sexta-feira, 8 de março de 2013

Mais metrôs para o Brasil. Metrôs?


Durante uma palestra em São Paulo, o diretor do MetrôRio e presidente da ANPTrilhos, Joubert Flores, destacou a disparidade entre o número de usuários do sistema de metrô no Brasil e de outros países como Inglaterra e China. “No ano passado, o sistema metroviário brasileiro registrou uma média de 8,5 milhões de usuários/dia, enquanto apenas em Xangai, na China, foram registrados uma média de sete milhões de usuários/dia”, destacou Flores. Segundo o levantamento feito na edição Fevereiro-Março da Revista Ferroviária, os sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos brasileiro transportaram 2,6 bilhões de pessoas ao longo de 2012. 

Flores explicou que o sistema metroviário é o favorito quando falamos em transporte público. A baixa emissão de gás carbônico, menor consumo de energia e a velocidade são argumentos usados por aqueles que concordam que os sistemas de metrôs do Brasil devem crescer. “Em todo o país, o metrô é responsável por retirar das ruas quase um milhão de carros”, destacou o diretor do metrô carioca. 

O executivo também destacou que os governos dos estados brasileiros têm investido bem em suas malhas metroviárias, mas em comparação com a cidade de Londres, que conta com 400 km, a malha brasileira é pequena, com pouco mais de 260 km. A maior rede é a do Metrô de São Paulo com 74,3 km; seguido pelo Metrô de Brasília com 42,38 km; pelo MetrôRio com 40,9 km; pela CBTU de Recife com 39,5 km; pela Trensurb com 38,7 km e pela CBTU de Belo Horizonte com 28,2 km. Essa malha deve aumentar nos próximos anos com a construção de linhas como a Linha 6-Laranja de São Paulo e a Linha 4 do Rio de Janeiro. 

Revista Ferroviária - 07/03/2013

Comentário do SINFERP

Interessante observar que metrô tornou-se mais uma nomenclatura do que propriamente um modal sobre trilhos. Vários dos “metrôs” citados pelo presidente da ANPTrilhos são trens metropolitanos, como a CPTM e a SuperVia.

6 comentários:

Carlos disse...

Se Trensurb, CBTU Recife e CBTU Belo Horizonte são considerados metrôs, então nessa conta também teriam que entrar os 24km do Expresso Leste e os 31km da Linha 9 (ambos CPTM). Aliás ambas chegam a ter intervalos de 4 minutos, o que pode realmente ser considerado um sistema de metro.

SINFERP disse...

Pois é, Carlos, e sabemos nós, em São Paulo, que a CPTM está muito longe de ter padrão de metrô. Este é o país do me-engana-que-eu-gosto. Abraço

Guilherme M. disse...

Até onde eu saiba, o metrô não precisa necessariamente ser subterrâneo. Até onde sei, para ser considerada metrô, é necessário via totalmente segregada (podendo ser subterrânea, elevada ou de superfície) curta distância entre as estações (em média 2km) pagamento antecipado da passagem, e curto intervalo de tempo entre um trêm e outro.

SINFERP disse...

Boa noite, Guilherme. Suas definições são as mesmas aplicadas a um trem metropolitano. Um metrô precisa, necessariamente, ser subterrâneo ou elevado, pois transita no meio de regiões altamente adensadas (prédios, ruas e avenidas). Pode dar ar de modernidade chamar trens metropolitanos de metrô, mas as diferenças são evidentes. No nordeste estão chamando de metrô até mesmo os VLTs, e que trafegam fora de cidades.

Guilherme M. disse...

Sei que alguns sistemas como o "metrô do Cariri" que é um VLT que anda em meio à avenidas e passa por cruzamentos não podem ser chamados de metrô. Porém há casos como o Trensurb, que liga Porto Alegre à Novo hamburgo, que tem trechos subterrâneos (como entre as estações São Pedro e Farrapos, e futuramente na região central de Canoas) e elevados (em São Leopoldo e em Novo Hamburgo), porém, nos trechos em que ele é de superfície, e totalmente segregado do transito ao seu redor, com muros separando o transito da linha férrea, e nos pontos onde ele cruza com ruas, ou são tuneis passando por baixo dos trilhos ou viadutos passando por cima desse. Em nenhum momento o trêm pecisa parar para o transito andar.

SINFERP disse...

Oi Guilherme. Conhecemos a Trensurb. Ela é, literalmente, uma empresa de trem metropolitano, assim como a CPTM. Se na CPTM ainda existem cancelas em algumas localidades, isso deve-se a falta de vontade da CPTM, governo estadual ou municipal para resolver. Podemos dizer o mesmo da SuperVia, no Rio de Janeiro. O metrô de Porto Alegre está sendo estudado. Subterrâneo quando passar por baixo dos prédios, ruas e avenidas. Esse é o conceito. Trem metropolitanos ainda é chamado de "subúrbio", pois não atende regiões "centrais". Trens metropolitanos, metrôs, VLTs, monotrilhos e aeromóveis têm diferentes apelos, em função de suas características e das necessidades que atendem. Os nomes não importam. O que nos incomoda é o uso político do termo metrô, uma vez que, no Brasil, a palavra ficou associada principalmente ao metrô de São Paulo, tido como símbolo de modernidade. São todos bons, desde que atendam com conforto e segurança. Abraço.