terça-feira, 17 de julho de 2018

Em SP, linha que custou R$ 1 bilhão e não chega ao aeroporto tem baixa adesão


Jornal GGN - A linha de trem construída durante o governo Alckmin em São Paulo ao custo de R$ 1 bilhão enfrenta baixa adesão, segundo reportagem da Folha de S. Paulo. Ela foi projetada para se conectar com o aeroporto de Guarulhos, mas no final o modal não chegará ao setor de embarque e desembarque. Agora, a média é de 7,1 mil usuários ao dia, ante uma expectativa de 120 mil. A CPTM e a gestão de Márcio França acreditam que nos próximos meses o cenário deve mudar.
Segundo o jornal, um dos principais motivos "para afastar interessados" é justamente o fato da linha obrigar a "baldeação com um ônibus após desembarcar na estação mais próxima do aeroporto, elevando os tempos de deslocamento e reduzindo a atratividade — diferentemente do plano inicial."
Entregue em março, o trem começou a funcionar em junho, com tarifa de R$ 4. A linha 13-jade é formada pelas estações Engenheiro Goulart, Guarulhos-Cecap e Guarulhos-Aeroporto, totalizando 12,2 km.
De acordo com a matéria, a partir de agosto "está prevista a operação da linha expressa entre as estações Luz e Aeroporto. O serviço terá uma tarifa mais cara: R$ 8." Com essa operação, os usuários conseguirão evitar paradas e baldeações desnecessárias na rede metro-ferroviária no trajeto entre a capital e Cumbica, mas quem viaja com bagagem ainda não chegará ao check-in por causa "da distância entre a estação Aeroporto e os terminais de voo — no caso do terminal 3, ela chega a 2,5 km."
"O projeto original previa a chegada diretamente nos terminais, mas acabou alterado, segundo a CPTM, a pedido da concessionária do aeroporto, que tem planos de construir um shopping center no local onde seria a estação de trem", lembrou a Folha.
GGN – 12/07/2018

Comentário do SIMFERP

Conversa fiada. A concessionária não quer a estação em terminal do aeroporto porque, sendo um coletivo de massa, o trem levaria povão para passear nas dependências do aeroporto. Conclusão: não sai e nem chega a algum lugar central em São Paulo, não atende a população de Guarulhos e não chega aos terminais do aeroporto. Para que serve? Mais inútil apenas o aeromico, isso é, o aeromóvel. Além disso, há que manter a máfia monopolista de ônibus e de táxis que ligam a capital ao aeroporto de Guarulhos.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Metrô de Paris troca nome de estações para homenagear jogadores da Copa


Depois de vencer a Croácia e conquistar o segundo título da Copa neste domingo, as estações de metrô de Paris trocaram o nome de algumas estações

Paris – A rede de transporte público de Paris modificou nesta segunda-feira o nome de seis estações de metrô para homenagear a seleção francesa, que conquistou o título da Copa do Mundo no domingo ao vencer a Croácia por 4 a 2 na final.

A estação Champs Elysées-Clémenceau amanheceu como Deschamps Elysées-Clémenceau, um trocadilho dedicado ao técnico que foi campeão como jogador em 1998 e conquistou a segunda estrela comandando o time no torneio disputado na Rússia. Já a Notre-Dame-des-Champs virou Notre Didier Deschamps pelo mesmo motivo.
A parada Charles de Gaulle-Étoile se transformou em On a 2 Étoiles (“temos duas estrelas”, em francês), enquanto a de Victor Hugo será chamada temporariamente como Victor Hugo Lloris, homenageando o goleiro e capitão que ergueu a taça em Moscou.
Por fim, a Avron se tornou Nous Avron Gagné (trocadilho de “nós ganhamos”) e a estação Bercy está sendo chamada de Bercy les Bleus, remetendo ao termo “Merci” (“obrigado”).
A seleção francesa chega hoje à capital do país e vai desfilar em carro aberto até o Arco do Triunfo, coração da cidade, recebendo o carinho de milhares de torcedores no caminho. Mais tarde, toda a delegação será recebida pelo presidente Emmanuel Macron.
Também comemorando o desempenho na Copa do Mundo, o metrô da Inglaterra vai homenagear o técnico da seleção, que repetiu o segundo melhor desempenho da história do país no torneio. Temporariamente, a estação Southgate se chamará Gareth Southgate.
Exame – 16/06/2018

