sexta-feira, 22 de maio de 2015

MP de SP denuncia funcionários de empresas suspeitas de formar cartel

Contratos da denúncia são de reformas de 98 trens de 2 linhas do Metrô.  Promotor também pediu prisão de um dos integrantes do suposto esquema.

O Ministério Público de São Paulo denunciou seis representantes de empresas suspeitas de formação de cartel e de fraudar licitações do Metrô. O promotor também pediu à Justiça a prisão preventiva de um dos integrantes do suposto esquema, informou o SPTV nesta sexta-feira (22).

A denúncia criminal é contra funcionários que representavam as empresas contratadas para reformar 98 trens das linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô.

O Ministério Público diz que a concorrência, que aconteceu entre os anos de 2008 e 2009, durante governo do PSDB, foi fraudada. Entre as provas apresentadas está uma tabela que, segundo a Promotoria, mostra como as empresas dividiam os contratos.

Foram denunciados representantes das empresas Alstom, Temoinsa, Tejofran e MPE. A denúncia pede ainda a prisão preventiva do executivo César Ponce de Leon que, na época, representava a Alstom, e que não foi encontrado. Falta identificar ainda representantes de outras cinco empresas que também participaram da concorrência. 

O promotor também diz que são "notáveis as diferenças entre os valores do orçamento inicial do Metrô e os valores contratados”. “Eles poderiam ter oferecido pelo menos entre 10% e 20% a menos que ainda supostamente teriam um lucro na realização desses contratos”, afirma Marcelo Mendroni.

Em nota, a Alstom disse que respeita as regras das licitações de que participa e não vai se manifestar sobre a denúncia. Disse ainda que o executivo que teve a prisão preventiva pedida pelo promotor não faz mais parte do quadro de funcionários da empresa.

O grupo Tejofran disse que jamais participou de qualquer tipo de cartel, defende a lisura da atuação de seus funcionários e coloca toda a contabilidade da empresa à disposição da Justiça. A MPE e a Temoinsa não se pronunciaram.

O Metrô disse que a denúncia não envolve nenhum funcionário da companhia, e que o Metrô vem colaborando com as investigações. O PSDB disse que a denúncia não envolve o partido nem qualquer de seus filiados.

Outra denúncia

O Ministério Público de São Paulo já havia pedido em abril à Justiça a prisão preventiva do executivo César Ponce de Leon. Ele participou da direção da multinacional francesa Alstom Transport durante período no qual é investigada a prática de cartel em contratos com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

A solicitação ocorreu em 10 de abril, juntamente com a denúncia oferecida à Justiça contra 11 executivos de empresas do setor ferroviário e um funcionário da CPTM por formação de cartel em três contratos firmados entre 2007 e 2008.

A investigação de irregularidades nas licitações dos trens do Metrô e da CPTM começou a partir de um acordo de leniência (ajuda nas investigações) feito em 2013 entre uma das empresas acusadas de participar do suposto cartel, a Siemens, e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão ligado ao Ministério da Justiça.

G1 – 22/05/2015

Comentário do Sinferp


Ah, agora a denúncia não envolve o PSDB e nem filiados. Em passado próximo não envolvia nenhum agente público.

Previsto para 2017, trem de Sorocaba a SP não tem data para sair do papel

Órgãos divergem sobre andamento de projeto e evitam novas datas. Ao G1, ANTT diz que o assunto sequer passou pela a agência.

As obras do trem regional que vai ligar Sorocaba (SP) a São Paulo e que deveriam começar neste ano ainda não tiveram início. A previsão era de que o novo serviço de transporte, que não saiu do papel, começasse a funcionar em 2017, mas os órgãos questionados pelo G1 evitam divulgar novos prazos. 

Anunciado pelo governo estadual em 2013, o projeto da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) prevê um investimento de R$ 4 bilhões na região, com a construção de trilhos e pontos de embarque em Sorocaba e São Roque  (SP). Na época, duas empresas estariam interessadas em administrar o serviço. No entanto, de acordo com a CPTM, a Manifestação de Interesse da Iniciativa Privada (MIP) das duas empresas está em análise pelo Conselho Gestor das Parcerias Público Privadas (PPP´s) do governo estadual.

