terça-feira, 27 de setembro de 2016

PF suspeita de propina em obras do Metrô de SP


foto Adriano Vizoni
Com base em 32 conjuntos de mensagens trocadas por e-mail entre executivos da empreiteira Odebrecht, a Polícia Federal organizou uma lista dos casos em que a empresa é suspeita de ter pago propina a políticos para obter vantagens indevidas em contratos com o poder público. Entre elas estão mensagens com pedidos de pagamentos de porcentagens referentes a obras das linhas 2-Verde e 4-Amarela do Metrô de São Paulo.

Os e-mails revelam ainda um pedido de pagamento de R$ 500 mil, em 2004, relacionado a uma "ajuda de campanha com vistas a nossos interesses locais". Na mensagem, assinada pelo diretor da Odebrecht responsável pelo contrato da Linha 4, Marcio Pellegrini, ao Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, conhecido como "departamento de propinas" da empreiteira, há uma referência ao codinome "Santo".

A PF, contudo, afirma não ter identificado a quem se referem os codinomes destas planilhas e, por isso, os possíveis destinatários destes pagamentos não foram alvo da Operação Omertà, deflagrada na segunda-feira (26).

"Verificou-se que alguns pagamentos eram solicitados explicitamente a título de contribuição para campanhas eleitorais, mas, ao contrário de qualquer alegação de que se tratariam apenas de contribuição popularmente conhecida como caixa 2, encontravam-se diretamente atrelados ao favorecimento futuro da Odebrecht em obras públicas da área de interferência dos agentes políticos", afirmou o delegado da PF Filipe Hile Pace.

Ao todo, a PF lista mais de 20 e-mails referentes às obras do metrô paulista, sempre partindo dos diretores e executivos ligados à obra para executivos do "departamento de propinas" e para o então presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Barbosa Júnior, que na maioria dos casos repassava o pedido de pagamento para Marcelo Odebrecht aprovar.

Nas trocas de e-mails aparecem o total de nove apelidos, sendo seis ligados às obras da Linha 2 e a porcentagens de pagamentos que variam de 0,5% a 4%, e dois ligados às obras da Linha 4. A Odebrecht participou do consórcio que fez os lotes 1 e 2 da Linha 4 e também atuou na expansão da Linha 2, ligando as estações Ana Rosa e Imigrantes.

Em 4 janeiro de 2006, por exemplo, Fábio Gandolfo, diretor de contrato da Linha 2, encaminha a Ubiraci Santos, apontado como um dos responsáveis por fazer as solicitações de pagamentos ilícitos do Setor de Operações Estruturadas, uma planilha com pagamentos para "Corintiano", "Estrela", "Bragança" e "Brasileiro", previstos para 11 de janeiro.

Em outro e-mail, de maio, com o assunto "Metro SP", Gandolfo informa que foi assinado um aditivo contratual referente ao lote 3 da obra, no valor de R$ 37,7 milhões, e pede que seja adicionado as propinas referentes a este aditivo à "Planilha DGI". Segundo a Lava Jato, a sigla DGI era utilizada com frequência pelos executivos da Odebrecht para se referir aos pagamentos ilícitos e aos acertos do "departamento de propina".

Neste aditivo, o maior porcentual ficaria, segundo a planilha, com "Estrela", o equivalente a 4% do valor do contrato, totalizando R$ 1,5 milhão.
Rio
Na lista de obras citadas nas mensagens reveladas pela PF, 14 se referem a obras no Rio de Janeiro - 11 na capital, duas em Rio das Ostras (Região dos Lagos) e uma em Campos (norte fluminense).

Esses e-mails permitem concluir que 16 pessoas ou grupos de pessoas se beneficiaram da propina. Elas são identificadas por codinomes como "Bolinha", "Pavão", "Rasputim", "Barba Negra" e "Casa de Doido".

Defesa
Por meio de nota, o governo de São Paulo afirmou que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) não mantém relações com empresários "que não sejam pautadas estritamente pelo interesse público".

"O Governo de São Paulo está à disposição para colaborar com a força tarefa e já determinou que a Corregedoria-Geral da Administração (CGA) solicite compartilhamento de informações."