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Metrô de SP atrasa novamente inauguração de estações da Linha 5-Lilás


Companhia diz que obras estão sujeitas a problemas e complicações com desapropriações e licenciamento ambiental.

O Metrô de São Paulo adiou, mais uma vez, a entrega das últimas estações da Linha 5-Lilás. Quatro delas deveriam ser entregues neste mês, mas agora só serão abertas em agosto, segundo a companhia.

De acordo com o novo cronograma do Metrô, as inaugurações ficam assim:

Inauguração em agosto:

·            AACD-Servidor;
·            Hospital São Paulo;
·            Santa Cruz;
·            Chácara Klabin.

Inauguração em dezembro:

·            Campo Belo.

A última estação inaugurada da linha foi a Moema, em abril, pouco antes da saída de Geraldo Alckmin (PSDB) do cargo de governador. A abertura ocorreu após sucessivos atrasos.

Em nota, o Metrô disse que construções de grande porte exigem altos investimentos e tempo para execução. A companhia acrescenta que as obras estão sujeitas a problemas e complicações com desapropriações e licenciamento ambiental.

O Metrô também citou a crise econômica no atraso da entrega das novas estações.

G1 – 12/07/2018

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Arrastões nos trens da CPTM assustam usuários e funcionários em Santo André


Passageiros estão com medo de embarcar nos últimos horários.

Passageiros e funcionários da CPTM estão assustados com os arrastões nos vagões dos trens e na saída da estação Utinga da linha 10-Turquesa, em Santo André, no ABC Paulista. De acordo com o Sindicato dos Ferroviários, neste primeiro semestre foram cinco assaltos confirmados.

Todos os casos aconteceram de noite, nos últimos vagões onde ficam menos passageiros.

“Normalmente são dois ou três assaltantes, um segura a porta do trem e dois entram. [Quando os vagões estão vazios] eles roubam celulares, mochilas, dinheiro. O trem não pode seguir de porta aberta, então eles roubam e saem pela ponta da plataforma e se evadem do local”, conta Maurício Alves Matos, vice-presidente do Sindicato dos Ferroviários.

Os funcionários também são alvo dos assaltantes, no dia 30 de junho, um maquinista foi roubado quando saía do trem.

A CPTM confirma três ocorrências, mas nega os arrastões, segundo a companhia, os assaltos são isolados e boa parte da segurança do local é feita por empresas terceirizadas, que não usam armas e são treinados para cuidar apenas do patrimônio e não dos usuários.

A empresa informa também que em um dos casos, a equipe de segurança local abordou dois suspeitos com uma arma de brinquedo.

“Os vigilantes fazem uma proteção patrimonial, o atendimento e estão em condições de acionar a equipe de segurança própria que tem uma mecânica muito mais dinâmica, que ela percorre todo o sistema e está em condições de atuar inclusive nos locais de maior risco”, explica Iran Figueiredo Leão, gerente de segurança da CPTM.

G1 – 04/07/2018

segunda-feira, 9 de julho de 2018

CADE publica concentração entre Alstom e Siemens para sinalização ferroviária no Brasil


O CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica tornou público o ato de concentração no Brasil entre as multinacionais do setor ferroviário Alstom e Siemens para projetos de sinalização e eletrificação das vias.

É mais um avanço no âmbito do CADE, que é vinculado ao Ministério da Justiça, para a oficialização do novo modelo de atuação conjunta entre as duas companhias no País.

As duas gigantes, em setembro do ano passado, anunciaram na Europa a fusão das atividades, num processo que foi apelidado de “Airbus ferroviário”, em alusão à união para algumas operações da Airbus e a Bombardier.