O documento envolve a construção de infraestrutura, implantação de equipamentos e sistemas e compra dos trens para operar uma rede integrada de linhas de trens, abrangendo, além de Sorocaba, as cidades Santos, Mauá, São Caetano do Sul, Santo André, Jundiaí, Campinas, Americana, São José dos Campos e Taubaté.

Sem prazos

O conselho, de responsabilidade da Secretaria de Governo, explica que o Estado aguarda um retorno da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para dar continuidade ao projeto. Segundo o estado, a autorização é necessária porque o trem regional passará, em grande parte do trajeto, ao lado de trens de cargas, que estão na faixa de domínio do governo federal.

"Sem a autorização, o Estado não pode lançar o edital, em análise pelo Conselho Gestor das PPP’s. A documentação foi protocolada em abril de 2014, em Brasília", afirma o conselho. Já a ANTT diz que o assunto sequer passou pela a agência. “Não recebemos nada sobre esse projeto”, informou a assessoria de imprensa do órgão.

Os atrasos no projeto do trem regional ainda geram reflexos nos projetos do governo muncipal, já que algumas propostas da prefeitura aguardam o início das obras estaduais. De acordo com a Urbes, responsável pelos transportes na cidade, a expectativa é que um futuro Terminal Intermodal, contemplando uma nova rodoviária junto com o terminal ferroviário, esteja contemplado no projeto e vinculado com a implantação do trem regional. "Outros projetos que deverão vincular-se ao projeto é a adequação da antiga Estação Ferroviária e estudos de viabilidade de um futuro sistema de VLT compartilhado no mesmo leito ferroviário", conclui a nota.

Projeto

Quando concluído, o trem regional entre São Paulo e Sorocaba deve ter pelo menos três pontos de embarque e desembarque dos passageiros construídos na região. A viagem de Sorocaba até a capital seria feita em 51 minutos, com saídas a cada 15 minutos. As estações ficarão no Centro, em Brigadeiro Tobias e a possibilidade de um terminal em São Roque. O percurso será de 92 quilômetros até a capital paulista. A parada final ainda não está definida e poderá ser nas estações Pinheiros ou Água Branca. A linha férrea será construída perto das rodovias Raposo Tavares e Castello Branco.

G1 – Jomar Bellini - 22/05/2015

Comentário do SINFERP


Em resumo, não vai sair.

A polêmica ferrovia que a China quer construir na América do Sul

Uma ferrovia que começa no Rio de Janeiro banhada pelo Oceano Atlântico, atravessa a Floresta Amazônica e a Cordilheira dos Andes e termina na costa peruana em pleno Oceano Pacífico: este é o ambicioso plano que a China quer consolidar na América do Sul.
O projeto ganhou novo impulso com a visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, à região, que começou na noite da última segunda-feira no Brasil e ainda inclui escalas na Colômbia, no Peru e no Chile.
Nesta terça-feira, Li Keqiang se encontrou com a presidente Dilma Rousseff em Brasília. Na ocasião, foram assinados 35 acordos de cooperação entre os dois países, englobando áreas como planejamento estratégico, transportes, infraestrutura, energia e agricultura.
Durante o encontro, a presidente Dilma declarou que Brasil, China e Peru iniciaram os estudos de viabilidade da conexão ferroviária entre o Atlântico e o Pacífico. "Trata-se da ferrovia transcontinental que vai cruzar o nosso país no sentido leste oeste cortando o continente sul-americano", disse a presidente que, logo depois, em conversa com repórteres, classificou a ferrovia como "estratégica para o Brasil".
De Brasília, Li Keqiang segue para o Rio de Janeiro, onde deve participar da inauguração de uma exposição de marcas chinesas e de um passeio de barco pela baía de Guanabara. A agenda do premiê chinês no Brasil termina na próxima quinta-feira.
Ferrovia
Com o projeto da ferrovia, Pequim pretende aumentar sua presença econômica no continente e facilitar o acesso a matérias-primas, o que também gera interesse do Brasil e do Peru.
Em declaração no início da tarde desta terça-feira durante o encontro com Li Keqiang, a presidente Dilma Rousseff afirmou que, com a ferrovia, "um novo caminho para a Ásia se abrirá para o Brasil, reduzindo distâncias e custos".
Especialistas acreditam que a construção da estrada de ferro marcaria uma nova fase na relação da China com a região. No entanto, para que o projeto saia do papel, será necessário superar grandes desafios de engenharia, ambientais e políticos, dizem analistas ouvidos pela BBC.
"Seria uma grande conquista e uma peça-chave da relação da China com a América do Sul, se esse projeto realmente sair do papel", diz Kevin Gallagher, professor da Universidade de Boston e autor de estudos sobre a relação China-América Latina.
"Todo o projeto é uma grande promessa, mas deve ser bem feito ou pode se tornar um pesadelo", ressalva.
Intercâmbio
Keqiang começa sua visita ao Brasil em meio a um momento de desaceleração da economia chinesa e das sul-americanas.
A região deve crescer menos de 1% neste ano, de acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), em parte por causa de uma atividade econômica mais fraca no Brasil. E a falta de infraestrutura continua a ser um dos principais problemas do país.
A China, por sua vez, necessita de recursos naturais para sustentar sua expansão econômica e tem interesse primordial na construção de projetos ferroviários em outras regiões do globo.

