segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Com testes em Santos (SP), VLT vira atração turística e opção de passeio

Desde o início do mês, a viagem de testes do modal chegou à Estação Pinheiro Machado, no Canal 1.
Um programa diferente para a garotada no final das férias escolares tem sido passear no Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Desde o início do mês, a viagem de testes do modal chegou à Estação Pinheiro Machado, no Canal 1, em Santos. Desde então, muita gente aproveita para matar a curiosidade sobre o novo meio de transporte.
Nesta etapa, quando o trajeto é gratuito, o primeiro trem parte da estação, às 13 horas, rumo a São Vicente. Mas antes que ele chegue à plataforma, muita gente já está no local aguardando o embarque.
“Vim na segunda-feira, mas o trem deu problema. Voltei hoje e estou ansiosa para o passeio”, disse a dona de casa Bernadete Aparecida Caetano, de 65 anos, que levou os netos João David, de 10 anos, e Maria Alice, de quatro anos.
A família mora perto da plataforma e João não via a hora de entrar no VLT. “Um amigo que mora no meu prédio veio e falou que é muito legal”. Já a pequena Maria Alice ainda não sabia muito bem o que ia encontrar no trajeto, mas se surpreendeu ao saber que passaria dentro de um túnel. “Deve ser emocionante”.
A esteticista Eunice Xavier convidou a irmã, que mora em Guarujá, para dar uma volta no veículo. “Moro aqui perto e vi a obra sendo feita. É hora de conhecer um pouquinho esse trem para ver se valeu a pena esperar tanto”.
Mas não é apenas a curiosidade que faz com que as pessoas já embarquem no VLT. “Moro aqui perto e tinha que fazer compras no Centro de São Vicente. Então aproveitei para fazer a viagem”, disse a professora Renata de Almeida.
A comerciante Marcia Regina da Silva Gonçalves tirou proveito duas vezes da fase de testes: conhecer o novo modal e não gastar dinheiro para visitar a sogra. “Tinha que levar meus dois filhos para ver a vó. Agora vamos estrear no VLT sem gastar nada”.
As viagens testes acontecem de segunda a sexta-feira, a partir das 13 horas. A última partida que sai de Santos acontece por volta das 15h30. O trem segue parando em todas as estações até chegar à próxima ao Canal dos Barreiros, em São Vicente. Essa etapa começou no final de abril, nas áreas de embarque vicentinas, e já transportou 60 mil passageiros. Na última terça-feira, mais de 500 pessoas embarcaram na estação do Canal 1 .
A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), responsável pelo modal, afirma que ainda não há prazos para que os horários ou percurso das viagens teste sejam ampliados.

A Tribuna – Egle Cisterna - 29/07/2015

domingo, 2 de agosto de 2015

A energia do ar

Foto Ireno Jardim
A gaúcha Canoas aposta no aeromóvel como alternativa mais barata e eficiente de transporte.

Um novo modal de transporte urbano de massa sobre trilhos, de média capacidade, desenvolvido com tecnologia nacional por uma empresa brasileira, está em implantação no município gaúcho de Canoas, de 350 mil habitantes. O pacote tecnológico do aeromóvel, fabricado pela indústria gaúcha Coester, de características revolucionárias quanto ao custo e à facilidade de inserção nas cidades, foi contratado e a prefeitura fez o primeiro pagamento, de 1,5 milhão de reais, para a parte inicial dos projetos executivos.

As primeiras obras incluem a construção das estações e da via elevada e o remanejamento das redes de eletricidade, telefonia e TV a cabo no trajeto da ferrovia. A etapa seguinte será o desenvolvimento dos veículos e dos sistemas de controle. “Seremos a primeira cidade do Brasil a usar o aeromóvel como transporte de massa”, anuncia o prefeito Jairo Jorge. “É uma solução à altura das exigências de mobilidade e ambientalmente adequada aos novos tempos, com motor elétrico de alta eficiência.”
Três linhas abrangerão os bairros Guajuvira e Mathias Velho, onde mora 70% da população de baixa renda da cidade. A capacidade de transporte diário de 120 mil passageiros, 288 por vagão, iguala-se àquela do sistema de ônibus. Esses funcionarão como alimentadores do modal. A conclusão do projeto, orçado em 800 milhões de reais, está prevista para 2018.