Na Europa, o objetivo da fusão foi desenvolver trens de alta tecnologia, como os modelos de “trens-bala”, além de sinalização e sistemas em geral.

A Alstom, da França, e Siemens, da Alemanha, temem o avanço de grandes corporações chinesas, como a CRRC.

CARTEL:

No Brasil, os nomes de Alstom e Siemens estiveram envolvidos em denúncias de formação de cartel, em especial nos sistemas de trens e metrô em São Paulo para obras e manutenções.

Uma das denúncias se refere a um suposto acordo entre Siemens, Alstom, Daimler-Chrysler Rail, ADTranz, Mitsui e CAF, articulado entre 1999 e 2000, no governo de Mário Covas, para fraudar licitações da linha 5 Lilás do Metrô.

Em mais um caso, em junho do ano passado, a justiça aceitou a denúncia no caso do cartel de trens contra a cúpula da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

A denúncia envolveu seis licitações de reforma de trens que teriam sido, segundo o Ministério Público, fraudadas, provocando sobrepreço de R$ 400 milhões (valores de março de 2013), valor que hoje corrigido se aproxima de R$ 558 milhões.

Segundo o Ministério Público, também há evidências da participação de executivos da Siemens, Alstom, Bombardier, T’Trans, MPE e IESA, mas não foram levantadas provas necessárias para incluir estes executivos na denúncia.

No dia 15 de junho de 2018, em outro processo, as empresas se livraram de mais uma acusação de cartel por prescrição do crime.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) extinguiu a denúncia contra executivos num processo sobre formação de cartel em licitações para obras no Metrô de São Paulo, que englobavam a elaboração do projeto executivo, fornecimento e implantação de sistemas para o trecho Ana Rosa-Ipiranga e sistemas complementares para o trecho Ana Rosa-Vila Madalena da Linha 2-Verde. Além de Alstom, Bombardier, foram citadas as empresas Balfour Beatty e T’Trans.

O ministro relator, Nefi Cordeiro, reconheceu que houve fraude na licitação, mas a denúncia não tipificava o crime de cartel.

As irregularidades ocorreram em 2005, mas a denúncia foi apresentada pelo Ministério Público e recebida pela justiça somente nove anos depois, em 2014.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Diário do Transporte – 02/06/2018

sexta-feira, 29 de junho de 2018

CPTM é condenada a pagar hora extra a ferroviário que trocava de turno a cada quatro meses


Uma decisão da 8ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou procedente o pedido de horas extras de um ferroviário demitido pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Ele trabalhava no regime de turnos ininterruptos de revezamento, com alternância quadrimestral.

Inicialmente o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região julgou improcedente o pedido de horas extras, alegando que a periodicidade da mudança “afasta o desgaste físico, psicológico e de convivência social que a Constituição da República busca reduzir com o estabelecimento da jornada de seis horas para os turnos de revezamento”.

O empregado recorreu ao TST, e o relator do recurso, o ministro Márcio Eurico Vitral Amaro, considerou procedente o pedido. Em sua decisão o ministro afirmou que a mudança de turnos, ainda que realizada a cada quatro meses, “desajusta o relógio biológico em decorrência das alterações nos horários de repouso, alimentação e lazer”. E concluiu o relator: “Estabelecida a alternância, há maior desgaste para a saúde e a vida familiar e social do empregado”.

Com a decisão, o ferroviário dispensado pela Companhia vai receber pagamento extra pela sétima e oitava horas em que trabalhou nesse sistema de turnos.

Diário do Transporte – 29/06/2018

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Sem prazo para o ferroanel (SP)

Discutido há pelo menos cinco décadas por governantes e empresários, o Ferroanel, que teria um dos trechos – o Sul – passando pelo Grande ABC, parece ideia cada vez mais distante de moradores da região. Embora a recente greve de 11 dias de caminhoneiros em todo o País tenha trazido à tona a importância do projeto para desafogar transporte rodoviário, não há sequer previsão para que a obra de gigantesco porte saia do papel. 