Neste contexto, a Ferrovia Transoceânica, cujo custo é estimado em até US$ 10 bilhões (R$ 30 bilhões), poderia cobrir as necessidades dos vários países envolvidos.
"Próximo passo"
Com a popularidade em baixa e abalada por escândalos de corrupção, Dilma prepara um programa de concessões de infraestrutura previsto para ser lançado em junho.

Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, trechos da ferrovia até a fronteira com o Peru estariam contemplados na segunda etapa das licitações.
Estudos técnicos já foram iniciados em solo brasileiro para ligar o porto de Açu, no Rio de Janeiro, a Porto Velho, na bacia amazônica.
A ligação da capital de Rondônia ao Pacífico daria a produtores brasileiros uma alternativa sobre o Atlântico e o Canal do Panamá para enviar matérias-primas para a China.
"Há uma lógica econômica por trás do projeto", disse João Augusto Castro Neves, analista para América Latina da consultoria Eurasia Group.

Apetite chinês por matérias-primas da América do Sul está por trás de projeto
Nos últimos anos, a relação entre a China e o Brasil é muito focada no aspecto comercial, com o aumento das exportações de produtos como soja e ferro para o gigante asiático.
Mas, segundo Castro Neves, obras como a da Ferrovia Transoceânica poderiam agregar valor a esse vínculo. "É o próximo passo no relacionamento", diz ele à BBC.
Protestos
O projeto exacerbou as já tensas relações entre o Peru e a Bolívia, cujo presidente, Evo Morales, protestou ao saber que a estrada de ferro passaria por fora do território boliviano.
"Não sei se o Peru está jogando sujo", disse Morales em outubro. Segundo ele, a ferrovia seria "mais curta, mais barata" se passasse pela Bolívia.
No entanto, o presidente peruano Ollanta Humala descartou essa possibilidade em novembro, comentando sobre um acordo com a China para iniciar os estudos do projeto.
O trem vai passar "pelo norte do Peru, por razões de interesse nacional", disse Humala.
Juan Carlos Zevallos, economista que presidiu a agência reguladora de transportes peruana OSITRAN argumenta que a região apresenta "desenvolvimento consolidado" de infraestrutura para explorar a estrada de ferro, incluindo o porto de Paita, ponto de chegada da ferrovia.
Na opinião de Zevallos, o projeto facilitaria a entrada de produtos peruanos no Brasil, o maior mercado regional. "Esse é o interesse", disse ele à BBC.

Especialistas antecipam possíveis problemas com grupos indígenas e defensores do meio ambiente, dada a possibilidade de que o trem passe por áreas consideradas sensíveis.
"Uma estrada no meio da Amazônia para atender ao mercado chinês (...) seria uma ilusão acreditar que não vai haver impacto", critica Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace.
Adario observou, contudo, que "a ferrovia tem menor impacto do que a rodovia para o escoamento da produção" e defendeu que sejam feitos estudos para medir o impacto socioambiental da obra.
Também há desafios de engenharia e custos para a construção de um trem que cruze a Cordilheira dos Andes e desemboque no Pacífico.
Castro Neves alertou que, se não houver planejamento adequado, o projeto pode terminar paralisado, como outras grandes promessas de investimentos na infraestrutura da região.
"A questão não é apenas injetar dinheiro", diz ele.
Gallagher disse que o projeto vai representar "um verdadeiro teste para a relação" entre Pequim e da região.
"Se conseguir construir um trem de alta velocidade que funcione e facilite o comércio com a América Latina, de modo inclusivo e sem prejudicar o meio ambiente, a China tem tudo para se tornar a nova 'queridinha' da América Latina", conclui.


