quarta-feira, 6 de março de 2013

Indústria ferroviária nacionalizada frustra a maior encomenda da CPTM


A Companhia de Trens Metropolitanos de São Paulo (CPTM) está reformulando o edital da concorrência nacional para a compra de 65 trens para uma licitação internacional.   A medida está sendo adotada após quatro adiamentos de entrega de propostas e depois que um único consórcio, o Frota CPTM (CAF Brasil Indústria e Comércio e Alstom Brasil Energia e Transporte), apresentou proposta com valor acima do orçamento estimado e foi desclassificado.  O valor de referência do edital é de R$ 23,7 milhões por trem (R$ 2,96 milhões por carro). A CPTM não informou o valor da proposta apresentada. A Revista Ferroviária apurou que o valor foi em torno de R$ 4,2 milhões por carro. O valor é mais que o dobro dos trens chineses que o Rio comprou para a SuperVia, que custaram R$ 2 milhões por carro.  Os 65 trens serão compostos por oito carros, totalizando 520 carros. Essa é a maior encomenda de trens elétricos do país.

Em nota, a CPTM informou que “optou por alterar a modalidade da licitação, tornando-a internacional, ampliando para que outros novos fornecedores possam participar oferecendo preços mais baixos”.  A companhia informou ainda que o novo edital está em fase de conclusão e deverá ser publicado em breve, sem citar previsão de data.

A licitação mudará de formato após toda uma campanha da indústria, através da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), para que os trens fossem fabricados no Brasil. O fato da indústria nacional apresentar somente uma proposta e acima do valor de referência foi recebido com surpresa (desagradável) pelo Estado e incomodou o governador Geraldo Alckmin.  “Belicosa, jocosa e estranha”, assim define o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, a maneira como a indústria fez a proposta. 

Para acelerar o novo processo, o governo fez uma consulta ao mercado e seis empresas estrangeiras, entre elas a CAF da Espanha e a Alstom francesa, demonstraram interesse na nova licitação. O governo espera, antecipando os pagamentos aos fornecedores, que parte dos trens seja entregue ainda no governo Alckmin, que encerra no final de 2014.

O edital dos 65 trens foi lançado em 03 de agosto, em solenidade no Palácio dos Bandeirantes, com a presença do governador Geraldo Alckmin; do secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes; do presidente da CPTM, Mário Bandeira; e representantes da indústria ferroviária.  Um dia antes da solenidade de lançamento do edital, durante apresentação do projeto da nova escola ferroviária do Senai, o presidente da CPTM, Mário Bandeira, disse que escolha da concorrência nacional tinha como objetivo incentivar a produção brasileira. Bandeira defendeu a produção nacional dizendo que os 13% de diferença de preço obtida pelo governo do Rio em relação aos trens chineses comprados para a Supervia não cobriam o que seria gerado de receita com os impostos aqui no Brasil, além da geração de empregos.  Ele disse também que o Brasil tem cinco fábricas de trens (Alstom, Siemens, CAF, Bombardier e Hitachi/Iesa) e que é ‘absurdo’ comprar trens do exterior. Ele foi aplaudido pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e pelo do Simefre, José Martins.

Os trens que a CPTM pretende comprar são de aço inoxidável, com oito carros cada - sendo quatro carros motores e quatro carros reboques alternados; e passagem livre entre eles. A aquisição estava dividida em dois lotes, sendo um com 30 trens e outro com 35.

De acordo com o edital, o preço ofertado deverá contemplar todos os equipamentos, materiais, instrumentos, mão de obra, acessórios, seguros cabíveis, pessoal, bem como os custos indiretos (impostos, tributos, encargos, taxas, emolumentos, etc.) e outras despesas. E inclui ainda o fornecimento de sobressalentes, fornecimento de um novo simulador de trem com atualização dos demais simuladores de operação de trens da CPTM, manuais de manutenção e operação para os trens e prestação de serviços de treinamento técnico-operacional, transferência de tecnologia e assistência técnica com garantia assistida aos trens.

Revista Ferroviária – 06/03/2013

Comentário do SINFERP

Estranho é o comentário do secretário dos Transportes Metropolitanos, que afirmou, em encontro da Frente Parlamentar em Defesa da Malha Ferroviária Paulista, na Assembleia Legislativa, que o Estado de São Paulo compraria trens da indústria ferroviária instalada no Estado, e jamais da China, como fez o governo do Estado do Rio de Janeiro. Como fica o discurso do presidente da CPTM?

Perguntas que não ousam calar: 1) a CPTM terá capacidade de infraestrutura para suportar esses trens todos?; 2) quais serão os “padrões” dos trens novos, para acabar com a situação atual, a saber, diferenças de distâncias e alturas em relação as plataformas? 