O aeromóvel está longe de ser um salto no escuro. Criado pelo empresário Oskar Coester nos anos 1960, tem uma linha em operação em Porto Alegre desde 1983, outra em Jacarta, na Indonésia, iniciada em 1989, e um ramal de transporte de passageiros do Aeroporto Internacional de Porto Alegre para a rede de transporte coletivo da cidade, instalado em 2013, com 1,5 milhão de passageiros transportados.

O consumo de energia medido em watts-hora por passageiro-quilômetro é metade daquele do VLT, um terço do metrô e um quarto do ônibus. O segredo é a leveza dos trens, possibilitada pela remoção dos motores dos vagões e sua instalação nas estações. O baixo peso permite definir traçados de alta sinuosidade, com curvas em ângulo reto. A pressão necessária para movimentar os vagões com propulsão a ar é surpreendentemente baixa, de 0,07 atmosfera, menos da metade da pressão arterial, de 0,16. O “vento” gerado pelos motores instalados nas estações incide sobre grandes placas na parte inferior dos carros. A pequena pressão aplicada sobre áreas extensas provoca a impulsão. “As composições funcionam como barcos a vela invertidos”, compara o empresário Marcus Coester, diretor da empresa fabricante dos trens. A leveza facilita a tração, flexibiliza o traçado e possibilitará a construção de 14,7 quilômetros, com 22 estações, sem nenhuma desapropriação, feito inédito.

O município assumiu o projeto, mas não pretende se assenhorear dele. “A ideia é contratar um operador por meio de Parceria Público-Privada, com qualidade e baixo custo”, diz o secretário da Fazenda, Marcos Bosio. “Não temos como subsidiar e o aeromóvel terá de cobrir 100% dos custos.”

Um dos instrumentos de custeio será a mudança do plano diretor, com o aumento da área construída condicionado à compra de índice construtivo do município, nas faixas de 500 metros de largura ao longo da ferrovia. A alteração pretende represar a previsível especulação imobiliária e reduzir o risco de expulsão da população de baixa renda a partir da valorização do entorno da nova ferrovia. “Quem pretende fazer um empreendimento imobiliário de até 8 mil metros quadrados em um terreno de 10 mil não pagará nada. Para construir 35 mil, comprará do município o índice construtivo necessário para obter os 27 mil da diferença”, explica Bosio. O dinheiro arrecadado irá para um fundo de mobilidade.
O primeiro efeito do anúncio do projeto foi a decisão do Grupo Multiplan de instalar em Canoas o seu 19º shopping, próximo ao futuro trajeto dos trilhos. A prefeitura negocia com a empresa a execução de várias obras públicas.
Convidado pelo governo dos Estados Unidos para visitar grandes empresas de transportes do país no começo do ano passado, Bosio foi alertado sobre o risco de desenvolver projetos na área, um indicador da preocupação da concorrência internacional com o projeto. Em setembro, o secretário foi ao Japão a convite da Sociedade de Engenharia Mecânica e de duas universidades interessadas no modal e conversou com possíveis fornecedores de sistemas e de componentes, que disputarão com empresas brasileiras.
O aeromóvel é o projeto de maior visibilidade da administração municipal, mas não o único a inovar. Outra iniciativa é a reformulação do sistema de saúde, com a integração e a racionalização da rede. A partir do monitoramento do afluxo a três hospitais e 50 postos do SUS, regula-se o deslocamento de pacientes entre as unidades para evitar superlotações. No pronto-socorro, um painel permite aos acompanhantes saber a etapa de atendimento dos pacientes a cada momento. Aqueles contam com uma sala especial de descanso e o apoio de uma assistente social. 

