quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Empresa diz que condutor causou acidente com bondinho em Campos de Jordão


SÃO PAULO (Folhapress) - Mais de três meses depois do acidente com um bonde turístico em Campos do Jordão (181 km de São Paulo) que deixou três mortos, a empresa responsável pela operação do veículo afirmou hoje que o condutor estava acima da velocidade permitida para o trecho de serra. 

A Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ), ligada à Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, divulgou hoje o resultado de uma sindicância aberta para apurar as causas do acidente e responsabilizou o condutor por "imperícia e imprudência"

O acidente ocorreu no dia 3 de novembro do ano passado, no trajeto de Campos do Jordão a Pindamonhangaba. Na ocasião, a automotriz - nome técnico do veículo - descarrilou e só parou ao bater em um poste. 

Três mulheres morreram no acidente, uma delas grávida de três meses. Outras quarenta pessoas se feriram. 

Em nota, a comissão de sindicância diz que "o motorneiro [Luciano da Silva, 35] agiu com imperícia e imprudência ao trafegar no percurso de descida da serra em desacordo com os procedimentos operacionais da EFCJ". 

Segundo a empresa, no momento do acidente, a velocidade da automotriz estava acima dos 29,9 km/h, limite para entrar de forma segura na curva. De acordo com a comissão, testemunhas disseram que a velocidade estava acima de 70 km/h.

Freio de emergência 

A reportagem não conseguiu localizar o condutor na noite de hoje para comentar o caso. Em novembro, Silva disse à polícia que houve falha no freio de emergência. 

Questionada, a ECFJ disse que a sindicância não apontou falha no freio.
O resultado da apuração será encaminhado à Polícia Civil, ao Ministério Público e à corregedoria da administração estadual. 

A empresa diz ainda que "determinou a instauração de procedimento administrativo disciplinar com aplicação das sanções cabíveis ao funcionário, que podem variar de advertência à demissão". 

Ainda não há previsão de quando a operação do trecho de serra voltará a funcionar.  

Diário de Guarapuava – 19/02/2013

Comentário do SINFERP

Esse é o governo do Estado de São Paulo que conhecemos. Como previsto, sobrou para o operador. Os freios estão em dia, os freios de emergência estão em dia, bitolinha estreita e rampa entre 8 e 10% estão em dia, os assentos que se soltaram todos com o impacto estão em dia, a via permanente está em dia. Tudo é uma beleza na Estrada de Ferro Campos do Jordão, exceto o operador.

Ferroviários incompetentes, vândalos, sabotadores e outros irresponsáveis são, SEMPRE, os responsáveis por todos os problemas nas duas únicas ferrovias de passageiros que restaram no Estado de São Paulo – CPTM e EFCJ. 

9 comentários:

Paulo R. Filomeno disse...

Li numa outra notícia relacionada que o Instituto de Criminalística estava realizado a perícia deste acidente. Fiquei a me perguntar: Haverá um expert em ferrovias dentro do Instituto de Criminalística ou este chama alguém para ajudar na perícia? Por exemplo, chama alguém da outra empresa de transporte de passageiros, também vinculada à mesma Secretaria de Transportes Metropolitanos? Pensei um pouco numa possível resposta e não gostei da resposta que eu mesmo encontrei, mas que vou guardar comigo.

Paulo R. Filomeno disse...

Outra coisa acerca da EFCJ: Quando visitei Campos do Jordão pela primeira vez, em 1978, os bondinhos andavam para lá e para cá e eram um meio de transporte para a população da cidade, tanto que a tarifa era Cr$ 0,50 (a moeda da época), talvez algo semelhante hoje a algo entre R$ 0,50 e R$ 1,00. Atualmente os bondinhos só fazem passeios turísticos, saem da estação Capivari de hora em hora, vão até a estação Toriba e voltam. Preço: R$ 10 por cabeça. E não é mais para a população, é só turístico. Isso que é "Secretaria dos Transportes Metropolitanos" boa!

SINFERP disse...

Boa tarde, Paulo. Por informações da imprensa, a época do acidente, os trabalhos internos de apuração seriam realizados por "especialistas" da CPTM, os mesmos que chegam aos ferroviários, vândalos, sabotadores e assemelhados. Não existe nenhum órgão especializado em perícia ferroviária, e muito menos "independente". Todos os envolvidos nas investigações estão subordinados a alguma pasta subordinada ao governo do Estado de São Paulo.

Anônimo disse...

qual a surpresa? ou vcs acham mesmo q os gestores a EFCJ ou da STM iriam ser culpados de alguma coisa?

SINFERP disse...

Não, Anônimo, nunca esperamos que chegasse a tanto, mas podiam ser mais criativos. Poderiam, por exemplo, dizer que algum vândalo ou sabotador passou graxa nos trilhos.

Anônimo disse...

Bom, como chegam a conclusão que o freio estava bom com um trem todo arrebentado? Com certeza o sistema de freios ficaria avariado após um acidente daquelas proporções. Será que por um milagre justamente o sistema de freios ficou salvo da acidente? A mesma sorte não teve os parafusos fixadores de poltrona... que coisa né...

SINFERP disse...

Bem, Anônimo,se você lembrar que a apuração foi realizada por "especialistas" da CPTM, qual outro resultado poderia esperar? Que coisa, né?

Lucas disse...

Que ridículo. Eu sabia que isso iria acontecer.
É só ver na reportagem que mostra os trilhos, em alguns lugares sem dormentes de tão velhos que estavam, tortos e soltando lascas de tão enferrujados. E a culpa foi do motorneiro... É a mesma coisa que chamar a população de trouxa!
www.youtube.com/watch?v=DyT8Sg8jOfI

SINFERP disse...

Ridículo, Lucas, mas é assim. Não é diferente na CPTM. Aliás, formam "especialistas" da CPTM que conduziram o inquérito. Investigação policial? Primeiro que não entende de ferrovia, e segundo que, toda vez que a coisa para recair sobre o governo do Estado, não dá em nada. Gratos pelo vídeo.