segunda-feira, 18 de março de 2013

'Invisível', caos no trânsito vira rotina na periferia de SP


A estrada do Lajeado Velho, avenida com pouco mais de um quilômetro em Guaianases, periferia da zona leste de São Paulo, tem sofrido um problema antes típico do centro expandido: o trânsito.

Estreita e com asfalto irregular, a via é um exemplo das filas que moradores de áreas periféricas começaram a enfrentar nos últimos anos.

"Agora todo mundo aqui tem carro. Piorou muito", diz o consultor de vendas Ricardo Celso, 33, após estacionar seu Palio na frente de uma loja de eletrodomésticos.

Ele conta que costumava demorar menos de dez minutos para atravessar a avenida. Hoje, leva 40 minutos.

A Lajeado Velho ganhou em uma década um comércio agitado: agência bancária, lojas de departamento (3), supermercados (2), concessionária de veículos (2), lojas de roupas (5), entre outros.

Com crédito fácil e financiamentos longos, moradores dessas regiões tiveram mais acesso a veículos, criando um boom de carros novos.

Nos últimos quatro anos, o Detran emplacou na cidade quase 419 mil carros novos.
A infraestrutura urbana, porém, não acompanhou o ritmo. O trânsito em regiões da periferia não é nem medido pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). O órgão monitora 868 dos 17 mil quilômetros de vias da capital.

"Quanto mais se afasta da região central, mais pobre o sistema viário fica. A Radial Leste, por exemplo, tem muitas faixas perto do centro, mas na periferia vira uma 'tripinha'", diz o especialista em trânsito Sergio Ejzenberg.

O secretário municipal de transportes, Jilmar Tatto, admitiu que os moradores dos extremos estão sofrendo com o trânsito. "Tem um problema sério na periferia. O cara perde às vezes 20 minutos, 30 minutos, no bairro", disse Tatto em entrevista à Folha.

ESPERA E IMPROVISO

Em grandes avenidas da periferia percorridas pela reportagem, os cenários eram parecidos: pistas estreitas, asfalto ruim, sinalização falha e trânsito (veja quadro).

"Mesmo fora do horário de pico, fica tudo parado, todo dia. Acho legal as pessoas terem mais facilidade para comprar carros, mas e a contrapartida?", questiona o estudante de engenharia civil Thiago Cordeiro, 26.

Na casa dele moram quatro pessoas e a garagem tem três carros. "Se o transporte público fosse de qualidade, talvez pegasse ônibus", diz.

De manhã, ele demora uma hora e quarenta minutos para chegar à faculdade, na Barra Funda (zona oeste). Boa parte desse tempo é perdido em São Mateus (zona leste), onde mora.

A espera de Cordeiro é parecida com a do instalador elétrico Elui Arcanjo, 30, na zona sul. Ele mora no Jardim Novo Oriente e demora quase duas horas para percorrer os quatro quilômetros que separam a sua casa do trabalho, na avenida João Dias.

"Tem dia que dá vontade de abandonar o carro na rua e ir a pé", diz, mostrando o Corsa estacionado na garagem de casa --um sobrado sem reboco onde mora com a mulher, filhos e cunhado.

Na rua dele, moradores improvisaram lombadas de concreto para evitar acidentes.
Ali perto, as avenidas Carlos Caldeira Filho e M'Boi Mirim param no pico. De manhã, a reportagem flagrou motoristas invadindo a contramão para fugir do trânsito.
Colaboraram VANDER RAMOS e THIAGO BALTAZAR, do blog "Mural"
Folha de São Paulo – 18/03/2013

Comentário do SINFERP

Enquanto isso, nas regiões de “gente diferenciada”, aos olhos da mídia, pode-se ver as ciclovias, os mãozinhas, etc. Isso tem muita visibilidade.

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