As possibilidades de visita aos internados foram ampliadas. A taxa de infecção hospitalar caiu de 3,14 ocorrências por pacientes-dia vezes mil, em 2012, para 1,06 neste ano, em consequência do “investimento na capacitação da equipe, melhora dos protocolos de segurança do paciente e assistenciais”, explica o secretário de Saúde, Marcelo Bosio. Com as mudanças na área da saúde, a satisfação dos usuários atingiu 79% entre janeiro e maio, segundo uma pesquisa encomendada pela prefeitura.
A atenção às minorias levou à criação da Rede de Proteção da Comunidade LGBT. “Pensamos em um mecanismo para dar atendimento legal e médico às vítimas de agressões. Vivemos um momento de ódio e retrocesso e os ataques homofóbicos não são violência comum, há crueldade”, afirma Fábulo Rosa, chefe da unidade coordenadora da Diversidade. A ideia é definir políticas públicas específicas para esse público.
Uma ampla consulta possibilitou a criação do ambiente institucional e político favorável à construção, em área da prefeitura, de um presídio estadual diferente, com estrutura para ensino e trabalho. “Os munícipes perceberam que não pretendíamos fazer aqui outro Presídio Central de Porto Alegre, o pior do Brasil”, explica Marcos Bosio.

A estratégia da administração é radicalizar a democracia com base na consulta permanente à população e abertura de informações. O portal da transparência, com 150 mil acessos mensais, apresenta todas as receitas e despesas, contratos, salários dos servidores e diárias de viagens. As informações, atualizadas a cada dois dias, são as mesmas utilizadas pela prefeitura. “O cidadão pode acompanhar a execução das metas e os gastos. É uma proposta de controle direto pelo cidadão, não está restrita às entidades”, explica a controladora-geral Tatiana Antunes Carpter.

O sistema administrativo da prefeitura reúne 13 ferramentas entre orçamento participativo, fóruns virtuais, congressos, conselhos, plenárias, audiências públicas e consultas nas ruas, e abrange indivíduos, entidades sociais e empresas. O público é convocado a opinar e decidir sobre desenvolvimento econômico, saúde, educação, meio ambiente, direitos das minorias e segurança, entre outros assuntos. A participação soma 168 mil indivíduos, nas contas da prefeitura. “Precisamos levar cada vez mais o cidadão para o centro dos governos e dar-lhe poder de decisão sobre os investimentos, as políticas públicas e o projeto estratégico da cidade, do estado e da nação”, diz o prefeito. 
Carta Capital – Carlos Drumond - 15/07/2015

Pedestres ignoram riscos e passam por trilho de trem no centro de Maceió (AL)

Foto Lucas Leite
Trecho que serve de travessia fica próximo ao Mercado do Artesanato. Comerciantes dizem que prática já causou diversos acidentes no local.

Diversas pessoas colocam diariamente a vida em risco ao ignorar o alambrado que separa a Rua Francisco de Menezes e os trilhos do trem no Centro de Maceió. Sem se preocupar com o perigo, pedestres de todas as idades transitam livremente por aquela área, em um ponto de travessia próximo ao Mercado do Artesanato, que por segurança deveria estar fechado.

A reportagem do G1 esteve no local, que está em obras para a construção de uma nova estação de trem, e flagrou vários pedestres atravessando os trilhos. Na ocasião, muitos justificaram não considerar a prática perigosa e disseram que fazem a travessia no local para 'ganhar' tempo, já que o ponto correto para passagem fica a 20 metros de distância.

"Eu não acho que a gente corra perigo, é só prestar atenção e olhar para os dois lados antes de atravessar. Como trabalho no mercado da produção, faço esse percurso todo dia", diz Monalisa Batista, de 23 anos.

José Lessa diz que a travessia facilita o percurso e que a prática não é perigosa. "As pessoas atravessam por aqui direto, cheguei a estranhar quando fecharam o local. Acho que a prefeitura deveria fazer passagens para quem deseja passar pelo local", relata.

Para os comerciantes da região, a atitude dos pedestres é perigosa. Alguns deles já presenciaram acidentes no local. "Já vi várias pessoas caírem nos trilhos e se cortarem. Uma vez, um senhor tentou atravessar, caiu, e precisou ser socorrido pelo Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência]", relata José Abdias.

Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que não quis se identificar,  informou que uma parte da proteção fica aberta até às 17h, pois os comerciantes da região reclamavam que, com todas as passagens fechadas, o fluxo comercial da região diminuía.

CBTU

Questionada pela reportagem, a assessoria de comunicação da CBTU informou que nenhum acordo oficial foi realizado para deixar a passagem aberta, mas sim, uma permissibilidade temporária enquanto as obras ainda estão na fase inicial. A CBTU diz que em até 20 dias a região será coberta por tapumes, impedindo o trânsito dos pedestre pelo trânsito.

