário do SINFERP

Oba! Será que é para valer?

2 comentários:

Carlos disse...

Acho que a grande barreira ai sera vencer a tremenda burocracia, criada pelo PSDB no modelo de privatização das ferrovias paulistas.

SINFERP disse...

Olá, Carlos. Não conhecemos o caso de Bauru, mas em muitos lugares o governo federal tem "bancado" contornos ferroviários para as concessionárias privadas, e os trilhos que passam pelas cidades ficam largados, não raro sendo erradicados pelos políticos locais. Nesses casos, temos defendido que podem ser utilizados para VLTs, que serviriam os habitantes dessas cidades.