quarta-feira, 20 de junho de 2012

Coppe e UFRJ assinam convênio para construir trem de levitação magnética


O Brasil irá construir o primeiro trem de levitação magnética do país, conhecido como Maglev-Cobra. Esse trem dispensa rodas e não emite gases de efeito estufa nem ruído. Além disso, as obras de infraestrutura para o seu funcionamento chegam a ser 70% mais baratas do que as obras para o metrô subterrâneo, conforme afirmam os responsáveis pelo projeto, na Coppe/UFRJ – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Na tarde desta sexta-feira (15), a proposta de construção será apresentada na Rio+20, no estande da universidade no Parque dos Atletas. A assinatura de um convênio entre a Coppe e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 5,8 milhões, também acontece nesta sexta. O convênio irá permitir a construção desse primeiro trem no Brasil, que terá quatro módulos, com capacidade para transportar até 30 passageiros. Haverá uma linha regular de 200 metros, entre os prédios do Centro de Tecnologia da Coppe. 

De acordo com os responsáveis pelo projeto, enquanto a construção de um metrô subterrâneo no Rio de Janeiro tem o custo de R$ 100 milhões por quilômetro, é possível que o sistema de levitação seja implantado por cerca de R$ 33 milhões. O Maglev-Cobra tem previsão de entrar em operação em 2014. O equipamento foi projetado pela equipe do Laboratório de Aplicações de Supercondutores (Lasup) da Coppe, em parceria com a Escola Politécnica da UFRJ. 

O professor Richard Stephan, da Coppe, considera que o trem pode representar uma alternativa segura, eficiente e limpa de transporte urbano para uma cidade como o Rio de Janeiro. Uma possibilidade é fazer a ligação do Aeroporto Internacional do Galeão ao Santos Dumont, passando pela Ilha do Fundão. “Na área de transporte público, podemos dizer que é o veículo mais limpo do mundo em termos de emissões e perfeitamente adaptável a qualquer topografia”, explicou Stephan. 

Tecnologia 

O Maglev-Cobra utiliza técnica de levitação, empregando supercondutores e ímãs. Os supercondutores são refrigerados com nitrogênio líquido a uma temperatura negativa de 196 graus Celsius. Um protótipo chamado funcional é utilizado hoje no laboratório de testes e desliza por um trilho de 12 metros, com oito passageiros. De acordo com a Coppe, o Maglev é movido a energia elétrica e possui um baixo consumo. São cerca de 25 kJ/pkm (unidade que mede a quantidade de energia gasta para transportar cada passageiro por um quilômetro). Em termos comparativos, o consumo de um ônibus comum é de 400 kJ/pkm e o de um avião é de 1.200 kJ/pkm, conforme a assessoria da Coppe.

Site especial 
Acesse a página que a CNT e o Sest Senat desenvolveram para divulgar as principais notícias de transporte durante a Rio+20. No endereço, estão disponíveis peças publicitárias e publicações exclusivas relacionadas ao setor de transporte e ao meio ambiente, além de vídeos do Despoluir – Programa Ambiental do Transporte da CNT.

CNT - 15/06/2012

Comentário do sindicato:

Excelente. Uma universidade brasileira desenvolvendo projetos ferroviários. Pena que suas assemelhadas de São Paulo não façam o mesmo.

4 comentários:

Wellington Diego disse...

Conheço esse projeto da UFRJ desde o início.Ótima notícia!Espero que os pesquisadores da UFRJ consigam implementar esse projeto no país inteiro e aperfeiçoá-lo cada vez mais.Também torço para que as empresas e o governo brasileiros abracem esse projeto e não o deixem à mercê das gigantes transnacionais do setor metroferroviário.Caro sindicato,no Brasil, é muito difícil conseguir financiamento até para pesquisas fundamentais,imagine para aquelas atreladas ao sistema de transporte sobre trilhos,que é considerado pelos nossos "gestores" públicos como algo não fundamental.Sou estudante de universidade pública e conheço alguns acadêmicos interessados nas pesquisas do setor metroferroviário,no entanto o, financiamento é quase impossível.Uma ideia minha é que a CPTM e o Metrô paulista investissem em pesquisas nas Unisversidades públicas do estado de São Paulo.Não custa sonhar.

SINFERP disse...

Wellington,

A universidade paulista já foi referência ferroviária. Isso, entretanto, foi-se junto com a malha ferroviária paulista. Talvez você não saiba, mas Metrô e CPTM investem, sim, mas na figura de um ou outro titular da FEI, que, além de doutores, são diretores de empreiteiras, e vendem serviços, por meio delas ao Metrô e CPTM. Como vê, nada a ver com a prática da UFRJ.

Wellington Diego disse...

Nossa,disso eu não sabia.Que absurdo.Enquanto isso,pesquisadores comovidos com o caos que é nosso transporte público não têm um centavo para financiar suas pesquisas,que,por sinal,possuem alta qualidade e são muito criativas.

SINFERP disse...

Não são todos, certamente. Existem professores e pesquisadores vocacionados, mas alguns doutos ocupam cargos de estaque dentro da USP apenas para dar ligitimidade a discursos que somam às vozes oficiais, mas escondem que são proprietários ou executivos de empresas que prestam serviços às ferrovias. Pena a USP aceitar uma coisa dessa...