A assessoria afirma ainda que o termino da obra, que está previsto para março do ano que vem, deve atrasar devido ao período chuvoso e a uma viga de sustentação do Mercado do Artesanato que atrapalhou o projeto inicial.

Em relação à acessibilidade, a CBTU explicou que após a obra da implantação da nova estação de trem na região do mercado, um elevado com escada rolante será construído para as pessoas atravessarem, além de um elevador, para facilitar o trânsito das pessoas que tenham algum tipo de deficiência física.


G1 – 02/08/2015

sábado, 1 de agosto de 2015

Edital do VLT de Salvador (BA) será lançado no mês de agosto

Transporte irá substituir os trens do subúrbio ferroviário de Salvador.
O edital de licitação para a implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que vai ligar o subúrbio ferroviário de Salvador ao bairro do Comércio, será publicado no mês de agosto. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (31) pelo secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, durante evento, em que foram apresentados os detalhes do projeto de construção do equipamento aos representantes das empresas, realizado no Hotel São Salvador. 
O presidente da CTB (Companhia de Transportes da Bahia), Eduardo Copello, também participou do encontro, acompanhado de equipe técnica da Sedur (Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado) e da CTB. O encontro permitiu ao empresariado tirar dúvidas sobre o projeto. O VLT, que vai substituir o atual trem do subúrbio, terá 18,5 quilômetros de extensão e 21 estações. A licitação prevê intervenções em duas fases - a primeira, entre o Comércio e Plataforma, com 9,4 quilômetros, e a segunda, entre Plataforma e São Luiz, com nove quilômetros. O investimento está orçado em R$ 1,1 bilhão. 
R7 - 01/08/2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Supervia admite que autorizou trem a passar por cima de corpo no RJ

Homem foi atropelado por um trem e o corpo ainda estava nos trilhos. Empresa diz que autorizou a passagem para não atrapalhar o fluxo.

A Supervia, empresa que administra a rede ferroviária do Rio de Janeiro, admitiu, em nota, que autorizou o maquinista a passar com o trem por cima de um corpo, que estava nos trilhos. Um homem havia sido atropelado por um trem e seu corpo ainda estava no local.

“A gente não tava sabendo e já tava horrorizada com a situação. Aí depois anuncia que é meu filho. Tem como? Tem...”, relata Eunice de Souza Feliciano, mãe de Adilio Cabral . Ela e o irmão da vítima estiveram na delegacia, nessa sexta-feira (31), para prestar depoimento.

A polícia registrou o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Adílio tinha 33 anos e tinha saído da cadeia há seis meses, onde cumpriu pena por furto. Por causa disso, ele não conseguia emprego e decidiu trabalhar como ambulante.

Na última terça-feira (28), segundo a Supervia, Adilio invadiu os trilhos e foi atingido por um trem. “Eles pulam a linha do trem e passam ali por baixo, porque se eles passam ali por cima, acho que os doces são apreendidos”, conta o irmão de Adilio, Élcio Feliciano Junior.

Imagens feitas logo depois do acidente mostram que funcionários da Supervia estavam perto dos trilhos. Um deles acenou para o maquinista e o trem avançou. Outro vídeo mostra que o trem passou por cima do corpo.

A reportagem do Jornal Hoje perguntou à Supervia se alguém atestou a morte do Adilio antes de o trem passar, mas até agora não teve resposta. A reportagem também tentou gravar uma entrevista com algum representante da concessionária, mas a empresa disse que só vai comentar qualquer assunto relacionado ao acidente por nota.

Em posicionamento divulgado na tarde de quinta-feira (30), a Supervia admitiu que autorizou a passagem do segundo trem por cima do corpo. A nota diz que o trem que trafegou sobre o corpo tinha altura mais do que suficiente para fazer isso sem risco de atingir a vítima e que o centro de controle operacional decidiu, em caráter excepcional, autorizar a passagem do trem porque a paralisação da linha criaria transtornos para toda a movimentação do horário.

“Não se justifica autorizar que um trem passe por cima de um corpo na linha férrea. Nós entendemos que a agência reguladora deva apurar com rigor o caso e aplicar as sanções cabíveis nessas circunstâncias. Nós achamos injustificável o procedimento tomado”, disse Carlos Roberto Osório, secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro.