Também em nota, a Secretaria de Transportes de São Paulo afirma desconhecer irregularidades em suas obras. "As empresas, contudo, estão à disposição para colaborar com a Força Tarefa da Lava Jato e esclarecer toda e qualquer informação."

Consultada pela reportagem, a Odebrecht não quis se manifestar. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Folha de São Paulo – 27/09/2016
Comentário do SINFERP
Polícia Federal? Comandada pelo careca que é Ministro da Justiça do governo Temer? Que foi o chefe de blindagem do governo Alckmin? Pode esquecer... Vai dar gaveta, como de costume.

Por que o delegado não autuou suspeito de estupro no metrô do Recife (PE)?


Uma sequência de dúvidas cerca a conduta de um delegado da Polícia Civil em relação à apuração de uma denúncia de abuso sexual dentro do metrô do Recife. Acompanhada da mãe, uma estudante de 21 anos prestou depoimento à Central de Plantões da Capital e afirmou que foi apalpada por um homem de 39 anos dentro de um dos vagões. Segundo a vítima, isso já vinha acontecendo nos últimos dias e se repetiu nesta quarta-feira (21). Mas nesta última vez, não aguentou e, chorando, pediu ajuda de segurança da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) para deter o suspeito.

Para a surpresa da estudante, porém, o homem não foi autuado em flagrante. O delegado de plantão decidiu abrir um inquérito e liberou o suspeito, que estava acompanhado de um advogado. Aos jornalistas, o delegado afirmou que o abuso foi praticado na terça-feira, e que, por isso, não caberia mais o flagrante. Na frente dele e de jornalistas, a estudante reforçou que nesta quarta-feira ela também foi apalpada nas partes íntimas pelo mesmo suspeito. Mesmo assim, o delegado não levou em consideração o relato dela e expulsou, aos gritos, dois jornalistas da sala porque os mesmos questionaram a decisão de liberar o suspeito.

Com a repercussão na imprensa, a Polícia Civil agiu rápido e convocou a estudante para prestar novo depoimento na Delegacia da Mulher. Ainda abalada pela situação, a garota teve que relembrar à polícia novamente detalhes do que aconteceu e das perseguições que, segundo ela, vinha sofrendo há duas semanas. A delegada Ana Elisa Sobreira estranhou a conduta do colega de profissão, mas preferiu não opinar. Prometeu, no entanto, que iria apurar as circunstâncias da liberação do suspeito e afirmou que ele poderá, sim, ser indiciado por estupro.

O Departamento de Polícia da Mulher vem realizando um trabalho intenso para combater identificar e prender criminosos responsáveis por abusos sexuais. As delegadas Ana Elisa Sobreira, Marta Virgínia e Inalva Regina são algumas das mais experientes profissionais da área e estão trabalhando incansavelmente para acabar com a onda de estupros que preocupa toda a sociedade. Mas, diante de centenas de casos, é preciso, de fato, que todos os profissionais da área de segurança, seja em qual delegacia for, estejam aptos a receber as vítimas com o respeito que elas merecem.

É preciso que a Chefia da Polícia Civil de Pernambuco oriente melhor delegados, comissários e agentes para que tratem bem as mulheres que procuram ajuda policial, principalmente aquelas vítimas de crimes sexuais, e para que evitem falhas como a que parece ter ocorrido nesta quarta-feira na Central de Plantões da Capital.

E mais: a Secretaria de Defesa Social (SDS) precisa vir a público dar explicações sobre o episódio. É de estranhar a atitude do delegado ao liberar o suspeito com o argumento de que a estudante teria sido abusada no dia anterior e que não havia mais um flagrante. A vítima foi categórica ao dizer que o abuso também aconteceu minutos antes do homem ser detido.

E o mais grave: a jovem denuncia que parte do relato dela sobre o abuso sofrido nesta quarta-feira (21) teria sido retirado do boletim de ocorrência feito na Central de Plantões. É no mínimo necessário que seja aberto um processo administrativo na Corregedoria da SDS para que o caso seja investigado a fundo, afinal são muitas questões sob suspeita.

Jornal do Commercio – 21/09/2016

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Governo de SP anuncia venda das linhas 5 e 17 do Metrô para grandes empresários


Governo de SP e Metrô avançam em projeto de privatização em audiência pública. Metroviários realizam manifestação para dizer não à privatização.