Apresentada nos anos 1990 como solução para o já na época saturado sistema de transporte de cargas por rodovias, o modal é simples, pois segue o conceito do Rodoanel, porém em ramal ferroviário. A ideia é contornar São Paulo com trilhos e escoar cargas do Porto de Santos para o Interior, o que liberaria a malha existente para o transporte de passageiros.

Especialistas ressaltam que, apesar de ousado, continua a ser projeto viável, tendo em vista o sinal de aporte financeiro do governo do Estado e da União para sua execução.
Para o professor Luiz Vicente Figueira de Mello Filho, coordenador do curso de Engenharia do Mackenzie Campinas, a vantagem do Ferroanel pode ser explicada numa simples conta. “Um vagão suportaria a carga transportada por três caminhões, ou seja, um trem com 20 composições tiraria 60 caminhões das rodovias.”
O projeto desafogaria o sistema de logística atual, tendo em vista que 88% do transporte de cargas do Estado são feitos via rodovias e apenas 8% via ferrovias.
Outro impacto será para usuários de transporte público. Com o avanço populacional da Grande São Paulo e o crescimento da economia nacional, a convivência entre trens de carga e de passageiros começou a ficar complicada. A Linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que atende nove estações no Grande ABC, é exemplo. Atualmente, compartilha trilhos com a concessionária de cargas MRS. A medida, no entanto, impede expansão do serviço.
“Na verdade, além de significar perda enorme para a economia do Grande ABC, e também do Estado, o não andamento do Ferroanel terá impactos cruciais para o futuro do transporte ferroviário de passageiros”, avalia a arquiteta urbanista e doutora em planejamento urbano Silvana Zioni, professora da UFABC (Universidade Federal do ABC). “É uma questão de vontade política. Poderíamos ter um modal para o transporte de cargas e passageiros aproveitando ramais já existentes”, ressalta.
Análise semelhante faz o professor de Engenharia da FEI (Fundação Educacional Inaciana) Creso Peixoto, especialista em Transportes e Mobilidade Urbana. “O projeto é uma grande solução para São Paulo. Certamente com ele outros projetos, como o Trem Metropolitano (Campinas-Santos), poderiam sair efetivamente do papel. Porém, se o Ferroanel não vingar tudo ficará difícil.”
SEM PRAZO
Cogitado inicialmente para entrar em operação em 2008, o trecho Sul do modal sequer tem projeto executivo elaborado. “Não existe nenhuma ação em andamento”, destaca o governo do Estado, além de jogar a responsabilidade pelo atraso na União. “Trata-se de iniciativa federal”, justifica.
Embora em melhor situação, o trecho Norte do Ferroanel, que ligará o Interior de São Paulo a Santos, segundo a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), aguarda parecer da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para emissão da licença ambiental previa pelo Consema (Conselho Estadual de Meio Ambiente), porém sem qualquer previsão para início das suas obras.
O traçado de 52,75 quilômetros de extensão depende ainda de recursos estimados em R$ 4 bilhões para conectar as estações Engenheiro Manoel Feio, em Itaquaquecetuba, na Região Metropolitana, e Perus, em São Paulo. O projeto, que prevê a retirada de aproximadamente 7.300 caminhões por dia das rodovias estaduais, já consumiu cerca de R$ 6,7 milhões dos cofres da União.
OUTRO LADO
Segundo a Dersa, no momento, o Estado elabora estudos básicos para obtenção de orçamento estimado do trecho Norte do Ferroanel. A conclusão deste processo está prevista para outubro, mas dependerá de análise da União.
Procurado pelo Diário, o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil não retornou aos contatos até o fechamento desta edição.
Diário do Grande ABC - 25/06/2018

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Passageiros reclamam de banheiros fechados após 22h em estações da CPTM


Companhia afirma que banheiros ficam fechados das 22h às 4h para evitar casos de vandalismo e furto.