BBC Brasil – Gerardo Lissardy - 19/05/2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Marceneiros do interior de São Paulo restauram vagões de trem centenários

Oficina do Seu Vavá
Depois de restaurados eles voltam a transportar passageiros da mesma forma que faziam um século atrás.

Em Pindamonhangaba, no estado de São Paulo, o Jornal Nacional visitou a oficina do Seu Vavá.

O ano de 1912 é o de fabricação. Mas, pelo estado, dá para jurar que é a última data em que fizeram uma manutenção no carro de passageiros inglês.

“É uma tristeza porque ele é uma testemunha do abandono das ferrovias no Brasil. Então, é realmente muito triste ver”, afirma Ayrton Camargo e Silva, presidente da Estrada de Ferro Campos do Jordão.

As ripas do teto e as placas do piso estão beirando o apodrecimento e os passageiros hoje são outros. A missão de trazer as pessoas de volta é do seu Vavá. Que responsa!

“Quarenta anos de praça. Cerrando, martelando, tirando medida, fazendo projeto, detalhes de peças. E meus netos vão ver isso”, diz o marceneiro Osvaldo Luiz Manckel, o Seu Vavá.

Se vão! Porque para um vagão de madeira centenário, o salvador só podia ser um marceneiro gente boa e bem das antigas.

Quem é capaz de dizer que pelas experientes mãos do seu Vavá e do time dele, um vagão quase perdido pode ganhar uma vida toda nova? Voltar a ter um verniz brilhante, bancos de madeira maciça e piso que dá até gosto de ver? Quem diria que esse vagão já foi como aquele e voltou para os trilhos. Não mais para ficar em uma garagem até apodrecer, mas voltar a transportar passageiros exatamente com o mesmo charme de um século atrás.

Dos seis tipos de madeira da fabricação, eles tiveram que substituir dois, porque estão em extinção. Todas as pecinhas de bronze são originais, ao contrário dos dez mil alinhadíssimos novos parafusos que ajudaram a deixar esse tataravô parecendo um neném. Um trabalho mega artesanal que exige gente de confiança. E onde mais a gente encontra isso, senão na nossa própria família?

“Ele marca em cima, mas chato ele não é não. Ele tem um coração muito grande, um coração bom”, diz o marceneiro Douglas Fabiano Manckel, filho do Seu Vavá.

“Não pode chamar de papai, não. É senhor Osvaldo”, conta Seu Vavá.

E falta bem pouco para o senhor Osvaldo e companhia terminar o trabalho. E olha que esse nem é o primeiro que eles restauram. Pelas mãos dessa família, outras já tão sendo transportadas nos velhos novos vagões.


G1 – 18/05/2015

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Investimentos da China no Brasil vão de trem transcontinental a Petrobras