O Governo do Estado de São Paulo e o Metrô de São Paulo apresentaram na última sexta-feira, dia 23, em audiência pública, parte do projeto de privatização das linhas 5 -Lilás e 17 - Ouro da rede metroviária de São Paulo. A atividade contou com uma manifestação dos metroviários e do Sindicato que foram para dizer que não aceitarão o projeto de privatização do Estado e do governo golpista de Temer.
Paulo Menezes de Figueiredo, diretor-presidente do Metrô, foi quem apresentou o projeto e comunicou que a iniciativa privada ficará responsável pela operação (venda de bilhetes e atendimento ao usuário) e manutenção das Linhas, e sua construção será de responsabilidade do Estado. As linhas serão entregues à iniciativa privada prontas, com novos trens e sistema implementado. Ou seja, o Estado garantiria as linhas e os empresários e a iniciativa privada lucraria em cima dela.
José Carlos Nascimento, diretor financeiro do Metrô, afirma que as empresas receberão R$ 1,69 por passageiro transportado, em uma expectativa de 855 mil passageiros por dia na linha 5-Lilás e 185 mil na Linha-17. Tal contrato teria, a princípio, 30 anos de duração.
A concorrência está prevista para ser aberta em dezembro deste ano, e poderão concorrer empresas estrangeiras e nacionais, podendo as mesmas que hoje estão envolvidas nos escândalos de corrupção concorrer, por exemplo as que estão sendo hoje denunciadas no Propinoduto e na Lava Jato.
Os metroviários que marcaram presença na consulta pública se manifestaram contrários ao projeto de privatização, com faixas, cartazes e falas no plenário.
Entre as perguntas feitas à direção da empresa, foi questionada a expansão da Linha 5-Lilás, inicialmente prometida pelo governo para chegar até o bairro do Jardim Ângela, Zona Sul de SP. Os representantes do Metrô e do Governo afirmaram que a extensão será apenas até a estação Brooklin, cancelando o projeto original e provando ser uma grande propaganda enganosa do golpista Geraldo Alckmin acerca da expansão da malha metroviária na cidade de SP.
Questionados sobre o que acontecerá com os funcionários que hoje trabalham na Linha 5-Lilás após a venda desta linha para os grandes empresários privatizantes, a empresa respondeu que "aqueles que estiverem trabalhando na linha serão realocados e reaproveitados nas demais Linhas", não se manifestando acerca da possibilidade de terceirização. A categoria segue preocupada com a situação dos trabalhadores, pois alguns já foram deslocados e há até mesmo demissões.
Esquerda Diário – 25/09/2016

domingo, 25 de setembro de 2016

Santos (SP) inaugura bonde que será usado para atividades artísticas


foto Anderson Bianchi
Veículo foi doado em 2009 pela cidade de Turim, na Itália. Ao todo, R$ 500 mil foram investidos para a reforma do bonde.
A Prefeitura de Santos, no litoral de São Paulo, inaugurou nesta segunda-feira (23) mais um veículo da linha turística de bondes. O novo equipamento é uma espécie de Bonde Arte e será utilizado para atividades culturais e artísticas.
De acordo com informações da Prefeitura de Santos, o veículo foi doado em 2009 pela cidade de Turim, na Itália.
O equipamento foi restaurado neste ano com a verba do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade) e da administração municipal. Ao todo, R$ 500 mil foram investidos para a reforma do bonde.
A junção dos antigos vagões servirá como palco para as apresentações musicais ou teatrais. Além disso, poderão ser realizadas exposições de quadros e fotos, saraus, lançamentos de livros e outros eventos.
G1 – 23/09/2016

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Metrô SP negocia mais R$ 108 milhões em dívidas


Em crise financeira, governo tenta de todas as maneiras renegociar dívida milionária do Metrô com credores.