Passageiros da CPTM reclamam que os banheiros das estações ficam fechados após as 22h e que funcionários indicam opções a 100 metros da estação. Nas portas, foram colados avisos de horário de funcionamento.

Além do problema com os banheiros, na estação Osasco, as escadas rolantes também estão desligadas após as 22h e o elevador está quebrado. Na Morumbi, quatro banheiros fechados, inclusive o exclusivo para deficientes.

"Se é público, tem que estar aberto", reclamou uma das passageiras. Um jovem, que sempre faz o mesmo trajeto pelo terminal Lapa, afirma que os funcionários indicam um banheiro do lado de fora da estação, mas é necessário andar um trecho escuro pela Rua Guaiacurus.

Em nota, a CPTM informou que os banheiros funcionam das 4h às 22h em função de casos de vandalismo e furtos registrados e que orienta os passageiros a usarem os banheiros públicos próximos às estações ou pedir ajuda dos funcionários.

A companhia também informou que está instalando saboneteiras de concreto e torneiras com fixador para evitar prejuízos para os cofres públicos.

Sobre a escada rolante quebrada da estação Osasco, a CPTM afirmou que aguarda manutenção. Também informou que o elevador quebrado foi alvo de vandalismo e espera a reposição da peça retirada.

G1 – 25/06/2018

Comentário do SINFERP

Ah, tudo que não funciona é ato de vandalismo. Para que gasta tanto dinheiro com câmeras e seguranças, hein? Escada rolante que não funciona, em Osasco, é coisa corriqueira, e diária.

sábado, 23 de junho de 2018

CPTM reduz a zero receita para modernizar trens da região do ABC (SP)


Apesar dos problemas, companhia não prevê reforma das composições da Linha 10-Turquesa. 
A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) reduziu a zero, neste ano, os repasses reservados em seu orçamento para modernização de trens que circulam no Grande ABC pela Linha 10-Turquesa – liga Rio Grande da Serra ao Brás, na Capital. A informação foi obtida pelo Diário via Lei de Acesso à Informação.
A diminuição do montante quebra sequência de três anos consecutivos em que o ramal recebeu investimentos do Estado. No período, a CPTM repassou cerca de R$ 25,2 milhões para a manutenção de composições que atendem nove estações no Grande ABC.
Com média diária de 370 mil passageiros, sendo 181,4 mil usuários somente na região, a Linha 10-Turquesa tem uma das frotas mais antigas do Estado. São ao menos 25 trens com ano de fabricação entre 1974 e 1977, da série 2.100, circulando pelo ramal, segundo último balanço divulgado pela companhia. Originalmente projetadas e utilizadas na Espanha como trens regionais de média distância, as composições entraram em circulação no Brasil em 1998, após modernização.
A CPTM até chegou a realizar, no início do ano, a renovação parcial dos trens que operam no Grande ABC. Oito composições da série 7.500, fabricadas em 2011 e que até então operavam Linha 9-Esmeralda, foram remanejadas para a Linha 10-Turquesa.
A medida, no entanto, não surgiu efeito esperado. “Os trens ainda são muito lentos e inferiores aos de outras linhas de São Paulo”, relata a manicure Jéssica França, 25 anos.
Com sinais de ferrugem na parte externa, algumas composições chegam, inclusive, a ter problemas com a entrada de água em dias de chuva. “Quando para na estação é impossível ficar na porta, pois fica tudo molhado dentro do trem, mesmo com a cobertura da parada”, relata o segurança João Aparecido Nunes, 58.
Questionada sobre a diminuição do repasse, a CPTM declarou, cptmpor meio de nota, que toda a frota da Linha 10-Turquesa será renovada. “Essas unidades já estão sendo substituídas”, destacou. A companhia, porém, não forneceu detalhes de quais modelos serão destinados à região, tampouco quando isso irá ocorrer. Vale lembrar que a CPTM adquiriu, em 2013, total de 65 composições, ao custo de R$ 1,8 bilhão. Deste lote, 42 trens já foram entregues, mas, nenhum atua na região.
Desde o início do ano, este é o segundo corte no sistema de transporte ferroviário. Em janeiro, o Diário mostrou que o Palácio dos Bandeirantes reduziu de R$ 20,8 milhões para R$ 1 milhão o montante reservado no Orçamento de 2018 para bancar custos judiciais com os processos de desapropriações – primeira etapa do projeto – da área por onde passará a Linha 18-Bronze do Metrô, que ligará o Grande ABC à Capital.