Fazia doze anos que Li Keqiang não vinha ao Brasil e agora, como primeiro ministro, chega em grande estilo para selar 35 acordos bilionários com o Governo Dilma Rousseff.  Um dos mais ambiciosos já havia vazado para a imprensa nos últimos dias.
O projeto ferroviário transcontinental que deve percorrer o Brasil de leste a oeste, atravessar a cordilheira dos Andes até chegar aos portos peruanos só existe, por ora, como um "estudo de viabilidade" dos três países. Mas, já está bem articulado, com um desenho que pretende facilitar a exportação de matérias-primas do Brasil e do Peru para o mercado chinês. “É uma linha que sairá do Tocantins, da cidade de Campinorte [ferrovia norte sul] vai passar pelo Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, segue pelo Estado do Acre, até chegar ao Peru”, disse Rousseff, que prevê ganhos para os produtores com a redução de custo na logística.
Se este é um projeto embrionário, outros acordos anunciados nesta terça-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto, trarão ganhos imediatos, como o fim do embargo à importação de carne brasileira, que vai beneficiar 26 frigoríficos nacionais, e incrementar em 520 milhões de dólares as exportações brasileiras, que somaram 40 bilhões de dólares no ano passado. Um sorridente Joesley Batista, dono da JBS, assistiu à cerimônia dos acordos vislumbrando que a rota chinesa trará mais negócios a sua empresa.
Outras companhias brasileiras foram beneficiadas pelos acordos chineses, caso da Petrobrás que fechou dois acordos de financiamento, num total de 7 bilhões de dólares, assim como a mineradora Vale, que assinou memorandos de financiamento de um projeto de compra de um total de 24 navios de transporte de minério de ferro com duas estatais chinesas, a Cosco e ao Grupo China Merchants.
Os dois países anunciaram ainda um fundo de investimentos de 53 bilhões de dólares, do banco estatal ICBC para assegura investimentos em infraestruturas, que passam por rodovias, ferrovias, linhas de transmissão para o setor elétrico, e projetos de telecomunições. O Governo chinês assinou ainda o compromisso de investir em um pólo siderúrgico no Estado do Maranhão, e reafirmou o compromisso com o investimento na processadora de milho em Maracaju, no Mato Grosso do Sul, que deve chegar a meio bilhão de dólares.
Keqiang enfatizou que o comércio bilateral, que foi de 79 bilhões de dólares em 2014, deve chegar rapidamente a 100 bilhões de dólares. “Num cenário de difícil recuperação mundial, esta cooperação mútua vai proporcionar o desenvolvimento de economias emergentes, e da economia mundial”, afirmou o primeiro ministro.
Os dois países assinaram ainda acordos em diversos setores, como o de Defesa, para o sensoriamento conjunto da Amazônia visando a sua preservação, e a confirmação da compra de 80% do banco brasileiro BBM pelo estatal Bank of Communication por 525 milhões de reais.
Outros negócios foram fechados na área de energia, com o acordos na área de energia eólica, além de telefonia, firmado entre a Telefônica Vivo e a Huawei, este último par melhorar a cobertura celular no Rio de Janeiro.
Os acordos firmados entre os dois mandatários fazem parte do chamado plano de ação conjunta 2015-2021 que, segundo Rousseff, “inaugura uma etapa superior em nosso relacionamento”. “Teremos a oportunidade de dialogar com o empresariado dos dois países sobre o importante papel que exercem nesse processo”, disse a presidenta Dilma Rousseff , que tem viagem marcada para a China no próximo ano.
Estabilidade no fornecimento
A mensagem do líder chinês durante o encontro deixa claro que a estratégia da potênca asiática é buscar estabilidade no fornecimento dos itens mais demandados pelo seu país, em especial, soja, minério, açúcar, petróleo e derivados de milho, produtos estes que o Brasil tem em abundância. Keqiang não esconde, ainda, o desejo de erguer mais fábricas chinesas no Brasil em diferentes setores. “Nossa amizade tem uma base sólida e a cooperação mútua traz benefícios a nossos povos e ao mundo”, afirmou ele antes de se despedir.
Se o interesse chinês pelos produtos brasileiros é bem-vindo por um lado, por outro essa dependência preocupa pela qualidade do intercâmbio. O Brasil vende prioritariamente matéria-prima para eles e compra itens industrializados dos chineses. O primeiro ministro chinês garantiu no ato desta terça que a qualidade dessa troca deve melhorar, citando por exemplo os aviões da Embraer, requisitados pelas empresas aéreas chinesas. Mas, em outros setores industriais o Brasil carece de competitividade, e não tem um projeto de longo prazo para fortalecer a produção de seus bens industrializados.
A dependência, ainda, do capital asiático preocupa alguns especialistas. “Não sabemos a qualidade desse dinheiro que entra, e se não estamos atraindo outros recursos globais, como o de fundos de pensão internacionais, é porque precisamos melhorar o ambiente de negócios”, avalia o economista Cláudio Frischtack.
Para alguns observadores, a China aproveita o momento para comprar o Brasil mais barato, durante a crise econômica que deve ser marcada pela recessão deste ano. A dúvida é se o Governo Rousseff saberá capitalizar esta oportunidade para melhorar a qualidade não só do comércio bilateral, mas do ambiente de negócios para outras parcerias ambiciosas com outros países.

