Trens e
vagões sucateados do Complexo Ferroviário de São João del-Rei vêm preocupando
representantes do Conselho Municipal do Patrimônio. Isso porque, mesmo depois
de uma vistoria realizada no local, no primeiro semestre de 2011, que resultou
na detecção de irregularidades, até hoje as máquinas inativas do complexo estão
danificadas.
Na
ocasião, uma série de técnicos do Ministério Público Federal, do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Ferrovia Centro
Atlântica (FCA) constataram falhas na conservação de alguns dos bens móveis
integrados do local. Diante do fato, o Ministério Público Federal solicitou um
calendário de obras para solucionar os problemas.
Integrantes
do Conselho Municipal de Patrimônio participaram da vistoria. Segundo um deles,
Bruno Campos, foi detectado o sucateamento do material rodante inativo. Ele
afirmou que, embora algumas adequações físicas já tenham sido feitas na
estrutura do Complexo, os trens parados precisam ser restaurados. Além disso,
Campos apontou uma possibilidade em relação ao problema com o início das obras.
“Suspeito que as adequações ainda não foram realizadas por falta de mão de
obra”, disse, destacando ainda sobre a gravidade dos problemas de alguns
trens. “Existe uma locomotiva que está praticamente perdida. Pode-se fazer a
réplica desse trem, mas acredito que não há mais condições de
restaurá-lo”, disse.
De acordo
com a assessoria de imprensa do Iphan, o instituto tem cobrado ações da
ferrovia e já permitiu que mesma a execute os devidos reparos. “A FCA tem
apresentado recorrentes pedidos de autorização para efetuar a manutenção tanto
nas locomotivas em funcionamento quanto em parte das edificações. Também está
sendo elaborado um Projeto de Revitalização de todo o Complexo Ferroviário pela
FCA”, afirmou a assessoria do instituto em comunicado, lembrando que o
órgão tem conhecimento dos fatos e tem tomado providências legais em relação à
apuração e ao atendimento da preservação da memória ferroviária nacional.
Ministério
Público
Está em
andamento, junto ao Ministério Público Federal, um inquérito civil que, segundo
o procurador Antônio Arthur Barros Mendes, tem o objetivo de verificar a
situação do complexo e a possibilidade da prática de um crime de dano contra o
bem tombado. O procurador afirmou ainda que a vistoria realizada no ano passado
acarretou na produção de um documento judicial falando sobre as
irregularidades, como deteriorização e erros de condicionamento. “A partir daí,
a FCA apresentou uma série de programas de revitalização. Diante disso, o
Ministério Público solicitou essas adequações, mas não tem resposta das datas
das atividades”, explicou.
Segundo
Mendes, foram encaminhados dois ofícios para a FCA. “Embora ambos tenham sido
respondidos pela empresa, não houve manifestação específica em relação à
celebração de um termo de conduta”, afirmou o procurador. E frisou:
“Estão sendo colhidos elementos de prova para que, caso a falta de
posicionamento da empresa se mantenha, sejam tomadas as devidas providências jurídicas
no momento adequado”.
FCA
Em relação
ao cronograma das obras do material rodante inativo, a Ferrovia Centro
Atlântica não se manifestou. A assessoria de imprensa da empresa informou
apenas que desde 2004 realiza intervenções estruturais e organizacionais,
seguindo recomendação do órgão federal de proteção do patrimônio histórico.
“De
outubro de 2011 até o momento, a FCA realizou 67% das ações originalmente
mapeadas, compreendendo um total de 29 obras, tais como reestruturação dos
telhados, troca de portas, janelas, pintura das edificações e locomotivas. Mais
de R$2 milhões foram gastos nesse processo”, afirmou a assessoria em
comunicado.
As
informações repassadas pelo setor salientaram ainda que outras ações desta
natureza foram encaminhadas para análise e aprovação do Iphan, devendo ser
executadas até o final deste ano. Ainda de acordo com o documento, todos os
procedimentos são acompanhados pelo instituto e informados ao Ministério
Público.
A empresa
afirmou também que realiza uma série de iniciativas de caráter histórico,
social e cultural, como manutenção e conversação das locomotivas e campanhas
com preços promocionais para o passeio de trem.
Gazeta de São João Del Rei – 18/08/2012

2 comentários:
Centenas de locomotivas e vagões de passageiros que ainda estavam em condições de rodagem foram sucateados por essas novas operadoras. Essa privatização da RFFSA foi o maior roubo da história do Brasil. Nós, os contribuintes, fomos roubados e de maneira proposital e/ou por falta de interesse, os vagões de passageiros e locomotivas 100% eletricas foram suacateados. VERGONHA, mais uma vez o Brasil e o povo saiu perdendo. N minha opinião, essas operadoras que sucatearam os trens da antiga RFFSA deveriam ser responsabilizadas por isso e repor todas essas perdas aos cofres públicos. Tinhamos excelentes sistemas de transportes de passageiros partindo de São Paulo para o interior, podíamos ir até a Bolivia, tudo isso foi desativado e abandonado. Retrocedemos em muito. Se o Brasil quer ser um país sério, deveria o quando antes renovar e re-estabelecer todo o transporte ferroviário de longa distancia desse pais.
Tem toda razão, Zhukov. Dizem as operadora privadas, entretanto, que o patrimônio não-operacional ficou, desde o início, sob a responsabilidade do Dnit. Como vê, não existe inocente nessa história escabrosa.
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