Diário do Grande ABC – 19/06/2018

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Entre os trens, um capítulo da história de SP


Tombamento de quatro estações do Metrô vira disputa judicial entre a estatal e a Prefeitura.

SÃO PAULO - Desce escada, compra bilhete, passa roleta, entra no vagão. No vaivém paulistano, sobra pouco tempo para reparar no entorno - menos ainda em locais de passagem, como o metrô. Com legado menos evidente que casarões, prédios e palacetes, elas também carregam pedaços da história.

Com esse argumento, as estações Armênia, Liberdade, Portuguesa-Tietê e Santana da Linha 1-Azul de São Paulo foram tombadas em dezembro em âmbito municipal. Segundo a resolução que determina o tombamento dos espaços, devem ficar preservadas todas as características arquitetônicas externas e internas das áreas, além de tamanho e formato do local.

Mas a medida é questionada pelo Metrô, que alega não ter sido notificado sobre o processo no Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp), vinculado à Prefeitura. Em 23 de maio, uma liminar concedeu o mandado de segurança e reverteu temporariamente o tombamento, que voltou a ser provisório - isto é, como se não tivesse sido aprovado. O Município, que vai recorrer, disse que todas as decisões do Conpresp são publicadas no Diário Oficial da Cidade.

Na prática, como o processo segue em aberto, as estações estão sujeitas às normas de tombamento, o que inclui a aprovação prévia para reforma, restauração e demolição.

Segundo o Metrô, a necessidade de aprovar projetos no Conpresp pode "congelar" as estações na configuração atual, o que dificultaria adaptações e reformulações dos espaços, trazendo "graves prejuízos à otimização da rede existente".

"A expansão contínua da rede de metrô, com a implantação de novas linhas, tem como pressuposto o aproveitamento de estações já existentes para se transformarem em pontos de conexão", informou a estatal, que afirmou ter como diretriz a preservação das "características originais" das estações.

Originalmente, esse tombamento estava em um processo que reunia 79 bens enquadrados como Zonas Especiais de Preservação Cultural por prefeituras regionais e indicados em audiências públicas da lei de zoneamento de 2004. Mas em 2017 o processo foi desmembrado, o que resultou em um focado só nas quatro estações.

O Patrimônio Estadual também já tombou 11 estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Legado. As quatro estações integram a primeira linha de metrô do País, originalmente Linha Norte-Sul, de 1974. É a obra mais conhecida do arquiteto carioca Marcello Fragelli, morto há quatro anos. Uma das estações, a Armênia, teve o projeto premiado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB).

A Linha 1 começou a ser construída em uma época de urbanização acelerada e havia uma demanda por transporte rápido e de alta capacidade de passageiros. Nesse contexto, ainda era pouco usual que arquitetos participassem de obras de infraestrutura. Modernistas, as estações são expoentes do brutalismo, caracterizado pelo uso do concreto armado (e aparente), adotado também em estações de Washington e Montreal, segundo a professora de Arquitetura Ruth Verde Zein, do Mackenzie.

A tecnologia, que mistura concreto e aço, começou a ser usada em estruturas urbanas especialmente após os anos 1950 e 1960, com o desenvolvimento de aço de melhor qualidade. "Por meio de um projeto de arquitetura adequado, uma estação pode ser mais do que apenas o acesso para o sistema", diz arquiteta Luísa Gonçalves, que estuda as linhas do Metrô em seu doutorado.

Diário do Grande ABC – 16/06/2018