El País – Carla Jíménez -19/05/2015

terça-feira, 19 de maio de 2015

Fabricantes de trens, no Brasil, temem a chegada dos investidores chineses

Brasília - A entrada dos chineses em projetos de infraestrutura logística ainda é uma promessa, mas começa a tirar o sono da indústria nacional de ferrovias. O setor, que faturou R$ 5,6 bilhões no ano passado e gera 20 mil empregos diretos, teme que a investida dos asiáticos comprometa a produção nacional.

Os chineses estão de olho na Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), uma malha de 883 quilômetros prevista para ligar o maior polo de produção de grãos no País, na região de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, até sua ligação com a Ferrovia Norte-Sul, em Campinorte (GO).
O temor da indústria não é a construção da ferrovia, uma iniciativa que é muito aguardada pelo setor. A apreensão é com os acordos atrelados ao projeto, como importação de trens de passageiros, vagões, locomotivas e tudo o mais que envolva a estrada de ferro.
"Não somos contrários a investimentos estrangeiros, muito pelo contrário. Mas é importante assegurar que todos atuem de acordo com as mesmas regras e que enfrentem a mesma realidade", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate. "Não queremos passar pelo que está acontecendo hoje com a Argentina, que viu a sua indústria ferroviária praticamente desaparecer."
Nos últimos 18 meses, o governo argentino firmou vários contratos com os chineses, com o propósito de revitalizar sua indústria ferroviária. Os apertos de mão resultaram na compra de 1.310 carros de passageiros chineses, 3 mil vagões, 100 locomotivas e um sem número de componentes de reposição, incluindo trilhos e dormentes. "Prometeram produção local aos argentinos. Depois de venderem tudo, disseram a eles que o país não tinha escala que justificasse uma fábrica", disse Abate, que teve encontro dias atrás com representantes do governo argentino.
Apesar da crise, da lentidão dos projetos em andamento e da dificuldade do governo em leiloar a construção de novas ferrovias, a indústria nacional tem registrado resultados positivos. O resultado de R$ 5,6 bilhões registrado no ano passado representa 24% de crescimento sobre o ano anterior, quando o setor faturou R$ 4,3 bilhões. Do total movimentado, cerca de 60% está ligado a transporte de passageiros e 40%, cargas. No ano passado, foram produzidos no Brasil 4.703 vagões, outros 374 carros de passageiros e 80 locomotivas. As informações são do jorna O Estado de S. Paulo.


Folha Vitória – 19/05/2015

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Os maquinistas estão chegando...

Em ao menos nove trechos, abandonados há décadas, linhas turísticas de trem serão retomadas e vão cruzar espaços históricos e até canaviais em seis Estados brasileiros 

Uma viagem a rotas do Brasil Império, a cidades envolvidas na Guerra do Contestado, ao passado da cana-de-açúcar e, além disso, a possibilidade de trafegar em uma ponte férrea em curva.


Após décadas de inércia, projetos que contam com a iniciativa privada, prefeituras, órgãos federais e entidades de preservação da memória ferroviária preveem a retomada de linhas turísticas em nove locais, de seis Estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O trecho mais recente a receber autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para oferecer o transporte ferroviário de passageiros foi o de Guararema-Luiz Carlos, de 5,5 km e operado pela ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) em São Paulo.

Uma maria-fumaça e três vagões, que levarão até 130 passageiros, foram reformados por R$ 1,1 milhão e devem começar a funcionar até o fim do ano, segundo Hélio Gazetta Filho, diretor da ABPF.

Além dele, São Paulo tem outros, em São José do Rio Preto e Sertãozinho. Em Rio Preto, o Trem Caipira chegou a operar há um ano, mas parou e está em fase de análise de documentação. Já no projeto de Sertãozinho, a rota vai da estação ferroviária a Pontal, num trecho de 10 km em meio a extensos canaviais.

No Rio, a Oscip Amigos do Trem deve abrir em setembro uma linha de 4,5 km, após mais de 20 anos sem ferrovias. A longo prazo, o plano é chegar a 44 km até Paraíba do Sul, num trecho que inclui uma ponte em curva.

"É o primeiro projeto de sucesso de trem turístico no interior. E Barão de Mauá começou isso no Rio. Temos de reativar linhas para mostrar que há potencial turístico e de cargas", diz Paulo Henrique do Nascimento, presidente da entidade.

Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, inaugurou a Estrada de Ferro Mauá em 1854. Os trilhos estão sendo recolocados --os antigos foram furtados-- e o valor total chega a R$ 2,5 milhões.

Presidente da Abottc (Associação Brasileira dos Operadores de Trens Turísticos e Culturais), Adonai Aires de Arruda Filho disse que, para a retomada do transporte, são feitos estudos de viabilidade econômica e operacional.

DA ÉPOCA DO IMPÉRIO

É nesta fase que está a linha Estrela-Guaporé, no Rio Grande do Sul, em que a empresa em que Arruda Filho é diretor, a Serra Verde, tem interesse. "No caso de Estrela, já há a via, por onde passa trem de carga, que tem demanda baixa", explica.

Os estudos são feitos pela associação em parceria com o Sebrae. Outro é o Rio Pardo-Cachoeira do Sul (RS).

A Oscip Movimento Civil de Preservação Ferroviária chegou a receber verba de R$ 1,2 milhão da União, mas devolveu por não usá-la a tempo. Falta, segundo o presidente Mauro Back, a contrapartida de R$ 360 mil, para contratar funcionários, buscar locomotivas em outras cidades e reformar vagões.

"Já temos estações e contratos de cessão. A fase lúdica está pronta." Quando operar, percorrerá 38 km em locais existentes desde o período imperial (século 19).

Em União da Vitória (PR), uma das cidades envolvidas na Guerra do Contestado (1912-1916), a rota de 6,5 km vai até Porto União (SC) --são vizinhas, separadas justamente por um trecho ferroviário. Para circular, os municípios aguardam liberação para reformar a locomotiva, que tem 101 anos.

Em Poços de Caldas (MG), a expectativa é que a maria-fumaça e três vagões operem até 2016. O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) autorizou o remanejamento de trilhos para reconstruir a linha.


O Ministério do Turismo informou ter destinado, nos últimos 13 anos, R$ 22 milhões para recuperar estações, implantar trens turísticos e melhorar trechos ferroviários de 27 cidades. 

Folha de São Paulo - Marcelo Toledo - 18/05/2015

domingo, 17 de maio de 2015

'Palácio subterrâneo', metrô de Moscou completa 80 anos

Com paredes de mármore, teto alto, candelabros majestosos, mosaicos e milhares de esculturas e decorações em alto-relevo, o metrô moscovita - conhecido como "palácio subterrâneo" - completa 80 anos nesta sexta-feira.
A rede moscovita conta com 196 estações, distribuídas em doze linhas que percorrem 327,5 km e realiza 6,73 milhões de viagens por dia. O de São Paulo, para efeitos de comparação, tem 74 km de extensão.
A extravagância foi ideia do então líder soviético Josef Stalin e tinha uma função político-ideológica – relembrar aos usuários, na maioria proletariados, que o Partido Comunista estava fazendo algo para a população, em retorno pelo seu esforço durante a União Soviética.
Stalin ordenou que os arquitetos e artistas do metrô criassem uma estrutura que se destacasse pelo "brilho" e indicasse um "futuro radiante". O metrô é hoje um dos principais pontos turísticos da cidade.
E o sistema de transporte metropolitano chama a atenção não somente pela suntuosidade, mas também pela eficiência. A média de espera pelo metrô é de somente 90 segundos, caindo para menos de 60 segundos no horário do rush. E, se tudo isso não fosse suficiente, o metrô oferece ainda wifi gratuito, com fácil acesso em russo ou em inglês.
O metrô russo, no entanto, não está alheio a polêmicas. Em 2009, após a restauração da estação de Kurskaya, no centro da cidade, uma homenagem a Stalin foi colocada mais uma vez na parede do metrô. "Stalin nos criou na lealdade ao povo, nos inspirou ao trabalho e ao heroísmo" – reza a frase, que havia sido retirada nos anos 50. Apesar das críticas, a frase foi mantida.
Outro assunto que costuma gerar certa discussão em Moscou é a voz usada nos alto-falantes do sistema de transporte. Nas linhas radiais, os alto-falantes que anunciam as estações usam uma voz masculina no sentido centro e uma voz feminina no sentido periferia. A controversa ideia é de que é melhor ter uma voz feminina quando os trabalhadores voltam para casa e uma voz masculina quando vão ao trabalho.
Plano de expansão
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, anunciou no fim do ano passado que uma segunda linha circular estará completamente em operação até o final desta década, com 28 novas estações e 58 km de trilhos. Parte desta nova linha será aberta em 2016. O custo total do projeto é de 300 bilhões de rublos (R$ 18 bilhões).
Moscou tem uma linha circular e onze linhas radiais. Para fazer qualquer transferência entre as linhas radiais, o passageiro precisa ir até o centro e depois seguir na nova linha radial. A construção de uma segunda linha circular pretende descongestionar o metrô no centro de Moscou e diminuir o tempo de deslocamento. O design da nova linha ficará a cargo de uma firma italiana de decoração de interiores.
Quando a segunda linha circular estiver pronta, a Prefeitura de Moscou estima que apenas 7% dos residentes de Moscou viverão longe de alguma linha de metrô (hoje, este número é de 22%).
Em comemoração ao aniversário, o metrô ganhou de presente um novo trem, com design e decoração temática contando a história de um dos símbolos da capital russa. O novo trem tem oito vagões, cada um representando uma década. E o primeiro vagão está pintado de vermelho, em homenagem à cor da primeira linha.