“Que tomem alguma providência. Que façam alguma coisa, porque restituí-lo não vai. Ele não volta mais”, desabafa a mãe.

Ninguém da polícia quis gravar entrevista. Em nota, a delegacia de polícia do bairro de Madureira declarou que vai ouvir todos os funcionários da Supervia que estão envolvidos. A Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro divulgou nota dizendo que o incidente se transformou em barbaridade. Além disso, tal prática, segundo a OAB, prejudica as investigações policiais.

O enterro de Adilio Cabral dos Santos acontece na tarde desta sexta-feira e a Supervia informou que vai pagar todas as despesas.


G1 – Diego Haidar - 31/07/2015

Atraso nas obras da linha 4 do metrô (SP) deve trazer duplo prejuízo à gestão Alckmin

Jornal GGN - A quebra do contrato das obras da linha 4-amarela do metrô de São Paulo, anunciada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), além de atrasar por mais, pelo menos, um ano a entrega, deve duplicar o prejuízo financeiro, de acordo com informações da Folha de S. Paulo.

Depois que o contrato da obra das novas estações foi rescindido, justificando-se pelo fato de que o consórcio Isolux Corsán-Corviam não respeitou prazos, normas de qualidade e segurança e deixaram de pagar subcontratadas e fornecedores, uma nova licitação será aberta. Segundo o secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, a expectativa é que entre final de agosto e início de setembro, a licitação seja publicada, para retomar as obras no início de 2016. 

O prazo, no entanto, é ousado, uma vez que a licitação para obras desse porte geram uma demanda maior de tempo. A última previsão para a conclusão da linha era para 2018. Com a mudança, pelo menos mais um ano deve ser necessário para a entrega das obras.

Outro ponto ainda não esclarecido é o valor do certame de concorrência, que não foi calculado. O secretário estima quantia "elevada". Dos R$ 559 milhões previstos, o consórcio anterior Isolux recebeu R$ 201 milhões. Para a nova licitação, o orçamento deverá ser recalculado. 

Por outro lado, o governo espera multar a construtora e pedir na Justiça a reparação de danos. 

Outro prejuízo para a gestão Alckmin é o processo movido pela ViaQuatro, concessionária responsável por 30 anos da operação da linha. A empresa diz ter sido prejudicada pela demanda perdida, uma vez que a linha deveria estar pronta desde 2010, transportando 1 milhão de pessoas por dia. A cada atraso no cronograma, a concessionária pede um valor maior de ressarcimento. 


GGN – 31/07/2015

SuperVia (RJ) diz que trem tinha 'altura suficiente' para passar sobre corpo

Concessionária admite que autorizou passagem de trem sobre a vítima e alegou que havia cerca de 6 mil passageiros em três trens lotados aguardando para seguir viagem
Rio - A cena chocante de um funcionário da SuperVia mandando uma composição passar por cima de um corpo contou com o aval da concessionária. Segundo a empresa, apesar de lamentar a morte de Adílio Cabral dos Santos, morador do Morro da Serrinha, a decisão foi tomada para não atrasar o fluxo dos mais de 200 mil usuários do sistema ferroviário. 

A concessionária afirma que verificou, antes, que o trem era mais alto do que o corpo, e que, portanto, não seria violado. A empresa alega que, a partir dessa constatação, e diante do risco de se criar um problema maior com a retenção de diversos trens, tomou a decisão, em caráter excepcional considerando que na linha havia três trens lotados (cerca de seis mil passageiros) aguardando para seguir viagem. O homem, segundo a Supervia, teria sido morto em um atropelamento ocorrido pouco antes da manobra.

O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, definiu como 'injustificável' a atitude tomada pelos agentes na estação de trem da Zona Norte. No entanto, Osório afirmou que cabe à Agetransp punir a SuperVia.

"A fiscalização é da Agetransp, nós somos o poder concedente, uma vez que somos diretamente interessados. Temos como objetivo que o serviço seja feito de maneira adequada. Em Madureira, a situação foi injustificável. Já conversei com o presidente da Agetransp, a investigação foi aberta ontem (quarta-feira) e todos os materiais já estão sendo analisados. Nós queremos uma solução rápida e transparente”.

