quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Após prisão de 23 agentes, policiais ferroviários de PE cruzam os braços


PF prendeu 23 policiais, alegando que eles não podem trabalhar armados. Sindicato dos Metroviários também estuda parar, por falta de segurança.

Os policiais ferroviários federais de Pernambuco paralisaram as atividades depois que 23 agentes da categoria foram presos pela Polícia Federal (PF), na manhã desta quarta-feira (27), no Recife, sob a alegação de que eles não podem trabalhar armados. “Estamos parados e vamos nos reunir em assembleia, nesta quinta [28], para decidir o que fazer. Eles [PF] precisam dizer qual o motivo de estar prendendo esses agentes”, disse o presidente do Sindicato dos Policiais Ferroviários de Pernambuco (Sindfer-PE), Augusto Lima.


Os 23 agentes foram presos nesta manhã, na estação de metrô Mangueira, e levados para a sede da Superintendência da PF, no Cais do Apolo, no Recife, onde estão sendo ouvidos. A PF informou que eles foram autuados por porte ilegal de armas. "Nós fomos pegos de surpresa. A equipe chegou com 10, 12 homens fortemente armados e prenderam nossos colegas sem dizer o motivo nem apresentar documentos", explicou Augusto Lima.


Durante a tarde, dezenas de policiais ferroviários realizaram um protesto em frente à sede da PF. Eles foram se entregar à polícia para que também fossem presos, já que também trabalham armados e não consideram justa a prisão de apenas uma parte da equipe. Lima afirmou que está aguardando a conclusão das oitivas para pagar a fiança de todos os que foram presos e garantir a liberação do grupo. “Não nos foi apresentado nada que nos proíba o exercício da nossa profissão com armas. Vamos à Brasília para ver o que conseguimos fazer a respeito dessas prisões ilegais e arbitrárias. Também estamos indo ao Ministério Público Federal”, assegurou Lima.


De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Federal em Pernambuco, a Polícia Ferroviária foi notificada da proibição para trabalhar armada em duas reuniões realizadas em 2012. "Não recebemos nenhuma notificação por escrito sobre isso. Nós judicializamos essa questão e eles [PF] prometeram que não fariam nada porque estamos nessa fase de transição", rebateu o presidente do Sindifer-PE.


A Polícia Ferroviária Federal tem 158 agentes trabalhando em Pernambuco e mais de 200 servidores aposentados. Ainda não há previsão de quando a categoria voltará a trabalhar. A Polícia Federal convocou uma coletiva de imprensa para esta quinta-feira (28), quando informou que vai se pronunciar oficialmente.


Repercussão em outra categoria


O assessor de comunicação do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), Diogo Morais, esteve no protesto desta tarde e disse que a categoria vai avaliar a paralisação dos policiais ferroviários. "Nós também fomos pegos de surpresa. Vamos convocar a categoria para tomar um posicionamento, podemos até interromper o funcionamento do metrô, pois o sistema está descoberto. Queremos alertar a população que não temos mais segurança operacional, pois esses agentes atuam no policiamento ostensivo como também no socorro a acidentes e vítimas", disse.


De acordo com a assessoria de imprensa do Sindmetro-PE, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), responsável pelo metrô da capital pernambucana (Metrorec), ainda não se posicionou, mas informou aos servidores que vai reforçar a segurança privada na rede. O Sindicato alerta, porém, que esses vigilantes fazem segurança patrimonial, sem uso de armas, e não teriam treinamento para atuar como a Polícia Ferroviária Federal.

Em nota, o Metrorec informou que "dobrou o número de agentes de segurança para atender nas estações e trens. A CBTU informa ainda que está equacionando a questão da atuação de nosso corpo de segurança ferroviária junto ao Ministério da Justiça, a fim de garantir a normatização dos mesmos dentro do nosso sistema (estações e trens). Desta forma, a Companhia garante que a população continuará tendo a mesma qualidade e segurança, prestados aos usuários nesses 30 anos de existência do Metrô do Recife".

G1 – 27/02/2013

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