A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) reconheceu mais duas dívidas milionárias com consórcios contratados em 2009 para reformar 98 trens das linhas 1-Azul e 3-Vermelha. Os débitos somam R$ 108 milhões e o pagamento em parcelas até abril de 2017 foi negociado com a Alstom Brasil Energia e Transporte, empresa acusada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de integrar um cartel para fraudar licitações de metrô e trens durante os governos José Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. Com isso, as dívidas do Metrô acumuladas com fornecedores já chegam a R$ 150 milhões.
O maior débito, no valor de R$ 70,8 milhões, é com o Consórcio Reformas Metrô (Alstom e Iesa), para "modernização" de 22 trens e fornecimento de equipamentos na Linha 3. Outra dívida, de R$ 37,5 milhões, é com o Consórcio Modertrem (Alstom e Siemens), para reforma de 25 trens da Linha 1.
Na segunda-feira, 12, o jornal O Estado de S. Paulo mostrou que o Metrô já havia negociado pagamento de R$ 41 milhões de dívidas com o Consórcio BTT (Bombardier, Temoinsa e Tejofran), contratado para reformar 26 trens da Linha 1.

O Metrô afirmou, em nota, que "o procedimento é totalmente legal e previsto nas relações com fornecedores de serviços e obras" e que "não há qualquer prejuízo" à empresa e "nos serviços prestados aos usuários com os parcelamentos".

Ao todo, o Metrô assinou quatro contratos em abril de 2009 para reforma de 98 trens no valor de R$ 1,7 bilhão. Até agora, 80 trens já foram reformados. Segundo denúncia feita pelo MPE à Justiça em 2015, houve conluio entre as empresas para dividir as contratações e os valores apresentados na licitação tiveram sobrepreço de R$ 122 milhões. Seis executivos das empresas viraram réus. O Metrô afirmou à época que a denúncia não envolvia nenhum funcionário da estatal, que não compactua com irregularidades e colabora com a Justiça. 

Na segunda-feira, o jornal O Estado de S. Paulo mostrou que, por causa de uma crise financeira, com quedas de repasses do governo Alckmin e no número de passageiros, além dos atrasos nas obras, o Metrô tem alterado a ordem de pagamentos a fornecedores para evitar despejos dos canteiros.

Jovem Pan – 13/09/2016

Comentário do SINFERP

O leitor notou que é SEMPRE algum “consórcio”? Interessante que, além de SEMPRE ser um “consórcio”, SEMPRE consórcio entre os de SEMPRE.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Vandalismo interdita banheiros da estação de trem de Deodoro (RJ)



estação São Cristovão
RIO - Os banheiros masculino e feminino da estação de trem de Deodoro, na Zona Oeste do Rio, estão interditados devido a atos de vandalismo durante os Jogos Olímpicos. Segundo a SuperVia, concessionária que administra o transporte, foram furtados acionadores de descarga, registros e parte de uma torneira dos banheiros para deficientes. O crime aconteceu no último domingo, quando aconteceu a festa de encerramento da Paralimpíada no estádio do Maracanã.

De acordo com a empresa, técnicos estão fazendo os reparos e a reposição das peças dos banheiros. Ainda não há previsão de reabertura.

Na madrugada desta quarta-feira, foi arrombada a porta de uma caixa localizada embaixo da plataforma 2 da estação São Cristóvão, onde ficam as instalações de cabos e tubulações de água e esgoto da estação.

FURTO EM SÃO CRISTÓVÃO

Na Paralimpíada, o terminal de São Cristóvão também foi alvo de furto de um poste de iluminação de LED, localizado na nova rampa de acesso pela Rua General Herculano Gomes, em frente à Quinta da Boa Vista. Também foram levadas três luminárias que tinham sido instaladas na rampa e na passarela, construídas recentemente sobre a Avenida Radial Oeste.

Além disso, vândalos picharam a rampa da estação Olímpica de Engenho de Dentro, que passa sobre a Rua Amaro Cavalcanti. Na ocasião, houve danos às portas de elevadores das plataformas 1 e 2 nos primeiros dias da Olimpíada.

A SuperVia informou que repudia essas ações, que têm danificado o patrimônio público e o investimento que a concessionária tem feito para a reforma de estações.

O Globo – 21/09/2016

Comentário do Sinferp

Gozado: a SuperVia lamenta, etc., mas não fiscaliza.