Osório considerou desumana a atitude da SuperVia. “Foi um desrespeito autorizar um trem passar por uma via que está interrompida por um corpo de uma pessoa morta.” Segundo ele, a secretaria entrou em contato com a Agetransp para investigar o caso. “Na semana que vem, vou me reunir com defesa civil, Bombeiros e a SuperVia para estudarmos um procedimento em caso de mortes na via.”

A Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) disse, em nota, que a ação dos agentes da SuperVia foi "uma barbaridade, por tratar um corpo como algo descartável". Segundo o advogado David Nigri, a atitude da concessionária é repreensível e cabível de punição criminal. “Houve crime de vilipendiar cadáver. Não houve intenção, mas foi culposo”, afirma.O crime tem pena de um a três anos de reclusão, mais multa, que poderá ser aplicada sobre o maquinista e o agente que ordenou o atropelamento, segundo Nigri. Ele afirma ainda que a família da vítima também tem direito a uma indenização por danos morais.

Na última terça-feira, um agente da SuperVia autorizou um maquinista a passar o trem sobre o corpo de uma vítima fatal de um acidente ocorrido na Estação de Madureira na terça-feira. O homem fora atropelado após acessar indevidamente os trilhos. O agente da concessionária, em vez de aguardar a remoção do corpo, dá sinal para que o trem siga viagem. O que se vê em seguida é a composição passando com todos os vagões sobre o homem morto.

A 29ª DP (Madureira) abriu investigação sobre o caso. O Procon Estadual também abriu investigação para apurar a responsabilidade da SuperVia. Segundo o órgão, a concessionária tem um prazo de 15 dias úteis para responder. As imagens do Canal 'Supervia Vergonha do Povo Carioca' mostram os vagões passando sobre o corpo, para o espanto dos passageiros.

Supervia e Bombeiros apresentam versões diferentes

Na nota enviada à imprensa, a Supervia afirma que acionou os Bombeiros para a ocorrência de um corpo na Estação de Madureira na tarde de terça-feira,.por volta das 17h.  A corporação militar, no entanto, nega que o acionamento tenha acontecido para este caso, mas sim para o atendimento a uma vítima de trauma. Durante o atendimento a este passageiro é que a equipe de salvamento teria sido informada que havia um corpo na linha férrea. A retirada do corpo teria ocorrido apenas às 20h, após o pedido da delegacia de Madureira uma hora antes. 

Eis a nota da SuperVia: 

Sobre o episódio ocorrido nas proximidades da estação Madureira no dia 28/7, terça-feira, por volta de 17h, início do horário de pico do movimento de passageiros, a SuperVia lamenta e reforça que está investigando o fato, resultante de um procedimento totalmente fora dos padrões operacionais da empresa.

O aparecimento de um corpo na linha, entre os trilhos, obrigou a SuperVia a interromper o tráfego de trens naquele trecho e acionar as autoridades competentes (Corpo de Bombeiros e Polícia Civil) para os procedimentos legais, o que foi feito.

A SuperVia reforça que sua área de segurança não tem poder de polícia.

A empresa lamenta a perda de mais uma vida por invasão dos trilhos.

As primeiras apurações indicam que as circunstâncias do acidente e o tráfego intenso de trens com milhares de passageiros naquele momento levaram o Centro de Controle Operacional da empresa a trabalhar com um procedimento de exceção, sob absoluto controle, considerando os seguintes pontos em benefício da segurança do sistema:

- Foi constatado que o trem que trafegou sobre o corpo tinha altura mais do que suficiente para fazê-lo sem risco de atingir e vilipendiar a vítima.

- Apenas a partir dessa constatação, confirmada com toda segurança por agente da empresa no local, e diante do risco de se criar um problema maior e mais grave com a retenção de diversos trens, o CCO tomou a decisão, em caráter absolutamente excepcional, de autorizar a passagem do trem.

- Na linha interrompida havia 3 trens lotados (cerca de 6 mil passageiros, no total) impedidos de seguir viagem.

- A paralisação da linha criaria transtornos para toda a movimentação do horário, quando viajam cerca de 200 mil pessoas pelo sistema.

- Passageiros retidos em trens parados tendem a descer irregularmente na linha, aumentando riscos de incidentes, como já ocorreu em outras vezes.