BBC – Sandro Fernandes – 15/05/2015

sábado, 16 de maio de 2015

Trem de passageiros: esperança ao sonho retratado em livro

Foto Mário Roberto
Autor de "Trem Azul", Antônio Luiz Cicolin fala da ascensão e queda das ferrovias

 O transporte ferroviário foi marcante na vida de Antônio Luiz Cicolin desde sempre. Filho de ferroviário, também adotou o ofício, além de atuar durante mais de três décadas no sindicato da categoria. Todo o conhecimento que o cordeiropolense de 84 anos tem da estrutura, ascensão e queda das ferrovias paulistas ele transformou no livro "Trem Azul". Na viagem sobre trilhos está a história de Luizinho, o menino que morava à beira da linha férrea e se apaixonou pelos trens. Especialmente pelo trem azul, que ia e vinha de São Paulo ao interior, com paradas em estações como as de Cordeirópolis e Limeira.

Nos últimos 50 anos, Cicolin testemunhou o transporte rodoviário engolindo o ferroviário, e as pessoas trocando as viagens de trem pelos carros. Por isso, se entusiasmou com a notícia da busca do trem de passageiros, em iniciativa que busca incluir a região em trajeto estudado pelo governo estadual.

Gazeta de Limeira –  Daíza Lacerda - 19/04/2015

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Novos trens devem voltar a transportar passageiros na próxima semana no Rio Grande do Sul.

Trens série 200 começarão a circular sem passageiros nesta sexta-feira.
Mais de um mês depois de terem sido tirados de circulação por causa de um descarrilamento, os novos trens da Trensurb devem voltar a transportar passageiros na semana que vem.

Nesta semana, os técnicos da empresa receberam e analisaram um relatório enviado pelo consórcio fornecedor dos veículos apontando as causas do descarrilamento ocorrido no dia 7 de abril. Na quinta-feira, o Consórcio FrotaPoa — formado pelas empresas Alstom e CAF — emitiu, ainda, um documento que certifica a possibilidade de retorno de operação da frota série 200.

— Tanto os fornecedores dos trens quanto a Trensurb estão adotando as medidas necessárias para aumentar ainda mais os níveis de segurança dos veículos e do sistema — disse o diretor de Operações da Trensurb, Carlos Augusto Belolli.
A empresa não divulgou os problemas que teriam sido indicados pelo relatório. Em nota, a Trensurb apenas disse que algumas medidas já estão sendo tomadas, como "o retrabalho no ajuste das barras estabilizadoras da suspensão dos trens, eliminando a possibilidade de folga, e a melhoria de lubrificação no contato roda-trilho".
Os novos trens voltam a circular nesta sexta-feira, sem passageiros, para análise e inspeção. Caso não seja detectada necessidade de ajustes adicionais, a partir da próxima terça-feira, um deles retomará o transporte de passageiros fora dos horários de pico.
Após dois dias de operação, o trem deverá ser novamente inspecionado e, então, liberado para circulação plena. Isso ocorrerá sucessivamente com os demais veículos série 200 até 10 de junho, segundo a Trensurb.

Zero Hora – 15/05/2015