Incêndio em bueiro interrompe operação em quatro estações do VLT do Rio


RIO - Um trecho do Veículo leve sobre trilhos (VLT), no Centro do Rio, teve a circulação interrompida temporariamente, na manhã desta quinta-feira, pós um bueiro pegar fogo na esquina da Avenida Buenos Ares com Rio Branco. Por volta das 9h30m, o Corpo de Bombeiros entrou em contato com o consórcio VLT e solicitou a interrupção de parte do serviço.
Por medida de segurança, a empresa que opera o transporte informou que o trecho, entre as estações da Cinelândia e da Carioca, não está operando.
Com isso, estão fechadas as estações São Bento, Candelária, Sete de Setembro e Carioca. O serviço só está feito entre a Cinelândia e o Santos Dumont, e da Parada dos Museus até a rodoviária. O consórcio informou ainda que não há previsão da volta do serviço.
Na estação Candelária, os passageiros foram surpreendidos com a interdição de parte do trecho da Avenida Rio Branco, por onde passa o bonde.
— E agora como faço para chegar ao Santos Dumont? Nem sei que ônibus posso pegar — se perguntava a aposentada Maria das Graças Moura, de 66 anos.
Alguns agentes do VLT estão nas estações ao longo da Rio Branco para informar e orientar os usuários.
Equipes da CEG estão no local e tentam resolver o problema. A companhia informou que está apurando as causas do incidente e que todas as medidas de segurança já foram tomadas.
O Globo – 22/09/2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Todo mundo "ligado": Diário Oficial de 20/09, pag. 20.


Audiência Pública para prestar esclarecimentos, colher sugestões e contribuições com vistas à PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA E CORRETIVA DE Trens Unidades Elétricos das Séries 2000, 2070 (2000 fase II), 2100, 3000, 7000, 8500, 9000 e 9500 da CPTM, co fornecimento de materiais, insumos e equipamentos..

Cresce número de vendedores ambulantes na CPTM


Dados da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos comprovam algo que é notado diariamente pelos passageiros: a quantidade de vendedores ambulantes nos trens e estações está cada vez maior. Segundo a CPTM, foram feitas quase 80 mil apreensões de mercadorias a mais entre janeiro e julho deste ano na comparação com o mesmo período de 2015. 
A reportagem da BandNews FM passou uma tarde nos trens da CPTM e acompanhou a ação dos ambulantes. Em um percurso de cinco estações passaram pelo menos dez homens com mochilas anunciando os produtos dentro da composição.
Essas vendas também acontecem do lado de fora dos trens, nas plataformas de embarque e desembarque: celulares, cartões de memória e fones de ouvido são oferecidos aos passageiros.
Hoje, só é possível alugar espaços oficiais para o comércio nas dependências da CPTM em períodos comemorativos, como o Natal, com permissão para trabalho por 90 dias e mediante apresentação do CNPJ.
Band – 20/09/2016

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

EPL, estatal responsável pelo trem-bala Rio-SP, é alvo de denúncias


Empresa de Planejamento e Logística, criada em 2012 para colocar nos trilhos o primeiro trem de alta velocidade do Brasil, não cumpriu o objetivo. Hoje, se assemelha a outros órgãos da administração pública em quesitos como o loteamento por políticos.
Quando foi criada, ainda em 2012, o principal objetivo da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), vinculada ao Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, era operacionalizar o ambicioso projeto do trem-bala, que ligaria Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas (SP). Além disso, a estatal deveria auxiliar na realização de projetos e concessões de obras de infraestrutura para a iniciativa privada. Mas, passados quatro anos desde sua criação, a EPL segue fora dos trilhos, com as engrenagens enferrujadas por velhas práticas, como loteamento de cargos para apadrinhados do PT e do PR.
Outro problema diz respeito ao exercício irregular de advocacia dentro dos quadros da empresa e envolve a Procuradoria Jurídica-Geral. A titular do cargo, Andrea Andreis, defende o próprio marido, acusado de corrupção. Ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), Hideraldo Carón responde a processos na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU) por superfaturamento em obras rodoviárias no sul do país, entre outras suspeitas. Andrea era a representante jurídica dele nesses processos — prática vedada pela Lei 8.096/94, que impede servidores de advogar contra a fazenda pública que o remunere.