- A vítima estava posicionada num ponto em que a liberação de um dos 3 trens retidos permitiria remanejamentos para evitar a paralisação do tráfego.

Reforçando que lamenta o que aconteceu, a SuperVia criou uma comissão para estudar a adoção de práticas que ajudem a encaminhar os procedimentos capazes de atenuar o impacto de situações como essa sobre a rotina do serviço.

A SuperVia registra mais uma vez que o episódio é consequência de um problema de infraestrutura causada pela falta de isolamento da malha ferroviária, que é atravessada por cerca de 180 passagens de nível (só 38 são oficiais) e incontáveis pontos de travessia de pedestres, o que coloca em risco, diariamente, a vida de pessoas.

O Dia – Felipe Martins e Tássia Di Carvalho – 30/07/2015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

SuperVia (RJ) apura atropelamento de morto por trem após autorização de funcionário

A SuperVia, empresa responsável pelo serviço de trens do Rio de Janeiro, apura a atitude de funcionários que autorizaram a passagem de um trem sobre o corpo de um homem morto, que estava estirado nos trilhos, na altura da Estação Madureira, na zona norte da cidade. O caso aconteceu na tarde desta quarta-feira (29).

Um vídeo publicado pelo site comunitário Guadalupe News mostra um agente da concessionária sinalizando com a mão para que o maquinista da composição que havia parado seguisse viagem, passando por cima do corpo. O homem que estava nos trilhos havia acabado de ser atropelado por outro trem.
O caso está sendo investigado também pela 29ª Delegacia de Polícia, em Madureira. Em nota, a SuperVia disse que "o procedimento adotado na tarde da última quarta-feira, em que um trem seguiu viagem em velocidade reduzida na linha bloqueada em função de um atropelamento, está fora dos padrões adotados pela concessionária".
Uol Notícias  - 30/07/2015

Comentário do SINFERP


Tinha que ser na SuperVia...

Metrô de SP é condenado a pagar R$ 20 mil a jovem molestada dentro de vagão

A Justiça de São Paulo condenou nesta quarta-feira (29) o Metrô a indenizar uma usuária que foi vítima de assédio sexual dentro de um vagão. A Companhia do Metropolitano terá de pagar R$ 20 mil à jovem A.P.T.S., 17.

Em 2 de setembro do ano passado, A.P. estava em um trem da linha 1-azul e foi atacada por um homem na estação São Joaquim, na Liberdade, na região central da capital paulista.
Segundo o advogado Ademar Gomes, defensor da vítima, o acusado atacou a garota por trás e chegou a colocar o órgão genital para fora. Gomes vai recorrer da decisão para pedir uma indenização maior, de R$ 50 mil, para a garota. O agressor foi indiciado e ainda pode ser condenado na esfera criminal.
O Metrô informou que ainda não se decidiu se vai recorrer da decisão judicial. Em nota, a Companhia do Metropolitano afirmou que "repudia abuso sexual" e "faz um trabalho intenso de coibição e prevenção, com campanhas de cidadania e de alerta aos usuários sobre condutas de suspeitos que possam colocar em risco a segurança de todos". Também disse que o SMS-Denúncia (97333-2252) é uma ferramenta para "promover agilidade no combate às práticas irregulares, infrações ou crimes".

Uol – 30/07/2015

Comentário do SINFERP

Boa, boa. E vai continuar assim até que os coronéis aposentados da PM que atuam como gestores de segurança da CPTM, Metrô e mesmo Linha Amarela descubram que a missão mais importante a cumprir é a segurança dos usuários, e não simplesmente do patrimônio.

Metrô de SP rescinde contrato de construções de estações da linha 4

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) rescindiu os contratos com o consórcio Isolux Córsan-Corviam para a construção das novas estações da linha 4-amarela do metrô de São Paulo.

Essa linha, que já opera com sete estações, é uma das principais artérias do metrô, com interligação com as linhas norte-sul e leste-oeste, o ramal da Paulista e as estações de trem da Luz e de Pinheiros.

Uma nova concorrência será aberta nos próximos dias, diz a gestão tucana.
O Metrô afirma que tomou a decisão porque a empresa não respeitou os prazos estabelecidos em contrato, abandonou as obras, não atendeu normas de qualidade e segurança e deixou de pagar subcontratadas e fornecedores.

