terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dirigentes do SINFERP são demitidos


Esclarecimento aos ferroviários e visitantes de São Paulo TREM Jeito.

Éverson Paulo dos Santos Craveiro (Nenê), presidente do SINFERP, foi demitido? Foi. Assim como Evângelos Loucas e Alessandro Viana, até o momento desta publicação.  A CPTM pode fazer isso? Ela entende que sim, e nós entendemos que não, mas isso será debatido e decido no âmbito jurídico.

Em que se baseia a CPTM para tomar tal medida? No simples fato de ter vencido o prazo de estabilidade de emprego dessas pessoas, a saber, um ano depois do término do mandato que tinham na condição de dirigentes do Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana?

Mas e o SINFERP? Até o momento não foi expedida a carta sindical do SINFERP.

Ficamos sem representação sindical nas linhas 8 e 9 da CPTM? Não, pois essas linhas continuam e continuarão sendo base de representação do Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana (SINFER), que não tem nenhum conflito com o SINFERP.

E quem vai defender a pauta de reivindicações dos ferroviários das linhas 8 e 9 na mesa de negociação? Alguns dos recém demitidos, amparados por procuração do Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana, e referendados pelos participantes da assembleia que aprovou a pauta de reivindicações.

Isso é possível? Claro que sim, pois, se não fosse, o lado patronal obrigatoriamente teria que estar composto por diretores da CPTM. Como a empresa pode até mesmo contratar um consultor externo para representá-la na mesa, o sindicato e os trabalhadores podem adotar a mesma medida. Afinal, se não cabe ao sindicato e trabalhadores a escolha do representante da empresa, não cabe a ela a escolha do representante do sindicato e dos trabalhadores.

E se a CPTM criar caso? Também nós criaremos. Negociação pressupõe equilíbrio de forças, de direitos e deveres. Se o presidente do Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana  tiver que sentar-se a mesa de negociação, para representar os trabalhadores, a CPTM terá que fazer-se presente por seu presidente para representar a empresa.  Equilíbrio.

Ah, mas demitir sindicalistas depois do término do prazo de estabilidade é “comum”. Pode ser comum, mas não aceitável. Em empresas privadas “dizem” que “faz parte do jogo capital-trabalho”. Uma excrecência, pois desmantela a organização legal e legítima dos trabalhadores. No caso da CPTM, porém, não cabe nem mesmo a lógica capital-trabalho, pois o “patrão” é o Estado. Quando o próprio governo chama para si práticas do capital, nas relações de trabalho, está decretado o fim do Estado como modelo de civilidade nas garantias das organizações sociais, dentre elas a organização do trabalho.

Se essa “moda pega” no Estado, amanhã estarão na rua os membros de CIPA, e tantos outros que assumem funções de representação de defesa de direitos e interesses dos trabalhadores.  Uma coisa é demitir, outra é usar a demissão como revanche contra os que exerceram papéis delegados.

No que os dirigentes do SINFERP incomodam a CPTM? Não aceitaram e continuarão não aceitando que os ferroviários mortos nos trilhos sejam responsabilizados pelas próprias mortes. Que maquinistas sejam demitidos apenas para acalmar a inquietação pública diante de falhas e acidentes. Que persista empresa e governo em procurar “culpados” para seus problemas, no lugar de assumir a própria responsabilidade.

As demissões farão com que o SINFERP deixe de existir, e seus dirigentes recuem na missão de defender ferroviários e usuários de trens metropolitanos? Não. Apenas motivam a continuidade de suas ações, muitas delas com pleno direito pelo fato do SINFERP ser uma sociedade civil, ainda que no momento sem a carta sindical. Enquanto atua, o SINFERP aguarda a expedição da carta sindical.

O que podemos fazer? Acompanhar o andamento da negociação pelos informes impressos e digitais. Comparecer às assembleias sempre que convocados. Manter contato permanente com seus representantes. Habituar-se a visitar as mídias digitais do sindicato, informar e-mails pessoais para receber notícias, e colaborar sempre que possível.

Como podem notar os ferroviários das linhas 8 e 9 nada muda, nada.  Podem notar o mesmo os leitores e amigos do São Paulo TREM Jeito.

6 comentários:

Marcos Kiyoto disse...

Meu apoio ao sindicato! Não pode haver repressão contra formas de manifestação legítimas!

SINFERP disse...

Gratos, Marcos, mas apesar do bombardeio cerrado contra nós, daremos continuidade ao que vimos defendendo.

Wellington Diego disse...

Meu apoio a vocês, gente do bem que defende um transporte público sobre trilhos de qualidade e denuncia os absurdos desses nossos "gestores" incompetentes.

SINFERP disse...

Gratos, Wellington. Seguraremos mais essa, acredite...

Anônimo disse...

prova mais uma vez da incapacidade dos gestores dessa empresa. se ja nao bastasse tomar a sede do sindicato.

SINFERP disse...

Bem, Anônimo, vão tentando tirar a nós do caminho, mas apenas acumulam mais "falhas" ao próprio currículo.