Ao ser nomeada para o cargo na EPL, Andrea deveria ter pedido desligamento do caso envolvendo o marido. No entanto, como mostra edição do Diário Oficial da União (DOU) de 4 de abril, ela ainda constava como representante legal de Hideraldo.
“Quando o servidor assume cargo público e possui ação contra a fazenda pública, precisa ter o cuidado de subestabelecer a causa. Isso não pode continuar acontecendo em paralelo à atividade pública que o remunera”, explicou o advogado Antônio Rodrigo Machado, que faz parte da Comissão de Legislação Anticorrupção da Seccional do DF da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF).
Ao ser questionada sobre o episódio, a EPL se limitou a responder, por meio de nota, que “a procuradora-geral Andrea Vieira Andreis constituiu o advogado Pablo Alves Prado como seu procurador no caso”.
Apadrinhados do PT e pressão de deputado federal
Andrea e Hideraldo pertencem ao grupo político do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), padrinho de uma série de cargos na EPL ao longo dos governos petistas. A relação de Hideraldo com o PT é antiga, tanto que ele foi o representante do governo gaúcho em Brasília durante a administração Tarso Genro (2011-2014). Na época, Hideraldo já respondia a ações na Justiça.
 Com o afastamento da agora ex-presidente Dilma Rousseff (PT), técnicos da empresa relataram ao Metrópoles que o deputado Paulo Pimenta vem tentando articular uma maneira de manter a influência dentro da EPL. No entanto, ao ser questionado pela reportagem, o parlamentar negou que tenha qualquer ingerência sobre a estatal. “É uma calúnia dizer que quero ter influência por lá”, protestou. Pimenta ainda refutou a informação de que Andrea seja sua indicação.
Embora negue a proximidade com a procuradora-jurídica-geral da EPL, tanto Andrea quanto o marido, Hideraldo, doaram R$ 5 mil cada um para a campanha de Pimenta em 2014. O deputado assegura que esse fato não tem relação com a indicação de Andrea para o cargo: “Eu não sei o emprego de todo mundo que me faz doação”, rebateu.
A influência do PR
Outro caso controverso na EPL é a suspeita de nomeação envolvendo a esposa de um servidor ligado ao PR que foi alvo da chamada “faxina ética” no primeiro governo de Dilma Rousseff. Alessandra Campos Carvalho de Souza, lotada na Gerência de Finanças da Empresa de Planejamento e Logística, teria sido nomeada após forte pressão do marido, Augusto César Carvalho Barbosa de Souza.
Augusto César, servidor de carreira da Controladoria-Geral da União (CGU), foi coordenador-geral da área de Contas do Governo na pasta. Mas, na gestão petista, passou a atuar na área de Transportes, que era comandada pelo PR. Foi por meio do partido que Augusto César chegou ao Dnit. Em 2006, ele foi nomeado ouvidor do departamento e, a partir de 2008, passou a acumular também o cargo de corregedor da instituição, encarregado de investigar e punir responsáveis por desmandos.
Posteriormente, Augusto César passou a ser investigado pelo próprio órgão de origem, a CGU, por suspeita de envolvimento em irregularidades que derrubaram o então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e outros seis membros da cúpula da pasta ligados ao PR, ainda em 2011.
Ao ser indicado para assumir a Diretoria de Administração e Finanças do Dnit naquele mesmo ano, foi “desconvidado” por Dilma devido ao histórico suspeito.
Mesmo após o episódio, Augusto César conseguiu um cargo no setor comandado pelo PR. Em junho de 2015, ele foi nomeado assessor especial de controle interno no Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, onde está até hoje.
Por meio da assessoria de imprensa, a EPL negou irregularidades e informou que os critérios de escolha de Alessandra foram técnicos, e não políticos. “Alessandra Campos Carvalho de Souza é uma profissional qualificada, com ampla experiência na administração pública”, disse, por meio de nota.
Entretanto, o advogado Antônio Rodrigo Machado, da Comissão de Legislação Anticorrupção da OAB-DF, contesta a informação.
Há uma presunção de imoralidade na contratação de parentes para cargos de confiança dentro de órgãos ou esferas públicas vinculadas. Há um impedimento, ainda que eles tenham qualificação técnica".
Antônio Rodrigo Machado, da Comissão de Legislação Anticorrupção da OAB-DF
A reportagem não conseguiu contato com Andrea Vieira Andreis, Hideraldo Carón, Augusto César Carvalho Barbosa de Souza e Alessandra Campos Carvalho de Souza para comentar o caso.
Metrópoles – 19/09/2016