Segundo a companhia, o consórcio foi notificado sobre a decisão unilateral nesta quarta-feira (29), e a multa pode chegar a R$ 23 milhões. A informação da rescisão foi antecipada pelo "SPTV", da TV Globo.

Após o anúncio do rompimento, o consórcio, liderado por uma construtora espanhola que está entre as maiores do mundo, afirmou que o Metrô apresenta “limitações gerenciais” e que foi a própria empresa que pediu a rescisão do contrato.

A Corsán era responsável pelas obras da segunda fase da linha, que prevê a construção de cinco estações: Oscar Freire, Higienópolis-Mackenzie, Vila Sônia e São Paulo-Morumbi, além da Fradique Coutinho, que já está em operação.
Há dois lotes de obras nessa segunda fase da linha.

Fazem parte do primeiro lote as estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire, além da construção do pátio e do terminal de ônibus da Vila Sônia. O valor era de R$ 173 milhões.

Já o segundo lote prevê a construção das estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, um túnel e 1,5 km de trilhos em direção a Taboão da Serra, na Grande São Paulo. O valor total desse lote era de cerca de R$ 386 milhões.

As obras da segunda fase da linha 4-amarela foram iniciadas em abril de 2012, com contratos de R$ 559 milhões no total. Até o momento, foi entregue apenas a estação Fradique Coutinho, em novembro do ano passado.

Com o término da segunda fase, a linha terá um total de 11 estações, com 12,8 km de extensão. A previsão inicial do governo do PSDB era de que toda a linha ficasse pronta em 2010.

A ViaQuatro, responsável pelo operação da linha 4-amarela, disse que não comenta a quebra de contrato para a construção das estações, que é de responsabilidade do Metrô e do consórcio Isolux Córsan-Corviam.

HISTÓRICO

Segundo o Metrô, desde o final do ano passado, a Corsán desacelerou o ritmo das obras. Em outubro, as obras da futura estação Oscar Freire ficaram paradas depois que a energia do canteiro foi cortada por falta de pagamento da conta de luz.

O Metrô diz ter notificado o consórcio várias vezes até decidir acionar o Banco Mundial, que financia as obras da segunda fase da linha 4-amarela.

Em março, após vistoria nos canteiros, o banco decidiu rescindir o contrato para a construção das estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia –cuja última previsão de entrega era 2018.

O banco, no entanto, decidiu manter o contrato das estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire, que eram previstas para ser entregues no ano que vem.
Segundo a Folha apurou, o governo pressionou o Banco Mundial a também cancelar esse contrato, mas, para evitar o fracasso do processo, o órgão financeiro aceitou a garantia da empresa espanhola de que retomaria as obras até o fim de abril.

De acordo com o Metrô, os operários do consórcio chegaram a retomar as obras, mas a falta de materiais e equipamentos nos canteiros fez com que os serviços não avançassem.

ADITIVO

Em junho, o governo acertou pagar um aditivo de R$ 20 milhões ao consórcio para que as estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire fossem concluídas.
"Nossa posição sempre foi de rescindir o contrato. Nós temos um financiamento, e o Banco [Mundial] insistiu muito para que se buscasse um entendimento para que a obra continuasse", afirmou Alckmin. O governador justificou que o aditivo era necessário devido a alterações no projeto das estações, que exigiam mais obras –sem especificar quais.

"Geralmente se tem o costume de elogiar empresa privada e falar mal da empresa estatal, mas tem muita empresa estatal boa e tem muita empresa privada muito ruim e quebrada, empresas que se aventuram a fazer obras e quebram", disse Alckmin na ocasião.

Após anunciar o aditivo, o governador informou que a nova licitação das estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia seria feita em julho –o que ainda não ocorreu.
Segundo o Metrô, estão sendo preparados "novos processos licitatórios para contratação das obras para a conclusão da segunda fase da linha".
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SEGUNDA FASE DA LINHA 4-AMARELA DO METRÔ

Lote 1 - Estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire, e construção do pátio e do terminal de ônibus da Vila Sônia. Valor total: R$ 173 milhões

Lote 2 - Estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, e túnel de 1,5 km. Valor total: R$ 386 milhões 


Folha de São Paulo – André Monteiro e Sidney Gonçalves do Carmo - 30/07/2015