9 comentários:

Anônimo disse...

Como já não bastassem os problemáticos trens espanhóis da Caf e sua precária assistência técnica, ainda vao trens chineses?

SINFERP disse...

Bom dia, Anônimo. Problemáticos, e ao que parece a um preço que surpreendeu o próprio governo. Ainda lamentamos a EMBRAER não entrar no mercado de trens.

Luiz Carlos Leoni disse...

Este consórcio não colaborou em nada para asaquisições fossem feitas no Brasil, como defender uma licitação assim, acima dos 30% dos importados!
Prezados, a finalidade deste é a decisão de parte do governo de optar por importar composições ferroviárias oriundas de outros países, em detrimento dos produtos elaborados no Brasil, sob a alegação de custo, não se importando com as conseqüências, como qualidade, geração de empregos ou atraso de entrega das encomendas.
A decisão dos governantes do Rio de Janeiro em comprar trens da China causou problemas políticos ao governo paulista, que teve que ir à Assembléia Legislativa explicar os motivos de não praticar a mesma "poupança" com o dinheiro público, o “Custo Brasil”. Quem estava lá, ouviu as explicações do secretário dos Transportes Metropolitano. Segundo ele, como o trabalhador não paga para morar, estudar, ter saúde, etc, a parcela referente aos salários, no preço final do produto, é menor. De fato, os trens "paulistas" são mais caros, à propósito, há uma intenção, ao menos em âmbito federal que, em caso de licitação internacional, o correlato brasileiro poderá ter preço de 30% acima do estrangeiro e será considerado equivalente. Quanto ao governo paulista, está fechada questão de que compra de trens apenas da indústria nacionalizada. Isto também foi afirmado pelo mesmo secretário na Assembléia. Como se vê, medidas de protecionismo à indústria nacional (ou nacionalizada, visto que CAF, Alstom, Bombardier, Siemens... não são nacionais, assim como 100% da indústria automobilística). A indústria ferroviária nacional sucumbiu no passado - Mafersa, FNV e Cobrasma - por falta de contratos.
Isto explica o por quê de um PIB nacional de 0,9 o menor dos BRICS enquanto o da China é de 7,2 ou seja oito vezes maior. .
Provavelmente dentre destes deputados que convocaram a reunião estavam muitos adeptos do clientelismo, que é uma pratica de distribuição de favores, e provocam um laço de submissão com o povo como distribuição de bolsas com ”n” denominações, no famoso dar com uma mão, e depois tirar com a outra, e apresentam-se como defensores do emprego para com os empresários, e agiram conforme dizia aquele personagem do saudoso Chico Anísio deputado Justo Veríssimo “Eu quero é que o povo que se exploda”.
"O erro acontece de vários modos, enquanto ser correto é possivel apenas de um modo"
Aristóteles

SINFERP disse...

Perfeito, Luiz Carlos. É exatamente isso.

Anônimo disse...

respostas: 1- nao tem estrutura para circulaçao, nem para manutençao adequada e nem espaço fisico para alocar tantos trens.

2 - o padrao é nao ter padrao, igual aos trens da CAF.

Anônimo disse...

nao sei nao se os trens chineses seriam pior que os da CAF. o grande problema seria o idioma, ja q muito material dos trens 7000,7500 e 8000 está em espanhol ou ingles. com relaçao a transferencia de tencologia, essa eu nao entendi. primeiro q nao temos uma industria de desenvolvimento ferroviario brasileiro, e outra q a propria CPTM nao investe em desenvolivimento e capacitaçao de sua mao de obra , alem de contratar terceirizados. realmente essa é pra ingles ver.

SINFERP disse...

rsrsrs Perfeito, Anônimo. Antes da CPTM pensar em investir em desenvolvimento e capacitação de seus funcionários, precisaria ter um corpo de gestão com outro perfil.

Anônimo disse...

A atual diretoria da CPTM optou pela entrega, tercerização e sucateamento de seu parque de manutenção. Difícil também e explicar como uma empresa como a CAF, que além de fornecer um trem problemático e realizar uma péssima assistência técnica e daí o motivo das série 7000 e 7500 estar tão detonada e do 8000 já apresentar sinais de desgaste prematuro, vencer a licitação da terceirização da manutenção de seus trens e ter sido a única empresa que conseguiu alterar suas notas técnicas por meio de recursos enquanto todas as outras não conseguiram?

SINFERP disse...

Estranho mesmo, Anônimo. Vai ver que foi-se o tempo que trem era feito para durar, de aço inox, etc. Hoje parece veículo rodoviário, fabricado para aguentar não mais do que cinco anos. Será que apenas nós notamos isso?